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martes, 7 de julio de 2026

1985 - ENTRE AMIGOS - Canção da América

 

Canção da América - Single Gal Costa


Gravado nos estudios RCA VICTOR de 4 a 28 de março de 1985.


















“Entre amigos” resultou num grande encontro de amigos – artistas que de alguma maneira colaboraram com os trabalhos da Pointer, entre os quais Gal Costa, que assinou a contra-capa do LP de Zé Luiz Mazziotti “E o amor falou” de 1984.








1985
Álbum “Entre Amigos”
(Varios intérpretes)
Pointer LP 209.003




Canción de América

Canção da América


Milton Nascimento e Fernando Brant

Voz: Gal Costa

Arranjo: Michel Legrand


Amigo es algo para guardar
Amigo é coisa pra se guardar
Bajo siete llaves
Debaixo de sete chaves
Dentro del corazón
Dentro do coração
Así hablaba la canción
Assim falava a canção
Que en América escuché
Que na América ouvi
Pero quien cantaba lloró
Mas quem cantava chorou
Al ver a su amigo partir
Ao ver seu amigo partir
Pero quien se quedó, en pensamiento voló
Mas quem ficou no pensamento voou
Con su canto que el otro recordó
Com seu canto que o outro lembrou
Pero quien voló en pensamiento se quedó
Mas quem voou no pensamento ficou
Con el recuerdo que el otro cantó
Com a lembrança que o outro cantou
Amigo es algo para guardar
Amigo é coisa pra se guardar
En el lado izquierdo del pecho
No lado esquerdo do peito
Aunque el tiempo y la distancia digan 'no'
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"
Aunque olvidemos la canción
Mesmo esquecendo a canção
Lo importante es escuchar la voz que viene del corazón
O que importa é ouvir a voz que vem do coração
Porque pase lo que pase
Pois seja o que vier
Venga lo que venga
Venha o que vier
Cualquier día amigo, volveré
Qualquer dia amigo eu volto
A encontrarte
A te encontrar
Cualquier día amigo, nosotros
Qualquer dia amigo a gente
Nos encontraremos
Vai se encontrar

 

17-1-1987 - MILTON NASCIMENTO E FERNANDO BRANT
Foto: Antonio Nery






1984 - ZÉ LUIZ MAZZIOTTI
Álbum “E o amor falou”
Pointer LP 203.0012


Texto de Gal Costa





30 de junho de 2011


Mauro Ferreira


José Maurício Machline negocia a reedição do catálogo do selo Pointer, aberto pelo empresário na primeira metade dos anos 80. 


Pelo selo, um dos pioneiros do mercado indie brasileiro, saíram álbuns de Rosa Maria (Garra, 1983), Leny Andrade (dois álbuns intitulados Leny Andrade, editados em 1984 e em 1985) e Joyce (Saudade do Futuro, 1975).


Um dos títulos mais raros do acervo da Pointer é Entre Amigos, coletânea de gravações então inédita que foi lançada em 1985. Este disco abria com primorosa gravação de Canção da América (Milton Nascimento e Fernando Brant), cantada por Gal Costa com arranjo do pianista Michel Legrand.

 


jueves, 30 de abril de 2026

1985 - MORENO VELOSO - PAULA LAVIGNE - ROGÉRIO DUARTE

 


Moreno Veloso, Paula Lavigne e Rogério Duarte

Rogério Duarte Guimarães (Ubaíra, Bahia, 1939 – Brasília, DF, 2016) foi um designer, ilustrador, músico, escritor, tradutor e professor. 

