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viernes, 1 de mayo de 2026

martes, 4 de noviembre de 2025

2018 - Especial MINHA CANÇÃO - GAL COSTA

 

Em 2018 Gal participou do programa “Minha Canção”, comandado por Sarah Oliveira na Rádio Eldorado e falou sobre seu novo álbum “A Pele do Futuro”. 

Ela relembrou o processo de criação da música “Palavras no Corpo”, composta por Omar Salomão e Silva.


Foto: Valéria Gonçalves


Em entrevista exclusiva a Sarah Oliveira, Gal Costa dá detalhes sobre nova parceria com Bethânia

A cantora é convidada especial no encerramento da segunda temporada do programa da Rádio Eldorado

 

Por Leandro Cacossi

14/06/2018


Sarah Oliveira recebe Gal Costa no encerramento da segunda temporada do programa 'Minha Canção', da Rádio Eldorado - Foto: Valéria Gonçalves/Estadão

Gal Costa se prepara para lançar disco de inéditas em agosto. No novo trabalho, a cantora retoma uma das mais emblemáticas parcerias da MPB, dividindo os vocais com Maria Bethânia. Gal fala sobre o assunto em conversa com Sarah Oliveira no programa “Minha Canção”.   

A atração da Rádio Eldorado entra na reta final de sua segunda temporada e tem Gal Costa como protagonista de suas duas últimas edições. Ela momentos marcantes de sua carreira em um bate-papo repleto de emoção e boas histórias, tudo embalado por canções emblemáticas de sua carreira. 

Gal não gravava uma música inédita com Bethânia desde década de 1990. A música inédita, chamada “A Fotografia”, tem letra de Jorge Mautner e melodia de César Lacerda. O reencontro afetivo da dupla vem desde a gravação do documentário “O Nome Dela é Gal”, do canal HBO. 

“A música ficou pronta, coloquei voz, mixamos e mandei ontem [terça, 12] pronta para Bethânia ouvir. Ela não me respondeu na hora, demorou um pouco pra me responder. Hoje [quarta, 13],quando acordei, tinha uma mensagem linda dela, toda entusiasmada com nossa música juntas, fiquei felicíssima. As pessoas ao meu redor quando, nos ouvem juntas cantando, se comovem. As junções de nossas vozes provoca isso", afirma Gal Costa. 

Gal Costa também fala sobre a expectativa para o disco de inéditas, com lançamento marcado para agosto. “Fazer show e lançar disco de inéditas com esta idade que estou e com o pique que tenho ainda, que é exatamente o mesmo que eu tinha lá atrás, me deixa realizada. Esta ousadia, esta transgressão que eu provoco desde sempre, tem um sofrimento, mas me traz uma sensação de liberdade e alegria que vocês não podem calcular”, afirma.


Sarah Oliveira recebe Gal Costa no encerramento da segunda temporada do programa 'Minha Canção', da Rádio Eldorado - Foto: Valéria Gonçalves/Estadão

Sarah Oliveira destaca a importância de receber Gal Costa no encerramento da segunda temporada do ‘Minha Canção’. “Desde o início tinha o sonho de trazer a Gal. Ela tem uma trajetória muito importante e uma obra muito vasta, de parcerias com Caetano Veloso, Wally Salomão, Gilberto Gil. Foi tudo guiado pela memória afetiva”, afirma. “Ter ‘nossa rainha’, como eu costumava dizer, finalizando essa segunda temporada, é muito especial e emocionante”, completa a apresentadora. 

O programa ainda conta com os depoimentos de Marília Gabriela, Fernanda Montenegro e Mallu Magalhães. Elas relembram episódios que marcaram suas vidas com músicas gravadas por Gal Costa como trilha sonora. 

O ‘Minha Canção’ especial com Gal Costa vai ao ar em dois episódios. O primeiro, nesta sexta-feira, dia 15/6, a partir das 17h, com reprise no domingo, dia 17/6, no mesmo horário. O segundo, no dia 22/6, com reprise em 24 de junho, sempre às 17h. Você ouve em FM 107,3, no site radioeldorado.com.br e nos aplicativos da Rádio Eldorado para iOS e Android.


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Sarah Oliveira: 'Gal contribuiu para a libertação feminina com corpo livre' 

Sarah Oliveira

Colaboração para Universa, em São Paulo

09/11/2022 


Esta manhã foi das mais tristes da minha vida e de muita gente que vai ler este texto. 

Gal foi embora de supressa. Assim, do nada. De repente, uma ligação, e todos entramos em uma fenda no tempo e no espaço. Que loucura. 

Eu havia trocado mensagens com ela no domingo, depois do show da Björk [no festival Primavera Sound]. Cheguei inebriada por aquele acontecimento e me lembrei da Gal. 

Mandei um carinho para ela na madrugada, que me respondeu prontamente. Conto isso porque acho bonito saberem que uma cantora tão fundamento como a Gal, era tão ligada. Ela era cheia de tesão pela vida, pelas novidades. Todas as entrevistas que me deu, seja na MTV, no GNT ou recentemente, quando gravou meu programa "Minha Canção" [transmitido na Rádio Eldorado], ela esbanjava este vigor.

No dia da gravação do "Minha Canção", chegou animadíssima porque havia recebido, naquela manhã, uma ligação da Bethânia dizendo que amou a música "Minha Mãe", que Jorge Mautner compôs para as duas gravarem juntas, de maneira inédita, depois de tantos anos. Está em seu disco "A Pele do Futuro". E no palco, então, Gal vinha sendo a queridinha dos festivais, um público cada vez mais jovem a acompanhava. Gravou canções inéditas e vinha cantando com gente de várias idades e vertentes. Misturou Caetano, Bethânia, Gil e Mautner com Marília Mendonça, Céu, Emicida, Erasmo, Tim Bernardes, Nando Reis, Caetano, Malu Magalhães, Rubel. Aqui, uma menção honrosa e um agradecimento público ao meu querido amigo Marcus Preto, que foi essencial para a carreira dela nos últimos anos, fazendo esta ponte entre a Gal e todo mundo que a amava e admirava. Isso a alimentou demais. 

