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sábado, 12 de agosto de 2017

2017 - TROPICÁLIA - UM DISCO EM MOVIMENTO













Foto:  André Conti / Divulgação

Coluna Gente Boa - O Globo





12/8/1968 - Lançamento do disco-manifesto no Avenida Danças, em São Paulo, à frente da Orquestra da casa, Gal Costa, Nara Leão, o maestro Rogério Duprat (de costas), Caetano Veloso, Gilberto Gil e Os Mutantes; na platéia, os jornalistas Alberto Helena Jr. (de óculos) e Chico de Assis.



O GLOBO
CULTURA

MÚSICA



Exposição e shows no CCBB lembram disco-marco do Tropicalismo
Eventos provocam reflexão sobre como seus princípios seguem pertinentes


POR LEONARDO LICHOTE

12/08/2017

‘Guevara, vivo ou morto’. Claudio Tozzi reflete sobre a época - Divulgação

RIO — Gilberto Gil avisava nos primeiros segundos do disco “Tropicália — Ou panis et circensis”, entoando os versos de Capinam: “Já não somos como na chegada/ Calados e magros, esperando o jantar”. Depois, enfileiravam-se Vicente Celestino, o sensacionalismo dos jornais populares, Oswald de Andrade, Sinatra, Mangueira e Senhor do Bonfim. Essa “manhã tropical” que se iniciava ali no álbum-manifesto é celebrada no Centro Cultural Banco do Brasil na próxima semana. No dia 18, será aberta a exposição “Tropicália — Um disco em movimento”, com cada espaço dedicado a uma faixa do LP quase cinquentenário (é de 1968). Na mesma noite, Pato Fu e Céu tocam na Praça do Centro Cultural Correios, abrindo o Festival CCBB Quanto Mais Tropicália, Melhor. No sábado, as atrações são Pedro Luís e A Parede e Tom Zé.

Mais que a homenagem a um momento histórico, a exposição e o festival apontam que a manhã tropical que se anunciava ali ainda segue viva.

— A grande surpresa de se ouvir esse disco hoje é perceber que o pensamento sobre a sociedade brasileira é deprimentemente cíclico — acredita Fred Coelho, curador da exposição com Isabel Seixas e Diogo Rezende. — Vemos muitas das inquietações contemporâneas ali. Se hoje temos um governo que não pode cercear as vozes como na ditadura, ele pode fazer e vem fazendo uma terra arrasada sobre nossa possibilidade de pensar a política. Há um paralelo claro entre os dois momentos. E do ponto de vista artístico, o disco é um objeto estético que ressoa até hoje.

Os shows dos dias 18 e 19 procuram reafirmar exatamente que a Tropicália ainda ressoa.

— Vejo uma onda tropicalista voltando para combater a caretice reinante, com uma liberdade de se misturar gêneros, tanto musicais quanto sexuais — diz Monica Ramalho, curadora do festival.

Além de Tom Zé, um dos arquitetos do movimento, passam pelo palco seus descendentes diretos (“Todo mundo que se deixou contaminar não fez música de outra maneira que não misturando, me identifico muito com isso na minha música”, diz Pedro Luís) ou indiretos, como o Pato Fu, desde o início da carreira comparado aos Mutantes.

— Ouvi muitos artistas influenciados pelos tropicalistas, mas não muito os discos do movimento, com exceção dos Mutantes — conta John, guitarrista do Pato Fu.

Todos vão tocar músicas referentes ao período. Tom Zé preparou “Parque industrial”, “2001” e “Tropicália”. O baiano defende que o movimento definiu os rumos da cultura brasileira:

— Os quadros da ditadura não tinham capacidade de entender que naquela revolução formal do tropicalismo havia um germe de algo mais subversivo do que as canções de protesto — avalia Tom Zé. — Quando essa revolução viajou nas ondas do rádio, baixou em cada antena com uma virulência de rede social pré-cibernética. Quando essas pessoas ouviram um negócio como “Sobre as cabeças os aviões/ Sob os meu pés os caminhões/ Aponta contra os chapadões/ Meu nariz”, elas se armaram com um fuzil semiótico: “Se esse processo foi descoberto, eu também posso usá-lo, também posso mudar o futuro”. Esse negócio não envelheceu, fundou a cabeça das pessoas.