É considerado um dos criadores da Tropicália, pois trabalhou junto aos grandes nomes da música brasileira do período.





sábado, 7 de marzo de 2026

1985 - GAL COSTA - Revista STATUS



Jan, Marlene Moura, Guilherme Araújo, Marisa Alvarez Lima, Guto Burgos e João Vitorino




Texto de Caetano Veloso para a Revista Status - fevereiro de 1985


Gal só me surpreendeu uma vez: quando a conheci e a ouvi cantar. Foi uma surpresa tão grande e tão profunda que ainda hoje vivo sob o seu impacto. Na hora eu pensei: "A maior cantora do Brasil". Dai em diante foi só acompanhar os modos com que essa constatação procurou se confirmar. Primeiro era a possibilidade de realização da cantora de bossa nova ideal, com a combinação exata da emissão e feeling que eu não encontrava em nenhuma outra (virtude ainda hoje intacta, a chuva de prata da sua voz cobrindo o País). Depois a realização do rockcarnaval tropicalista que a tornou estrela. Para mim, sempre mais cantora do que estrela, embora esse estrelato tenha sido quase sempre uma exteriorização do brilho de sua personalidade que antes só se revelava (e ocultava) no canto. Ouvi-la e, talvez principalmente, vê-la cantar Força Estranha foi, para mim, tomar contato com um momento de integração equilibrada entre as três dimensões - pessoa, estrela, cantora. Vê-la cantar o Balancê foi entrar em relação direta com o mito: chorei quase duas horas seguidas depois de assistir o show "Gal Tropical" só por causa do Balancê. Marina me alertou para o fato de que é perigoso manter uma fidelidade assim, obstinada, à luz que se vê numa pessoa, independente do que acontece com ela ou do que ela faz: nega-se-lhe o drama, todas as mudanças aparecem ilusões de superfície, aprisiona-se a pessoa. De todo modo, creio que só eu compartilhei com Marina da opinião favorável ao show "Fantasia", no meu entender o melhor espetáculo que Gal apresentou desde "Fatal", com exceção talvez de "Cantar", mas "Cantar" fui eu que dirigiu... os números finais de "Gal Tropical" eram lindos, mas o todo do show era muito estranho pra mim. "Fantasia" não pareceu (a mim e a Marina) forte, grande e sincero. Às vezes tenho certeza de que esse show teria sido um sucesso se tivesse sido lançado em São Paulo, onde o "Tropical" não pegou como temi que o meu "Velô" talvez ão começasse bem no Rio. Mas eu gostaria que as pessoas pudessem ver Gal como eu vi no "Fantasia". Estou absolutamente certo de que é um equivoco profundo e perigoso que assim não seja e muitas coisas não andarão bem enquanto isso não se der. Ali sim, eu a vi lindíssimamente bem vestida e bem nua, no caminho certo e cantando bem. Não se trata de corresponder às subdesenvolvidas exigências brasileiras de que as cantoras sejam ao mesmo tempo manequins elegantes e pensadoras políticas (quem reparou na peruca loura da Ella Fizgerald ou nas botinhas de strass de Sarah Vaughan?). O fundamental é que a roupa se torne sagrada para quem a veste. Um corpo nu é uma mensagem complexa. Quando eu tava entrando na puberdade, eu era nudista, misturava meus desejos exibicionistas à ingênua ideia de que roupa é apenas uma repressão desnecessária, achava que não devíamos nos envergonhar do nosso corpo e não imaginava que o homem nunca é nu. Lembro do festival de rock da ilha de Wight, milhares de pessoas nuas na praia: eu ficava excitado, mas não envergonhado ou escandalizado. Gal estava lá. Eu nem me lembro se ela tirou a roupa. Eu nunca namorei com ela. Uma vez tive uma pequena discussão com o jornalista Ruy Castro (terá sido mesmo esse?) por causa dessa mania atual de se perguntar aos entrevistados se já treparam, se já brocharam, etc. . . Foi na casa do Eduardo Mascarenhas e por causa da entrevista deste (ele já tinha se atrapalhado na resposta á pergunta sobre brochada). Acho uma tolice que as pessoas se sintam na obrigação de narrar suas intimidades. Pois bem, eu e Gal sempre brochamos todas as vezes que tentamos brincar de namorar. No início da nossa carreira, dividíamos a cama de casal de Guilherme Araújo em Sampa. Todas as noites eu tentava seduzi-la com um disco do Bob Dylan e papo-furado. Ela sempre resistiu e terminávamos as noites às gargalhadas. Acho que na época dos Doces Bárbaros, na Bahia, nós tentamos fingir que íamos namorar no hotel onde ela estava hospedada. Foi legal porque aí a vi nua como ela aparece em algumas dessas fotos bonitas e carinhosas que a Marisa fez. Tomando banho. Gal é linda. Tem uma boca linda e é magnifico que por essa boca saia exatamente essa voz. Sempre a senti mulata e uma das coisas melhores de ela ter cortado agora os cabelos e tirado essas fotos nuas é a revelação de sua mulatice. São deslumbrantes sobretudo onde a bunda aparece de perfil, bem negra e bem dura. Há muita alegria física e muita dignidade nesse corpo de mulher madura e menina. eu não sou leitor (voyeur) dessas revistas de nua. Raramente olho, sem muito interesse, essas publicações. Parece que eu não tenho tempo pra isso - é como jogar baralho ou assistir futebol pela TV. Me entedia. Um dia Regina Casé me pediu um conselho se devia ou não liberar fotos suas para uma dessas revistas e eu não soube dar. Gal também me perguntou e eu disse: sou indiferente. Não me sinto, no entanto, indiferente diante de todas as fotos de mulher nua (ou homem nu) que eu vejo. No caso de Gal, especialmente eu sinto mil emoções relacionadas com o encontro de extensões daquela qualidade essencial que um dia eu percebi na sua voz.

