sábado, 10 de marzo de 2018

2001 - PROJETO MUSEU


“O avião comecou a fazer voltas, ai nós vimos o Rio de Janeiro. Lindos edifícios que vimos de lá de cima. (…) A Guanabara de noite é um sonho. Só me lembrei de Rodrigo. Diga a ele que ainda não fui a Copacabana, mas já fui junto do Pão de Açúcar. Não subi porque Tereza tem medo. A vida daqui é de morte, imagine que anteontem nós saímos a 1 e ½ e chegamos depois das 9.”


[Caetano Veloso, em carta enviada do Rio, em 1953]



CliqueMusic

Um museu só para Caetano e Bethânia

A cidade natal dos irmãos, Santo Amaro (BA), vai homenagear a dupla com instituição sobre suas vidas e carreiras

Marco Antonio Barbosa
10/10/2001

Os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia vão ganhar das autoridades de Santo Amaro da Purificação - sua cidade natal, na Bahia - uma homenagem rara: um museu dedicado a sua obra e vida.

A prefeitura da cidade vai usar um velho casarão do século XIX para abrigar a instituição, que já está recebendo da família de Caetano e Bethânia roupas e objetos pessoais para o acervo. O plano é que o museu seja inaugurado até o fim do ano e passe a ser um ponto turistico importante para o município.

Casarão Solar Paraíso, rua Santa Luzia n° 11 - Trapiche
Santo Amaro, Bahia, Brasil



ISTOÉ Independente
10/10/2001
nº 1671



Um museu para Caetano
Caetano Veloso e Maria Bethânia vão ganhar um museu no bairro de Santa Luzia, em Santo Amaro da Purificação, cidade baiana onde nasceram. O casarão Solar Paraíso, construído no século XIX, está sendo totalmente reformado para abrigar roupas e adereços dos dois filhos famosos de dona Canô.






FOLHA DE S.PAULO
Ilustrada

Quinta-feira, 18 de outubro de 2001

Acervo familiar e artístico dos irmãos será reunido em casarão do século 18, em Santo Amaro, na Bahia

Caetano Veloso e Maria Bethânia vão ganhar museu

Luiz Francisco
Da Agência Folha, em Salvador


Foto e manuscritos que estarão no museu dos irmãos baianos

Caetano Veloso, 59, e Maria Bethânia, 55, vão ganhar um museu. Todo o acervo familiar e artístico dos irmãos, catalogado por parentes e amigos, vai ser reunido em uma área exclusiva de um casarão colonial do século 18, de dois andares, localizado em Santo Amaro (71 km. de Salvador), cidade natal da familia Veloso.

Doado específicamente para ese fim à familia Veloso pela advogada Lucília Libório Trzan, 60, propietária do Solar Paraíso (nome do imóvel), o casarão já foi totalmente restaurado pelo empresário Antonio Ermírio de Moraes.

“Agora precisamos adaptar o casarão às características de um museu”, disse a advogada, que também preside o conselho consultivo do museu. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), o imóvil tem cerca de 1.400 metros quadrados.

De acordo com Trzan, alguns empresários já foram contatados para financiar a etapa final da obra que consiste em adaptações de alguns cômodos. “Pretendemos inaugurar o museu antes do final do ano”, acrescentou.

Pelo projeto original, o térreo do casarão será destinado exclusivamente a abrigar o acervo dos artistas. Já o segundo andar do pédio vai funcionar para eventos e exposições.

Será possível encontrar raridades até então nunca reunidas.

No caso de Caetano Veloso, deverão ser expostos no museu os primeiros rascunhos de quase todas as suas composicições, desenhos feitos pelo artista na juventude, críticas de filmes, cartas enviadas à familia e aos amigos quando estaba no exilio, redações escolares, fotografías de suas primeiras apresentações e roupas usadas em shows da década de 60.

Em uma carta, o compositor baiano narra o seu primeiro contato com uma escada rolante. “Anteontem fomos à Sears (antiga loja de departamentos), onde tem a tal escada que sobe com agente (sic). Subi nela, quando cheguei ao primeiro andar, encontrei outra…”

Sobre Maria Bethânia serão expostos programas que marcaram as suas primeiras apresentações em Salvador e no Rio de Janeiro, roupas, capas originais dos discos, troféus, medalhas e críticas.

Segundo Mabel Velloso, 60, irmã do compositor, os primeiros trabalhos e publicações de Caetano Veloso e Maria Bethânia foram catalogados e guardados por seu pai, José Telles Veloso, morto em dezembro de 83.

Amiga da família Veloso, a repórter-fotográfica Maria Sampaio também possui catalogados cerca de 5.000 recortes de jornais e revistas brasileiros e estrangeiros sobre Caetano Veloso.

Entusiasmada com a idéia do museu está dona Canô Veloso, 94, a matriarca da familia. “Com a inauguração do museu certamente vão aparecer outros documentos. O que nós queremos é reunir todo este acervo e deixar para a posteridade”, disse.




No hay comentarios:

Publicar un comentario