Ele acrescenta, tropicalisticamente, que “a Tropicália não podia envelhecer, porque Gil e Caetano encenaram seu enterro no programa “Divino, maravilhoso’”:

— Outro dia vi o menino do BaianaSystem dizer que o germe tropicalista sai pelo braço dele e movimenta o lápis que escreve suas canções.

A exposição avalia criticamente aquele período em que emergiu a Tropicália, fazendo relações entre as canções do disco e obras de artistas como Rubens Gerchman, Hélio Oiticica, Antonio Dias, Wanda Pimentel e Cláudio Tozzi.

— Havia um interesse meu que meu trabalho fosse visto por um grande número de pessoas, procurava ser muito direta — explica Wanda.

Ponto central do projeto tropicalista, diz Coelho:

— A Tropicália foi pensada dentro da perspectiva da cultura de massas. Hoje a indústria cultural é bem menos poderosa — afirma o curador, que traça outras particularidades daquele período. — Naquela época, o “eu” carregava uma universalidade que hoje perdeu espaço para a força identitária: mulher, negro, gay... Isso faz com que, por um lado, o disco não trate da questão do negro do Brasil. Por outro, faz pensar: será que “Baby” hoje seria lida como uma canção machista, como “Tua cantiga” de Chico Buarque vem sendo acusada?

Tozzi — que terá expostas obras como “Guevara, vivo ou morto” e “Multidão”, a partir de imagem de passeata — reflete sobre ontem e hoje:

— A nossa repressão às passeatas era maior, mas a essência era bastante similar. As manifestações agora são até mais bonitas, envolvem o corpo, é quase uma dança quando se destrói um vidro.

Conversas que surgem a partir de um disco que, às vésperas do AI-5, termina com o clamor ao Senhor do Bonfim: “Dá-nos a graça divina / Da justiça e da concórdia”.




domingo, 21 de mayo de 2017

2011 - LAURIE ANDERSON - I IN U – EU EM TU






29/3/2011


Laurie Anderson está no Rio e Glamurama tem detalhes da exposição dela

Depois de uma passagem relâmpago pelo Rio e por São Paulo (*), no ano passado, Laurie Anderson, considerada uma das principais artistas contemporâneas e precursoras da arte multimídia, abriu para pouquíssimos convidados a exposição individual "I in U – Eu em Tu", nessa segunda-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio.

Na expo, Laurie exibe um conjunto de 31 obras, além de dois trabalhos inéditos, ainda em desenvolvimento: são instalações, fotografias, desenhos, vídeos, músicas, documentações de performances e 19 filmes. Laurie, que é casada com Lou Reed, ainda recebeu amigos como Caetano Veloso e a namorada, Natália Mendez, Arto Lindsay, Marcelo Dantas, entre outros.

(*) In October 2010 a retrospective of her visual and installation work opened in São Paulo, Brazil and later traveled to Rio de Janeiro.

 


iG / Lu Lacerda
Caetano perdeu Laurie por conta do fogo
29/03/2011

Caetano Veloso, amigo de Laurie Anderson, não conseguiu chegar a tempo para ver sua performance. Tudo por conta do fogaréu que consumiu a capela da UFRJ, na Urca, e deu um nó no trânsito da cidade. A exposição de Laurie estreou para convidados nessa segunda-feira (28/03), sendo sua primeira individual no CCBB do Rio. 

A “I In You”, com curadoria de Marcello Dantas, mostra 31 obras, entre instalações, fotografias e tal, além de 19 filmes. A mostra une todo o conceito de obras de Laurie. A artista ainda fez performance para os convidados, ficando sobre duas placas de gelo, dando menção ao original “Duest on Ice”, que se repetirá nesta terça (29/03), no Rotunda. 
Depois, a artista seguirá direto para o Aeroporto Internacional do Rio.

Exposição “I in U – Eu em Tu”, de Laurie Anderson
Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
Rua Primeiro de março, 66 – Centro – Rio de Janeiro
Período de visitação: de 29 de março a 26 de junho de 2011.