 

CAETANO VELOSO

 



1985
Revista STATUS
Fevereiro de 1985
n° 127
Editora Três














Marlene Moura e Gal






lunes, 5 de enero de 2026

2026 - GAL COSTA - Buenos Aires - Teatro Ópera 1985

 

g1

BLOG DO MAURO FERREIRA


Por Mauro Ferreira

Jornalista carioca que escreve sobre música desde 1987, com passagens em 'O Globo' e 'Bizz'. Faz um guia para todas as tribos

 

Gal Costa reverbera fase tropical entre rumbas e marchas de raro registro de show feito em Buenos Aires em 1985

Sucesso de Carmen Miranda, inédito na voz da cantora baiana, é o maior destaque do roteiro argentino.

04/01/2026


Gal Costa (1945 – 2022) em número de show apresentado em maio de 1985 no Teatro Ópera, em Buenos Aires — Foto: Reprodução


♫ - ANÁLISE 

O acervo da pesquisadora argentina Evangelina Maffei tem sido um bálsamo para seguidores de Caetano Veloso, Gal Costa (1945 – 2022) e Maria Bethânia pela difusão de informações e gravações raras desses artistas.

Organizadora do referencial blog “Caetano Veloso ...en detalle”, Maffei presenteou os admiradores de Gal no fim de 2025 com a publicação no YouTube, em caráter extraoficial, do registro integral do show apresentado pela cantora em 16 de maio de 1985, no Teatro Ópera, em Buenos Aires, capital da Argentina.

Na ocasião, Gal já encerrara a fase Tropical com a edição em 1984 do álbum “Profana”, o primeiro da artista na gravadora então denominada RCA – companhia na qual, cabe lembrar, Gal debutara no mercado fonográfico com single editado em 1965. No entanto, ecos dos repertórios dos álbuns “Gal tropical” (1979), “Fantasia” (1981) e “Minha voz” (1982) ecoam no roteiro do show da artista no Teatro Ópera entre marchas, sambas e rumbas.

Esse roteiro traz três músicas pouco ou nunca associadas a Gal. Pela ordem, a primeira é “Escandalosa” (Moacyr Silva e Djalma Esteves, 1947), rumba com a qual a cantora Emilinha Borba (1923 – 2005) animou muitos Carnavais na era do rádio. Gal nunca gravou “Escandalosa”, mas cantou a rumba no especial de TV “Baby Gal” (1983), possivelmente motivada pela gravação da “Rumba louca” (Moacyr Albuquerque e Tavinho Paes) no álbum também intitulado “Baby Gal”.

A segunda música, presumivelmente inédita na voz de Gal até esse show de 1985, é marcha “I, yi, yi, yi, yi (I like you very much)” (Harry Warren / Mack Gordon, 1941), sucesso da cantora Carmen Miranda (1909 – 1955) na fase vivida nos Estados Unidos.