Gal ousou ser libertária na ditadura. No Rio, ela encontrava a turma dela todos os dias, em um duto que desembocava no fundo do mar, em Ipanema, e tinham dunas de areia. O lugar acabou levando o apelido de "dunas da Gal". Todo mundo ia lá para vê-la e "virou um reduto dos hippies que pensavam como nós. "Eu vivia na praia e ficava criando com Wally [Salomão] e Caetano", me contou. 

Foi lá que Wally Salomão fez "Mal Secreto" para ela. "Quando você vai embora, movo meu rosto do espelho, minha alma chora." Esta canção está no icônico "Fatal". 

Aliás, "Fatal" é um disco que eu ouço dia sim, dia não. Eu talvez não tenha mencionado isso antes, mas a primeira vez que ouvi "Fatal" foi quando tive vontade de trabalhar com música. Entender a importância daquele disco para a cultura brasileira. 

Foi quando entendi João Gilberto dizendo que Gal era a melhor cantora do Brasil.

A contribuição dela para a libertação feminina foi enorme. A imagem, no seu caso, sempre foi muito importante O que ela vestia, a naturalidade como mostrava o seu corpo, nós mulheres sempre nos identificamos com isso. E isso foi passando de geração a geração. "Minha história é rica neste aspecto, sinto que sou uma cantora emblemática para as mulheres, neste sentido', ela me disse. 

São muitos momentos assim, mas acho que a capa de "Índia" diz tudo. A ditadura censurou a capa, com Gal de tanga cobrindo sua vagina e deixando virilha e coxa à mostra, em foco. O disco era vendido num invólucro preto. 

Conversando sobre "Índia", ela confessou sorrindo: "Outro dia, eu tava ouvindo este disco encantada comigo mesma, pensava: 'Como eu balbuciava lindamente daquela maneira. Eu sempre cantei de maneira rasgada, e em "Índia", eu cantei delicadamente. Como consegui?". 

Neste disco, Caetano escreveu para ela "Da Maior Importância". "Rolava um tesão louco entre mim e Caetano, era um amor platônico, mas nunca chegamos às vias de fato. Até hoje não entendo por que não transamos." Quando gravei o programa com Caetano, mostrei este depoimento a ele. Quando ouviu isso, ruborizou como nunca tinha visto e disse: "Eu não sei responder, Gal", e gargalhou. 

Outro dos vários presentes de Caetano para Gal foi o álbum "Recanto". Quando ela lançou este disco, eu estava grávida de minha primeira filha, Chloe. Ela me deu a honra de gravar meu programa "Viva Voz" e também meu documentário "Na Trilha Da Canção" (disponível no GloboPlay e no no YouTube) 

Eu lembro quando ouvi "Recanto Escuro" e a melodia daquela canção me soava doída. Não conseguia parar de chorar, achava que era sensibilidade exacerbada da gestação, mas Gal me confidenciou: "Eu também chorei de soluçar quando ouvi esta letra. Ninguém sabe, mas é uma autobiografia minha e dele que se entrelaçava. Eu sou uma intérprete muito importante para o repertório do Caetano, desde os anos 60. É uma canção profunda." 

Ela canta chorando: "Coisas sagradas permanecem". "Espírito é o que enfim resulta." 

Ela também relembrou quando convidou Herbert Vianna para participar de seu "Acústico MTV". Isso foi um pouco antes do acidente dele e ela se emocionou lembrando da emoção do Herbert de estar ali ao seu lado. Ficou muito surpresa por isso. E soltou uma frase que eu carrego até hoje: "Um artista nunca tem a dimensão do que ele representa." 

E finalizou: "Quando você se arrisca e transgride é muito sofrimento, mas se é verdadeiro, você acaba tendo liberdade para fazer o que quiser até o final da sua vida. É uma sensação de dever cumprido, sabe?" 

Sabemos, Gal. Como ela canta em "Com medo, com Pedro" —que Gil escreveu pra ela:

 

"Deus me livre de ter medo agora

Depois que eu já me joguei no mundo

Deus me livre de ter medo agora

Depois que eu já pus os pés no fundo." 

 

Obrigada demais por tudo, vaca profana --fatal-- eterna.



Gal Costa e Sarah Oliveira - Foto: Flávia Montenegro


Gal Costa e Sarah Oliveira - Foto: Arquivo pessoal




domingo, 2 de junio de 2024

2018 - MARIA BETHÂNIA NA SAPUCAÍ

 

12 de fevereiro de 2018


PRESENÇA RARA, MARIA BETHÂNIA VOLTOU À SAPUCAÍ PARA PRESTIGIAR A MANGUEIRA

 

Maria Bethânia: pé quente para a Mangueira - Foto: Gabriel Reis/Divulgação


Dois anos depois de ser enredo da Mangueira, conquistando o título de campeã, a cantora Maria Bethânia voltou à Sapucaí para conferir a presença da Verde e Rosa no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial. De sandália de tiras, ela chegou ao camarote Folia Tropical acompanhada de um grupo de amigos.

 

Foto: Gabriel Reis



Bethânia foi pé quente para a escola. Em 2016, com o samba enredo “Maria Bethânia: a menina dos olhos de Oyá”, a Mangueira quebrou um jejum de 13 anos sem ganhar o cobiçado título. No Sábado das Campeãs, Bethânia dispensou o carro alegórico e cruzou a Avenida desfilando no chão, numa apresentação emocionante.