Fotos: Cristina Granato 









Caetano, Natalia e Arto Lindsay




Laurie Anderson tocou até derreter o gelo em volta dos patins



(*)


12/10/2010
Precursora da arte multimídia, Laurie Anderson expõe trabalhos no CCBB-SP
Redação





Considerada um dos principais nomes contemporâneos e precursora da arte multimídia, a norte-americana Laurie Anderson abre nesta terça-feira a sua primeira exposição individual no Brasil. "I in U - Eu em Tu" exibe um conjunto de 31 obras, além de dois trabalhos inéditos, ainda em desenvolvimento, no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo. São instalações, fotografias, desenhos, vídeos, músicas, documentações de performances e 19 filmes.

A mostra começa no subsolo do edifício, com uma coleção de instrumentos musicais manipulados. Entre eles destacam-se o misto de toca-discos e violino "Viophonograph", o violino que toca sozinho "Self Playing Violin" e "O Arco de Neon. Ainda no subsolo estão fotografias, documentações de performances e uma obra bidimensional chamada "Newspaper Weavings", na qual a artista costura as linhas horizontais do jornal "New York Times" com as linhas verticais do "China Times". Originalmente criada nos anos 1970 em plena Guerra Fria, a obra foi recriada para uma leitura recontextualizada.
No cofre do subsolo, Laurie apresenta uma microprojeção --uma miniatura sua aparece para refletir sobre episódios do cotidiano, aliada ao vídeo "At the Shrink", que resgata algumas memórias sobre psicanálise.

Já o site specific "Handphone Table", obra criada exclusivamente para as rotundas dos CCBB em São Paulo e no Rio, trata-se de uma mesa instalada no centro do espaço que permite ouvir histórias transmitidas pela vibração dos ossos dos braços dos próprios visitantes: ao sentar à mesa, o visitante tapa o ouvidos e sente através do corpo o som transmitido pela voz de Laurie Anderson.

Inéditas

A instalação "Delusion" é uma das obras inéditas da exposição. Localizada no segundo andar, combina violino, manipulação eletrônica de fantoches, música e elementos visuais para contar uma história sobre desejo, memória e identidade. No último andar do CCBB há obras tridimensionais como "Talking Pillow", um travesseiro que revela os sonhos, e "Wind Book", livro que vira as páginas sozinho e não se consegue ler, além de uma grande obra interativa "Listening Wall", na qual o público se recosta sobre uma parede para escutar o que as paredes falam.

A exposição reúne também toda a obra audiovisual de Laurie Anderson, incluindo longas e curtas-metragens de cinema, clipes e intervenções na televisão. Após passar por São Paulo, "I in U - Eu em Tu" segue em março de 2011 para o CCBB do Rio de Janeiro, onde está prevista a apresentação de mais uma obra inédita.

Performance e palestra
Às 16h desta terça-feira (12/10), dia oficial da abertura da exposição em São Paulo, Laurie Anderson apresentará uma de suas primeiras performances, realizada originalmente em 1975: "Duets on Ice" (“Duetos sobre Gelo”). A performance é executada com um “violino auto-tocante” --um microfone dentro do violino que amplifica o som de um violino solo.
A outra parte do dueto é executada ao vivo. “Como a parte gravada do dueto é um looping sem fim, necessitava dar um fim ao concerto. Assim, decidi calçar um par de patins de gelo, com suas lâminas congeladas em um bloco de gelo. Quando o gelo derrete, o concerto termina”, explicou a artista, no informativo oficial do evento.

Depois da performance, a artista faz palestra com tradução simultânea às 18h.

"I IN U - EU EM TU", POR LAURIE ANDERSON
Quando:
de 12 de outubro a 26 de dezembro de 2010. De terça a domingo, das 10h às 20h
Onde:
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (r. Álvares Penteado, 112, Centro, São Paulo

martes, 9 de mayo de 2017

1998 - RODAS DE LEITURA - CCBB



 
Convidado do programa "Rodas de Leitura", coordenado por Suzana Vargas no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), no Rio.






Reprodução de convite para palestra de Caetano no CCBB, projeto “Rodas de Leitura”, 1998. (Acervo pessoal de Carlos Eduardo Drummond e Marcio Nolasco, autores do libro CAETANO – uma biografia, 2017, página 456.)


















Caetano lê trecho de 'Verdade Tropical' no Rio



 



 
 
 
 
 




4/7/1998 - Página 12