Por fim, há o samba-enredo “O amanhã”, composto em 1977 por João Sérgio para a escola de samba União da Ilha do Governador desfilar no Carnaval de 1978. Hoje todo mundo pensa que foi Simone quem deu projeção ao samba-enredo fora da temporada carnavalesca, ao gravá-lo no álbum “Delírios, delícias...” (1983), mas, a rigor, Gal foi a primeira intérprete a cantar o samba com certa repercussão fora do universo da folia. “O amanhã” encerrava o roteiro do controvertido show “Fantasia”, apresentado por Gal em 1981 antes do lançamento do álbum homônimo. De todo modo, cabe registrar o pioneirismo de Elizeth Cardoso (1920 – 1990), cantora que registrou o samba-enredo “O amanhã” ainda em 1978 no álbum “A cantadeira do amor”.

No show em Buenos Aires, o encerramento foi com o samba “Meu nome é Gal”, ouvido em duelo da voz da cantora com a guitarra de Piska (1951 – 2011), em número que refez os embates musicais da cantora com os guitarristas Robertinho de Recife (no show “Gal tropical”, de 1979) e Victor Biglione (no dueto de especial de TV exibido em 1981). E que voz! O cristal de Gal estava tinindo nos anos 1980, década do auge vocal da cantora.

Enfim, enquanto o público espera (em vão?) pelas edições de álbuns com os áudios dos shows “Índia” (1973), “Cantar” (1974) e “Gal canta Caymmi” (1976), encontrados pelo pesquisador Rodrigo Faour em 2010 no acervo da gravadora Universal Music, o registro extraoficial dessa apresentação argentina da cantora em 1985, disponibilizado pela pesquisadora Evangelina Maffei, atenua a saudade de Gal Costa.

 



viernes, 12 de diciembre de 2025

1985 - GAL COSTA IN CONCERT // GAL PROFANA - Brasil

 

Depois de lotar teatros na Argentina, Estados Unidos, Europa e Japão, Brasília (8 de agosto de 1985) foi o ponto de partida da turnê de Gal Costa pelo Brasil.


16 de maio de 1985

Teatro Ópera – Buenos Aires, Argentina 

GAL COSTA EN CONCIERTO

 

1. CANTA BRASIL (Alcyr Pires Vermelho/David Nasser)

2. MINHA VOZ, MINHA VIDA (Caetano Veloso)

3. NOITES CARIOCAS (Jacob do Bandolim/Hermínio Bello de Carvalho)

4. AÇAI (Djavan)

5. CABEÇA FEITA (Jackson do Pandeiro/Sebastião Batista da Silva)

6. TILILINGO (Almira Castilho)

7. TEM POUCA DIFERENÇA (Durval Vieira)

8. LUZ DO SOL (Caetano Veloso)

9. VATAPÁ (Dorival Caymmi)

10. A FELICIDADE (Tom Jobim/Vinícius de Moraes)

11. DINDI (Tom Jobim/Aloysio de Oliveira)

12. WAVE (Tom Jobim)

13. OLHOS VERDES (Vicente Paiva)

14. FESTA DO INTERIOR (Moraes Moreira/Abel Silva)

15. SAMBA DO AVIÃO (Tom Jobim)

16. MEU BEM, MEU MAL (Caetano Veloso)

17. NADA MAIS [Lately] (Stevie Wonder - Versão: Ronaldo Bastos)

18. BEM-ME-QUER (Rita Lee/Roberto de Carvalho)

19. FORÇA ESTRANHA (Caetano Veloso)

20. O AMANHÃ (João Sérgio)

21. BALANCÊ (João de Barro/Alberto Ribeiro)

22. I, YI, YI, YI, YI [I like you very much] (Mack Gordon/Harry Warren)

23. BLOCO DO PRAZER (Fausto Nilo/Moraes Moreira)

24. MEU NOME É GAL (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)

 






















Ginásio de Esportes - Brasília

8 de agosto de 1985























Hotel Transamérica - São Paulo

20, 21 e 22 de setembro de 1985



















Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães  - Geraldão

Imbiribeira, Recife

12 de outubro de 1985