Foto: Gilda Midani


 

Maria Bethânia no Folia Tropical no domingo de Carnaval

Foto: Divulgação



domingo, 25 de febrero de 2024

2018 - ÍNDIA - 45 anos

 





Capa do disco Índia com detalhe do plástico exigido pela censura: polêmica impulsionou vendas - Rafael Arbex/Estadão - 17/7/2015



CULTURA

13/12/2018


Índia de pele morena, uma Gal fatal. No corpo e na voz

Disco sofreu dupla tentativa de censura e solidificou a cantora como símbolo sexual dos anos 1970. Lançamento faz 45 anos

 

JOÃO KER

em cena


A tanga vermelha, no centro do quadro. Acima, contas desenham colares. Abaixo, as franjas da saia escorregam pela pele morena. O close nos quadris de Gal Costa foi registrado pelo olhar atento de Antonio Guerreiro, em um intervalo do ensaio fotográfico para Índia, álbum lançado pela artista há 45 anos. O clique despretensioso virou a capa do disco, um dos seu trabalhos mais emblemáticos. Na contracapa, imagens dela com os seios à mostra. A ditadura militar tentou barrar as fotos e, depois de lançado o álbum, uma das músicas. Mas Gal driblou a censura e a caretice ao transformar seu corpo e sua voz em um instrumento político de protesto.

“A história original é que a gravadora queria a Gal na capa como uma índia. Nós, então, fomos para o Parque da Cidade, no Rio, e ela se vestiu com acessórios, cocares e adereços, mas completamente nua”, conta Guerreiro. O resultado da sessão foi então apresentado na sede da Polygram, em reunião do fotógrafo com o empresário Guilherme Araújo e os executivos da gravadora. “No meio da projeção, apareceu a foto e todo mundo ficou maravilhado com essa mistura de índia branca com calcinha, saia e tudo o que compunha a imagem. Ela foi escolhida para a capa por unanimidade”, lembra.


Capa do disco Índia, de Gal Costa, sem a capa de plástico - Reprodução


O ensaio fotográfico e a censura

Na floresta da Gávea, Gal se mostrou à vontade em meio à equipe de cabeleireiros, maquiadores, seguranças e assistentes de produção. “Ela não teve problema nenhum quanto a isso. Em uma das trocas de figurino, reparei nessa ‘brincadeira’ da tanga com a saia. Achei engraçada aquela contradição, porque índia não usa calcinha”, conta Guerreiro. “Fotografei esse detalhe, mas deixei a imagem em meio ao restante dos filmes, com uma porção de outras fotos.”

Na semana de estreia do disco, Roberto Menescal, então diretor artístico da gravadora, foi intimado a comparecer ao escritório de Solange Hernandez, agente da censura conhecida pelo punho firme ao classificar os lançamentos. Ela queria conversar sobre o novo LP de Gal. “Na época, a censura estava muito em cima de tudo o que fazíamos. Eu fui para o escritório dela meio encucado, porque não conseguia pensar em nenhuma letra do álbum que pudesse dar problema”, lembra Menescal.

Mas o problema, pelo menos a princípio, não eram as músicas, e sim as fotos. Além do close na pequena tanga vermelha, a contracapa ainda trazia a artista com miçangas no pescoço, um cocar na cabeça e o peito descoberto. “Ela disse que não aprovaria de jeito nenhum. ‘Pô, uma artista com os seios de fora?’, e eu respondi ‘Mas é uma índia! Você quer que a índia esteja de sutiã?’”





“Era uma época estranha de censura”, explica Guerreiro, que também fazia fotos para as extintas O Pasquim e Homem. “Até em revistas masculinas tínhamos umas limitações meio estúpidas, como mulher só poderia aparecer nua se fosse com um único seio à mostra.” 

Como o lançamento só aconteceria alguns dias depois, Menescal fechou com “dona Solange” um trato que marcaria a carreira de Gal e também significaria um feito inédito para a indústria fonográfica brasileira. “Eu disse: ‘E se fizéssemos uma capa de plástico sobre a capa original, que não deixasse a imagem aparecer?’.” Solange permitiu, mas impôs uma condição. “Você é responsável! Se sair alguma coisa que der para ver (os seios), eu vou te prender!” 

Menescal correu para organizar a produção do tal plástico azul na fábrica de discos. Paralelamente, soltou para a imprensa que o próximo LP de Gal havia sido censurado pela ditadura militar e, por isso, sua capa estaria coberta nas lojas de todo o Brasil. “Isso foi tudo o que a gente precisava”, conta o músico, rindo do episódio. “Todo mundo queria saber como era a capa.”



Capa de plástico do disco Índia, de 1973



Diretor de Marketing e Publicidade da Polygram naquela época, Armando Pittigliani lembra que a curiosidade ajudou muito na divulgação e nas vendas. “Foi a primeira vez em que um disco saiu com a embalagem lacrada. Aí que todo mundo queria mesmo comprar para ver o que tinha de tão polêmico. Foi uma verdadeira corrida às lojas, demos até disco de ouro e de platina para a Gal”, recorda Armando. “Se tivéssemos de dar porcentagem de lucros daquele álbum para alguém, seria para a censura.” 

Como ele mesmo explica, o feeling do time de divulgação apontava para uma resposta positiva do público desde o início. E muito disso pelo momento que a cantora vivia em sua carreira. Recém-saída do show Fa-Tal, Gal a Todo Vapor, que tinha casa lotada no novíssimo Teatro Tereza Rachel (hoje Theatro Net Rio, em Copacabana), a baiana estava com 28 anos, no auge de sua forma física e de sua potência vocal e criativa.

 

Gal Costa durante show realizado no Teatro TUCA, em São Paulo, abril de 1980

Foto: Paulo Leite/Estadão



O espetáculo solidificou seu nome como a musa hippie da Tropicália, glorificada pela atitude ora lânguida ora agressiva em suas apresentações, apoiada por um repertório que ia da bossa ao rock. Sua faceta tímida já tinha ficado para trás em 1968 com Divino Maravilhoso, mas a sensualidade performática dava os primeiros sinais: com uma flor nos cachos esvoaçantes, a boca vermelha cuidadosamente desenhada e a barriga de fora, Gal era o símbolo sexual definitivo da década de 1970, sem pudores ao cantar com um violão no colo e as pernas abertas no palco. 


Gal Costa toca violão e canta descalça durante show 

em março de 1973 — Foto: Estadão Conteúdo/Arquivo


Havia ainda o misticismo em torno das Dunas da Gal, o ponto efervescente da Praia de Ipanema, onde até 1975 ela era quase diariamente vista com outros artistas, intelectuais e frequentadores ligados à revolução comportamental que acontecia no País. Foi ali que nasceu Vapor Barato, um hino repetido incansavelmente pelas rodinhas de violão presentes, e o hábito hippie de aplaudir o pôr do sol no Morro Dois Irmãos. Não era raro ver Gal por ali, com as mesmas roupas que mais tarde usaria para subir ao palco.



Gal Costa na praia de Ipanema, no Rio de Janeiro

Foto: Mário Luiz Thompson /Divulgação



“Acho que o disco iria bem de qualquer forma, mas a censura acabou acelerando o processo. Tanto que nem precisamos divulgar tanto, já estava todo mundo na loja comprando”, explica Menescal. Pittigliani também define o sucesso do álbum como inevitável: “Além de tudo, o disco é muito bom. O repertório foi um achado.” 

Em 2018, Gal se metamorfoseou mais uma vez com A Pele do Futuro, seu 40º disco, no qual usa mais uma vez seu talento camaleônico para se aventurar pela disco music e incluir até o sertanejo nesse caldeirão dos anos 1970. Mas, no início daquela década, ela já passava pelo mesmo processo ao reunir toda sua versatilidade em Índia, que mesclou seus melhores elementos até então. 

A música-título do LP já foi um risco e tanto para a sua persona pública. Índia teve sua primeira gravação em português pela dupla sertaneja Cascata e Inhana, em 1952, e colocava em jogo o status vanguardista e alternativo que Gal sustentava até ali (levantando os mesmos tipos de sobrancelha que se ergueram quando, neste ano, ela anunciou uma parceria com Marília Mendonça). 

Mas o arranjo produzido por Gil tornou instantaneamente a canção em um clássico, navegando pela sua interpretação gilbertiana aos gritos de Janis Joplin em uma única faixa. A aceitação foi grande e, em 1979, Índia reapareceu no álbum Tropical, dessa vez em nova roupagem. Em sua turnê europeia de 1986, a artista teve de incluir a música no repertório a pedido do público português. 

Mas Índia não foi nem de longe a única transgressão musical daquele disco. O LP também trouxe o folclore português de Milho Verde (José Afonso) para as batidas africanas da Bahia, ao mesmo tempo em que Passarinho (Tuzé de Abreu) é embebida em vocais delicados e lentidão caipira, cuidadosamente arranjados. Há também o mergulho até então inédito que Gal faz na bossa-nova de Tom Jobim e Newton Mendonça (Desafinado) e no repertório de Lupicínio Rodrigues com Volta, que integra hoje a setlist do seu show.

 

A música que a ditadura tentou barrar 

Para além dos ineditismos, Gal deu continuação à bem-sucedida parceria com Luiz Melodia (de quem havia gravado no ano anterior Pérola Negra), com Presente Cotidiano. Foi essa composição de Melodia que renderia o segundo problema de Índia com a censura, graças a versos como “Quem quer comprar banana?” e “O corpo é natural da cama”. Esse, menos impactante do que a capa feita por Guerreiro, acabou sendo resolvido nos bastidores por Guilherme Araújo. 

Enquanto isso, Da Maior Importância foi uma composição e declaração de Caetano a Gal, com quem ele havia brevemente trocado a amizade por romance naquele período. Há ainda a ousadia sutil de Pontos de Luz, escrita por Jards Macalé e Waly Salomão, este último também responsável pela direção do espetáculo Índia, que rodou 15 capitais brasileiras. 

“A música é toda quebrada, muito positiva e muito especial. Acho interessante a Gal ter gravado. Ela estava sempre por perto, procurando saber o que tínhamos de novo e querendo gravar”, relembra Macalé. Ele enxerga nos versos “Me sinto contente/ Ouso dizer completamente contente” uma atitude de transgressão e desafio frente à tensão política da ditadura militar. 

Em 2016, a faixa foi usada como base pelo produtor canadense de música eletrônica Kaytranada para um de seus singles de maior sucesso, Lite Spots (tradução literal de Pontos de Luz, no inglês). No Youtube, essa nova versão já beira as 4,5 milhões de visualizações, apresentando a obra de Gal para uma nova geração de pessoas antenadas, em muitos aspectos similar àquela que conheceu sua gravação original. 

“Se (Pontos de Luz) fizer o mesmo sucesso que Vapor Barato e ficar voltando, acho um barato”, comenta Macalé, referenciando seu outro trabalho com Gal, regravado em 1996 pelo O Rappa. Ele não sabe, mas no mesmo ano de Lite Spots, Frank Ocean, um dos artistas mais transgressores, experimentais e aclamados dessa nova galera, reutilizou os gritos da versão ao vivo de Vapor Barato em seu segundo álbum, Endless. Já no Brasil, a banda As Bahias e a Cozinha Mineira, criada em 2011, não nega o tanto que a arte e as fases de Gal influenciam o processo criativo, estético e sonoro do grupo.

“É inevitável, quando você escuta um artista da envergadura de Gal, que você não seja influenciado por alguma coisa, mesmo que só tenha ouvido um disco dela”, observa Assucena Assucena, acrescentando que a produção realizada por Gal em 1970 foi a primeira parte da obra da artista que ressoou para ela. 

Para Raquel, assistir à liberdade sexual de Gal nos palcos gerou uma espécie de epifania durante uma das fases mais difíceis de sua vida. “Nós passamos a pesquisar o trabalho dela de uma forma meio sagrada”, conta. “Eu vivia um momento de muita depressão, em um período muito conturbado da minha transição de gênero, quando encontrei um vídeo dela cantando Da Maior Importância. Aquilo me deu um choque tão grande que eu comecei a gritar pela casa.”

Assim, despretensiosamente, Gal fez seu desbunde viajar no tempo e invadir as pistas de dança da Europa, os fones de ouvido dos millenials e as plataformas de streaming mais de 40 anos depois. Índia apresentou ao mundo uma artista rebelde, versátil e dona de si, que militava as tensões políticas de seu tempo através do corpo e da voz inigualável. Com a ousadia desse trabalho, ela driblou a censura, tornou-se referência e se firmou no tempo, trocando uma de suas muitas peles que manteriam-se intocáveis no futuro que estava por vir.






Foto: Nilton Ricardo

















domingo, 25 de junio de 2023

2014 - 2015 - 2016 - 2017 - 2018 - ESPELHO D'ÁGUA - Gal Costa





ESPELHO D'ÁGUA
(Marcelo Camelo/Thiago Camelo)

Toda sorte de paz
Rodeia nossos passos
Não sinto mais o tempo, ó flor
Teus olhos põem um sol de amor

Eu vi a revoada
O mar, estrela e o nada
Os olhos da morena
E o nosso espelho d'água

A solidão, o sal lavou
Alcança os seus abraços
O mar cuidou do tempo, ó flor
Semeia o nosso céu de amor

Eu vi a revoada
O mar, estrela e o nada
Os olhos da morena
E o nosso espelho d'água










Foto: André Schiliró





QUEM ONLINE

02 AGO 2014 

Gal Costa mostra música inédita em novo show de voz e violão

Cantora foi convidada para inaugurar os espetáculos musicais do teatro J. Safra, na capital paulista


Gal Costa - Foto: Marcos Ribas/Photo Rio News

Gal Costa estreou, ao lado do músico Guilherme Monteiro, o show Espelho D'Água, dirigido e roteirizado em parceria com Marcus Preto, em São Paulo, no novo teatro J. Safra.

O espetáculo foi concebido a partir do convite da casa e fica em cartaz aos finais de semana até o dia 10 de agosto. No entanto, a cantora baiana gostou tanto do resultado, que pretende tocar o projeto em outras capitais enquanto grava seu novo disco, que tem canções escritas por Criolo, Milton Nascimento, Adriana Calcanhoto, Caetano Veloso, Gilberto Gil e outras feras da música popular brasileira.

No show apresentado ao público paulistano na sexta (1), Gal cantou canções que já não faziam parte de suas performances ao vivo, como Vaca Profana, Caras e Bocas, Passarinho, Você Não Entende Nada, Negro Amor, Volta e Sua Estupidez, entre outras.

Ela também adiantou, ao vivo, uma das canções de seu novo disco e que dá nome ao show, Espelho D´Água, composta por Marcelo Camelo e seu irmão, Tiago Camelo.

O cantor Nando Reis e Patrícia Casé, entre outros, acompanharam a estreia.

 

Repertório completo do show:

CARAS E BOCAS
PASSARINHO
MINHA VOZ, MINHA VIDA
FOLHETIM
VACA PROFANA
VOLTA
SUA ESTUPIDEZ
CORAÇÃO VAGABUNDO
NEGRO AMOR
TIGRESA
BABY
DOM DE ILUDIR
UM FAVOR
SOLITUDE
ESPELHO D’ÁGUA
MEU BEM, MEU MAL
VOCÊ NÃO ENTENDE NADA
MEU NOME É GAL
SAMBA DO GRANDE AMOR
FORÇA ESTRANHA




Gal Costa - Foto: Marcos Ribas/Photo Rio News


Gal Costa - Foto: Marcos Ribas/Photo Rio News


Marcus Preto e Nando Reis - Foto: Marcos Ribas/Photo Rio News





















































23 de janeiro de 2015

Gal Costa beira perfeição em show intimista Espelho d'Água

Apresentação aconteceu na noite desta quinta, 22, em São Paulo, e contou com clássicos como "Tigresa" e "Baby"

Luciana Rabassallo 



Quando Recanto (2011) chegou às lojas, muitos fãs tradicionalistas de Gal Costa torceram o nariz. Julgaram a obra demasiadamente moderna, quase uma tentativa desesperada de comunicação com as gerações mais jovens. Com o passar do tempo (e a digestão dos puristas), o disco se tornou um marco na carreira da cantora. Agora, ela volta aos palcos com show que faz um contraponto exato ao que pudemos ver durante as apresentações da turnê "Recanto". 

Sem bateria eletrônica, percussão, naipe de metais, teclados ou efeitos no microfone. O show Espelho d'Água tem um único protagonista: a voz plena de Gal Costa. Acompanhada apenas por Guilherme Monteiro e o violão/guitarra dele, a cantora presenteou o público que lotou o teatro do Sesc Pinheiros, na noite desta quinta, 22, em São Paulo, com um belíssimo concerto. 

Ao som de "Caras e Bocas", parceria entre Caetano Veloso e Maria Bethânia, que Gal lançou em 1977 no disco de mesmo nome, a voz da interprete preencheu o palco. O cenário é simples: duas caixas de som, um pedestal, um banco, a cadeira de Monteiro e os instrumentos dele. Nos primeiros instantes, há uma sensação de vazio. A impressão é ainda mais forte para os que estão acostumados aos espetáculos repletos de telões e pirotecnias que povoam os palcos e desviam a atenção da plateia do essencial: a música. Em seguida é a vez de "Passarinho" (Tuzé de Abreu), "Minha Voz, Minha Vida" (Caetano Veloso) e "Folhetim" (Chico Buarque). 

"Boa noite", diz Gal após uma efusiva salva de palmas. "O repertório deste show é formado pelas canções mais importantes da minha carreira e também por aquelas que eu mais gosto de cantar. Quero ressaltar a importância do Guilherme para essa empreitada. Afinal somos só eu e ele aqui", afirma. "Eu o conheci quando ele substituiu o Pedro [Baby, guitarrista oficial da banda que a acompanha] em uma apresentação da turnê 'Recanto'. Durante os ensaios, ele fez essa cama que qualquer cantora gosta", contou, antes de acrescentar: "Foi nessa hora que eu gamei". 

Com interpretações irrepreensíveis, "Vaca Profana" (Caetano Veloso), "Coração Vagabundo" (Caetano Veloso), "Negro Amor" (Bob Dylan/ versão: Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti) e "Tigresa" (Caetano Veloso) emocionaram o público e arrancaram lágrimas dos mais sensíveis. Observando o clima de comoção, Gal assumiu o microfone para dar a sentença: "Essas aqui são grandes facadas no peito, não é?". Notável coadjuvante durante todo o espetáculo, a belíssima iluminação foi destaque. Cores quentes em momentos íntimos e variações de tons frios nas canções festivas fizeram a plateia, literalmente, sentir na pele as três partes do show. 

"Vou cantar uma música que eu gravei no meu disco mais ousado da década 1960", disse, antes de apresentar "Tuareg", de Jorge Ben Jor. "Eu gosto muito desse álbum [Gal, de 1969]. Gosto ainda mais dessa gravação de 'Tuareg', acho que essa versão tem uma força muito grande. Até hoje eu me impressiono com o resultado." O show seguiu com "Baby" (Caetano Veloso), "Um Favor" (Lupicínio Rodrigues) e "Você Não Entende Nada" (Caetano Veloso). 

Em um novo contato com o público, Gal anunciou "Espelho d'Água", composição de Marcelo Camelo em parceria com o irmão dele, Thiago Camelo, que estará no novo disco de estúdio da cantora, com previsão de lançamento ainda em 2015. "O álbum está sendo mixado pelo Alexandre Kassin e pelo Moreno Veloso lá no Rio de Janeiro", completou. 

No repertório escolhido por Gal Costa e pelo jornalista Marcus Preto, também estavam "Meu Bem, Meu Mal" (Caetano Veloso), "Força Estranha" (Caetano Veloso) e "Modinha Para Gabriela" (Dorival Caymmi). O ápice, contudo, ficou por conta de "Meu Nome é Gal" (Erasmo/Roberto Carlos), em que Gal conversa com a guitarra de Monteiro, trava uma batalha desleal contra o concorrente e sai vitoriosa. 

Aos 69 anos de idade, a voz da cantora baiana pode não ser a mesma dos tempos áureos. Mas ganha em sabedoria e em maturidade, qualidades que pouquíssimos músicos têm no Brasil atualmente. No palco, ela é uma entidade. Cultuada por fãs das mais variadas idades. Sem medo de arriscar e com bônus infinitos para errar. Gal Costa é o reflexo da plenitude.













Gal Costa apresenta Espelho d'Água

Sexta-feira (23/1), sábado (24/1) e domingo (25/1), às 21h


 

Setlist completo

"Caras e Bocas"

"Passarinho"

"Minha Voz, Minha Vida"

"Folhetim"

"Vaca Profana"

"Volta"

"Sua Estupidez"

"Coração Vagabundo"

"Negro Amor"

"Tigresa"

"Baby"

"Dom de Iludir"

"Um Favor"

"Solitude"

"Espelho d'Água"

"Tuareg"

"Você Não Entende Nada"

"Meu Nome é Gal"

"Meu Bem, Meu Mal"

"Força Estranha"

"Modinha Para Gabriela"

 



O Fuxico

23 de janeiro de 2015


Gal Costa lança o show "Espelho D’água", em São Paulo


Gal Costa subiu ao palco do Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, em São Paulo, para apresentar seu show Espelho D'água, na noite de quinta-feira (22/1), com casa lotada. 

Do alto de seus 69 anos, a baiana arretada trouxe um espetáculo de tom intimista, que conta apenas com a cantora acompanhada pelo violonista e guitarrista carioca Guilherme Monteiro. 

Gabriel, de 8 anos, filho da cantora, esteve por lá, com os olhos brilhando em ver a mãezona em cena. 

As apresentações seguem até domingo (25/1), sempre às 21 horas. 

Em sua nova empreitada, Gal apresenta um repertório escolhido a dedo junto ao jornalista Marcus Preto, que também divide com a cantora a direção do espetáculo. O roteiro de canções faz um passeio pelos clássicos da música popular brasileira que se eternizaram na voz da baiana, que arrasa ao soltar a voz em Vaca Profana, de Caetano Veloso. 

No setlist estão ainda: Coração Vagabundo, Folhetim, Sua Estupidez, Volta, Baby, entre outras. 

A canção que dá nome ao espetáculo, Espelho D'água, é inédita, fruto da parceria do cantor Marcelo Camelo com seu irmão, o poeta Thiago Camelo. 


Foto: Manuela Scarpa / Rio News



Foto: Manuela Scarpa / Rio News


Foto: Manuela Scarpa / Rio News


Setlist 

CARAS E BOCAS

PASSARINHO

MINHA VOZ, MINHA VIDA

FOLHETIM

VACA PROFANA

VOLTA

SUA ESTUPIDEZ

CORAÇÃO VAGABUNDO

NEGRO AMOR

TIGRESA

BABY

DOM DE ILUDIR

UM FAVOR

SOLITUDE

ESPELHO D'ÁGUA

TUAREG

VOCÊ NÃO ENTENDE NADA

MEU NOME É GAL

MEU BEM, MEU MAL

FORÇA ESTRANHA

MODINHA PARA GABRIELA




Gal Costa apresenta novo show em SP


Cantora atraiu famosos em apresentação no HSBC Brasil na noite de sexta-feira (8/5/2015)

Gal Costa subiu ao palco com seu novo show na casa HSBC Brasil, em São Paulo, na noite de sexta-feira (8/5). No novo espetáculo, a cantora interpreta canções do cantor e compositor Lupicínio Rodrigues.


Foto: THIAGO DURAN / AGNEWS




Foto: THIAGO DURAN / AGNEWS







Fotos: MARCOS RIBAS / rIO NEWS













Após a apresentação, ela recebeu o carinho 
do seu filho, Gabriel








JORNAL A VOZ DA SERRA

TERÇA-FEIRA, 21 DE JULHO DE 2015

Show gratuito de Gal Costa em Friburgo neste sábado

A consagrada artista é uma das muitas atrações do Festival de Inverno do Sesc

 

 

Gal se apresenta em formato intimista, acompanhada por Guilherme Monteiro
Foto: André Schiliró


Com o show “Espelho d’Água”, Gal Costa apresenta o seu novo espetáculo intimista acompanhada apenas pelo violonista e guitarrista carioca Guilherme Monteiro. 

O show será neste sábado, 25, às 20h, no Teatro Municipal Laercio Rangel Ventura, na Praça do Suspiro, e integra a programação do Festival Sesc de Inverno. 

Batiza o espetáculo a já conhecida canção “Espelho d’Água”, a primeira parceria de Marcelo Camelo (Los Hermanos) com seu irmão, o poeta Thiago Camelo. Apesar das características intimistas da apresentação, Gal busca na guitarra e no violão de Guilherme Monteiro a mesma sofisticação de seus shows com banda, conciliando sempre delicadeza e intensidade.




Ícone da MPB, a cantora Gal Costa traz a turnê Espelho d’Água ao Central neste sábado

20 de junho de 2016

Uma das maiores vozes da música popular brasileira, a cantora Gal Costa é a próxima atração do Cine-Theatro Central neste sábado, dia 25/6, às 21h. Gal apresenta sua mais nova turnê, Espelho d’Água, com show intimista de apenas voz e violão, no qual é acompanhada pelo violinista e guitarrista Guilherme Monteiro. O show tem um repertório escolhido cuidadosamente por ela e pelo jornalista Marcus Preto, que é responsável também pela direção do espetáculo.

O nome da turnê faz referência a uma canção produzida em parceria com o cantor Marcelo Camelo e seu irmão Thiago. “Espelho d’água significa reflexo, coisas do passado, do presente e até do futuro”, explica a cantora. E o repertório é exatamente assim, amplo e consagrado a músicas importantes da carreira de Gal Costa.



Milton Nascimento e Gal Costa - Foto: Marcus Preto






Gal Costa é atração do Flamboyant In Concert, em Goiás

23 de agosto de 2016


Na turnê, Gal canta novas canções e sucessos eternos de 50 anos de carreira


Gal Costa canta como quem respira. A voz cristalina ecoa já faz 50 anos e cantou a história recente do País. “Eu vim da Bahia cantar”, anunciava ela em seu primeiro disco, de 1965, em que ela ainda assinava Maria da Graça. De lá para cá, o romantismo dos anos 60, o desbunde dos 70, a cafonice dos 80, a sobriedade dos 90, a ressaca dos anos 2000 e as modernas reinvenções desta década, o melhor repertório da música popular brasileira passou pela boca de Gal. 

E é esse repertório que Gal apresenta, hoje à noite, no show Espelho d’Água, em que canta sucessos eternizados ao longo de sua carreira, acompanhada apenas pelo músico Guilherme Monteiro, que se reveza entre guitarra e violão. Sem bateria eletrônica, percussão, naipe de metais, teclados ou efeitos no microfone. O show tem um único protagonista: a voz plena de Gal Costa. 

O repertório foi escolhido a quatro mãos pela cantora e pelo jornalista Marcus Preto, que também divide com Gal a direção do espetáculo. O roteiro do show se concentra nos temas que ganharam notoriedade na voz da cantora. Entre os destaques, a primordial Coração Vagabundo, Vaca Profana e Baby, de Caetano Veloso; Folhetim, de Chico Buarque; Sua Estupidez, de Roberto e Erasmo Carlos; Volta, de Lupicínio Rodrigues, e Modinha para Gabriela, de Dorival Caymmi. 

A música que dá nome ao show é Espelho d’Água, primeira parceria de Marcelo Camelo com o irmão, o poeta Thiago Camelo, e gravada por Gal em seu mais recente álbum, Estratosférica, lançado no ano passado. O cenário é simples: duas caixas de som, um pedestal, um banco, a cadeira de Monteiro e os instrumentos dele. Nos primeiros instantes, há uma sensação de vazio. A impressão é ainda mais forte para os que estão acostumados aos espetáculos repletos de telões e pirotecnias que povoam os palcos e desviam a atenção da plateia do essencial: a música. 

Maria da Graça Pena Burgos nasceu em Salvador, Bahia, filha de Mariah Costa Pena e Arnaldo Burgos. Como aconteceu a tantos jovens de sua geração, em 1959, apaixonou-se pela sonoridade de João Gilberto, que lançava sua clássica gravação de Chega de Saudade, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Nesta época, Gal já tocava e cantava, apresentando-se em festas escolares. Seu pai também tocava violão, e tanto ele quanto a mãe a incentivavam a seguir carreira. Em 1964, Gal, ainda com o nome de Maria da Graça, participou do show Nós, Por Exemplo, ao lado de Caetano, Gil, Bethânia e Tom Zé, que inaugurou o teatro Vila Velha, em Salvador.

No ano seguinte, já estava no Rio, com a cara e a coragem, e gravou seu primeiro compacto com as músicas Eu Vim da Bahia, de Gil, e Sim, Foi Você, de Caetano. Gravou o disco Domingo, com Caetano, e participou do antológico LP Tropicália, com as músicas Mamãe Coragem e Baby, que foram seus primeiros sucessos. Ainda em 68, estourou de vez no Festival de MPB da TV Record, com a música Divino Maravilhoso, de Gil e Caetano. 

De lá para cá, foram muitas as personas que Gal encarnou e em todas elas, o papel de musa caiu muito bem. Mais de 30 discos depois, ela continua emocionando o público a cada nota emitida. Aos 70 anos, a voz da cantora baiana pode não ser a mesma dos tempos áureos. Mas ganha em sabedoria e em maturidade, qualidades que pouquíssimos músicos têm no Brasil atualmente. No palco, ela é uma entidade. Cultuada por fãs das mais variadas idades. Sem medo de arriscar e com bônus infinitos para errar. Gal Costa é o reflexo da plenitude.

O show de hoje à noite faz parte do projeto Flamboyant In Concert e ocorre no estacionamento do shopping Flamboyant. Os ingressos, adquiridos em troca de notas fiscais, já estão esgotados.


Entrevista

GAL COSTA

Você disse em entrevista recente que “cantar uma canção pela primeira vez é como fazer amor”. E como é cantar o mesmo repertório para públicos diferentes?

Eu disse que cantar uma música é descobrir sempre algo novo nela e na maneira de cantá-la. Cantar o mesmo repertório para um público que nunca me viu cantar algumas canções ao vivo, como os jovens, é um alegria imensa.

Para você, um show é como um rito sagrado. Há um pacto entre você e o público? Os deuses da música são evocados ali? 

Claro que os deuses da música sempre estarão presentes enquanto houver música. Para mim, cantar é sagrado. Música é a forma de arte que emociona as pessoas de maneira mais profunda. 

Além das músicas de Estratosférica, o show é composto de grandes sucessos seus. Qual é a liga entre as canções antigas e as novas? 

A liga é o clima do show, os arranjos e a modernidade eterna das canções. Neste caso, é um show de voz, violão e guitarra. O repertório é lindo. 

Em 2015, você disse para mim em uma entrevista que Estratosférica trilha naturalmente o caminho de Recanto, álbum anterior. Já é possível vislumbrar outro passo em seguida? 

Já estou pensando em algumas possibilidades para um novo trabalho, mas não será para este ano. Vem aí coisa nova. Vamos esperar.





25/9/2016





MAIO de 2017















P O R T U G A L



Gal Costa irá dar três concertos em Portugal: dias 10 e 11 de novembro no Campo Pequeno e dia 12 no Coliseu do Porto.



9/11/2017 - Portugal - TVI - Jornal das 8






Gal Costa se apresenta com o show ‘Espelho d’Água’, no Sesc Vila Mariana


Paulo Freitas

11 de janeiro de 2018 


Gal em apresentação do show Espelho d’Água, em janeiro de 2018, no Sesc Vila Mariana - Foto: Matheus José Maria


Gal Costa faz show memorável em São Paulo


Amanda Pina

17 de janeiro de 2018

 

Entre os dias 11 e 14 de janeiro – todos com ingressos esgotados –, Gal Costa veio a São Paulo, no Sesc Vila Mariana, para apresentar o show Espelho d’Água. No primeiro dia do show, Gal Costa reuniu as músicas mais importantes dos seus 50 anos de carreira. Sem banda, a voz potente da cantora foi protagonista do espetáculo, ao lado da melodia do violão e guitarra de Guilherme Monteiro, tornando o concerto mais intimista. 

Ambos se conheceram em 2013, quando Monteiro substituiu o músico Pedro Baby durante a turnê Recanto, disco lançado no ano anterior. Gal conta como o show foi criado pelos dois: “Ele fez aquela cama harmônica que qualquer cantora deita e goza de tão bonita e gostosa que é de ouvir. Aí eu falei: quero fazer um negócio com esse cara”, falou de forma bem-humorada, diante dos risos do público. 

Segundo a cantora, a escolha do repertório foi para dar aos jovens a oportunidade de vê-las no palco. Entre as canções, estavam presentes “Folhetim”, “Vaca Profana” e “Coração Vagabundo”, todas contagiando a plateia, composta por volta de 600 pessoas. Entre as músicas que mais emocionaram o público, estavam presentes “Tuareg”, “Tigresa” e “Negro Amor”, além da versão feita por Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti da música de Bob Dylan, “It’s All Over Now, Baby Blue”. 

Acompanhado de uma iluminação primorosa, o show ganhou ritmo e deu destaque à maturidade da presença e voz da cantora baiana. Aos 72 anos, Gal Costa impressiona os novos e antigos fãs com a mesma maestria de seus tempos áureos. 

A cantora deixou todos extasiados ao som de “Meu Nome é Gal”, composta por Erasmo e Roberto Carlos. Com seus gritos agudos, marcou o nome “Gal” nos ouvidos e na alma de todos os presentes, arrepiando até os mais céticos. 

Após o pedido de bis, a cantora cantou “Índia” e “Modinha Para Gabriela”, acompanhada de uma plateia toda em pé. Por fim, os fãs, em delírio, aplaudiram a cantora, que terminou agradecendo por mais um show em São Paulo.

 

 

Foto: Gustavo Alencar



2018 - Segunda edição do FITA – Festival de Itaparica – Música e Poesia

2, 3 e 4 de novembro de 2018
Show "Espelho d'Água"
Fotos: Carlos Ventura