jueves, 1 de febrero de 2018

2005 - RAP DU BOM PARTE II




Rappin’ Hood recebe Caetano em novo disco

Por Daniel Setti

25/06/2004

O segundo disco de Rappin" Hood, ainda não batizado, trará uma participação mais do que especial: Caetano Veloso, que acrescentou trechos de sua clássica canção "Odara" (lançada originalmente no álbum "Bicho", de 1977) sobre a base de "Rap du Bom", música presente no primeiro álbum do rapper, "Sujeito Homem" (2001). O resultado foi batizado de "Rap du Bom: Versão Odara".

O encontro entre Rappin" Hood e Veloso aconteceu no estúdio da gravadora Trama, onde Hood realiza as gravações de seu novo trabalho. Não foi, porém, a primeira vez que os dois trocaram figurinha. Em janeiro, eles dividiram o palco em show de celebração dos 450 anos de São Paulo. Na ocasião, já misturaram "Odara" com rap. 

24/1/2004 - Show em comemoração dos 450 anos da cidade de São Paulo
Foto de Ana Ottoni/Folhapress



Rappin Hood recebe Caetano Veloso no estúdio da Trama para uma participação em seu novo álbum
  
Primeiro Chico Buarque, e agora Caetano Veloso. Nos últimos dias o estúdio da Trama tem recebido visitas muito especiais. Na penúltima semana de maio, o cantor e compositor Chico Buarque participou de uma gravação ao lado de Fernanda Porto. Ela está produzindo a trilha sonora do filme Cabra Cega, dirigido por Toni Venturi, e convidou Chico para participar de uma das faixas.

Na semana passada foi a vez de Caetano Veloso dar o ar da graça em nossos estúdios. Ele participou da gravação de uma das faixas que devem fazer parte do próximo CD de Rappin Hood, com lançamento previsto para o segundo semestre.

Em cima de um arranjo muito bonito, Hood deu uma nova roupagem para uma das músicas de Caetano, misturando seu "Rap du Bom" (2001) com "Odara" (1977), do baiano.



A idéia da parceria surgiu no início desse ano, quando Caetano convidou o rapper para uma participação no show de comemoração dos 450 anos de São Paulo. Os dois dividiram o palco que foi montado na célebre esquina da Ipiranga com a São João. Naquela ocasião, Hood e Caetano não esconderam a admiração mútua, e trocaram muitos elogios durante o show.

Agora é aguardar para conferir o resultado do dueto. Como o próprio Caetano disse: "O arranjo é lindo! Com o Rappin' Hood "rappeando" em cima, vai ficar perfeito!".




RAP DU BOM PARTE II
(Rappin' Hood)

ODARA (Caetano Veloso)

Deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara
Minha cara minha cuca ficar odara
Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara
Pra ficar tudo jóia rara
Qualquer coisa que se sonhara
Canto e danço que dara

Quem é sangue bom, se liga no som,
Aumenta o volume que é rap du bom,
Vai acertando o grave, o médio, o agudo,
Rap nacional esse é meu mundo,
Bem melhor se fosse como eu falo,
Em 11 de setembro nenhum prédio abalado,
Mundo sem guerra, muita paz na terra,
Diferentes convivendo numa igual atmosfera,
Sem preconceito, sem botar defeito,
Pois todos tem direitos,
Cada qual com o seu jeito,
Eu vou rimando jão, cantaneando o som,
Que é pra dizer pro mundo inteiro que somos irmão,
Preto ou branco então é essa a questão,
Alguns do bem ou mal, o herói e o vilão,
Pudera eu poder voar como um passarinho
Poder voltar no tempo que eu era um menino,
Que sem maldade, não percebi a intenção
De quem achava que o neguinho ia virar ladrão,
Saiba você que eu encontrei uma melhor saída
No hip hop conheci o meu estilo de vida,
Que não é pop, não faz pose, não faz cara de mal,
Mas não da boi, pra mauricinho, intelectual
Que não gosta de preto, que não fala com pobre,
De nariz empinado, que é todo esnobe,
A dura realidade agora é que dá o tom,
Então aumenta o volume que é rap du bom .

Deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara
(aumenta o volume que é rap du bom)
Minha cara minha cuca ficar odara (ficar odara)
Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara
Pra ficar tudo jóia rara
Qualquer coisa que se sonhara
Canto e danço que dara

Chegarão homens, mulheres, crianças,
Pra criação do novo mundo, uma nova esperança,
Sem vingança, sem luxúria, sem dinheiro,
A profissão era pra todos os guerreiros,
Todos parceiros batalhando em comunhão
Onde ninguém se preocupava com a divisão,
Que todo povo era feliz, não havia tristeza,
Éramos todos filhos de uma tal mãe natureza,
Mas que beleza, se vida fosse mesmo assim,
Quadro perfeito pintado especialmente pra mim,
Felicidade, dignidade, amizade,
Mas que saudade do meu parceiro sabotage,
Meu compromisso eu continuo a honrar,
Pra sempre aquele neguinho da vila arapuá,
Eu quero paz, quero amor, quero muito mais,
Quero provar pro mundo que não somos marginais,
Que nosso canto é verdadeiro e vem do coração,
Não é somente um produto de consumação,
Pois o sucesso e o dinheiro não vão valer nada,
Se eu não poder estar sempre junto da rapaziada,
Que a mile no faz do rap a voz da periferia,
De quem ta na correria, que luta noite e dia,
Deixa eu canta, que é pros males espanta,
Deixa eu dança, mano caetano vai tocar,
Na voz, no violão uma bela canção,
Então aumenta o volume que é rap du bom.

Deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara
(aumenta o volume que é rap du bom)
Minha cara minha cuca ficar odara (ficar odara)
Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara
Pra ficar tudo jóia rara
Qualquer coisa que se sonhara
Canto e danço que dara

Se o mundo inteiro pudesse me ouvir,
Eu mandaria um papo reto para todo o povo refletir,
Que é pra mudar, a mente revolucionar,
Pra melhorar a sua forma de pensar,
Deixa pra lá, racismo e discriminação,
Se liga irmão por mais saúde e educação,
Já demorou agora é a hora e a vez
Pra concertar, o que o ser humano fez,
É só lembrar das guerras que o homem travou,
Quantos morreram então me diga quem ganhou,
Aqui nas ruas o mesmo ciclo se repete,
É só deixar arma nas mãos de um moleque,
Que um dia cresce, vira um psicopata,
Um animal, por qualquer coisa ele mata,
Infelizmente mais um filho da miséria,
Que não representa todo povo da favela,
Quantos talentos perdidos já vi na periferia,
Ser mais um bem sucedido me diga quem não queria,
O povo é sofrido, mas ta na maior batalha,
Qualquer tipo de trampo traz o sustento pra casa,
Os guerreiros eu quero ver com mais tranqüilidade,
Para as irmãs desejo paz e mais fertilidade,
Há algo fora da ordem na luta pelo progresso,
Paciência irmão é tudo que eu te peço,
Nem tudo esta perdido, calma é a solução,
Aumenta o volume que é rap bu bom !

Deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara
(aumenta o volume que é rap du bom)
Minha cara minha cuca ficar odara (ficar odara)
Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara
Pra ficar tudo jóia rara
Qualquer coisa que se sonhara
Canto e danço que dara
 






2005 – RAPPIN' HOOD
Participación Especial: CAETANO VELOSO
[Rap Du Bom Parte II (Rappin' Hood) / Odara (Caetano Veloso)]
Álbum “Sujeito Homem 2”
Trama CD 993-2, Track 6.





2005 – RAPPIN´HOOD
1. RAP DU BOM PARTE II [Radio edit]
Participación Especial: CAETANO VELOSO
[Rap Du Bom - Parte II (Rappin’ Hood) / Odara (Caetano Veloso)]
2. ZÉ BRASILEIRO (Rappin’ Hood)
3. RAP O SOM DA PAZ (Rappin’ Hood)
4. RAP DU BOM PARTE II
Participación Especial: CAETANO VELOSO
[Rap Du Bom - Parte II (Rappin’ Hood) / Odara (Caetano Veloso)]
Trama CD Maxi Single n° P132-2.





Marzo 2004

Lula e Gilberto Gil recebem Rappin’ Hood no Planalto 

Com Luiz Inácio, que o recebeu no Palácio do Planalto em março de 2004, em meio a outros rappers: “Ele é maluco humildão, maluco firmeza, parceiro antigo meu. Mas, puxa, ser recebido por um presidente da República... Para mim vale o que Lula falou olhando no meu olho, que espera acabar o mandato e poder nos encontrar e nos chamar de companheiros. É um exemplo fortíssimo para mim”. 















08/04/2005 - 16h56

Rappin' Hood lança segunda parte de trilogia

THIAGO NEY
da Folha de S.Paulo

Difícil encontrar no cinema continuação que seja igual ou superior ao filme inicial. Há casos clássicos: "O Poderoso Chefão 2", "O Império Contra-Ataca"... Com o espírito de um Coppola ou de um George Lucas, o paulistano Rappin" Hood lança na próxima semana "Sujeito Homem 2", o segundo capítulo de sua própria trilogia iniciada há quatro anos com... "Sujeito Homem".

"Vou completar a seqüência com um disco gravado ao vivo. Sempre fui fã de trilogias", disse Rappin' Hood à Folha, nesta semana, durante conversa no largo São Bento, no centro da cidade.

Hoje com 33 anos, Antônio Luiz Júnior, nascido na Vila Arapuá, região sul de São Paulo, é da primeira geração do rap paulista, a geração de Thaíde, DJ Hum, Racionais. Em 1985, freqüentava este mesmo largo São Bento, ao lado de b-boys e grafiteiros. "Hoje, volto e o segurança me cumprimenta, fico à vontade. Antigamente não podíamos cantar e dançar aqui, corríamos da polícia."

Diferentemente de Thaíde ou dos Racionais, Rappin" Hood demorou a aparecer. Só lançou seu primeiro disco solo em 2001. Culpa, diz, da ousadia em misturar o rap a ritmos como samba, repente e bossa nova. Sim, havia época, não muito tempo atrás, em que "rap era rap", "samba era samba".

"Hoje é mais fácil, né? Mas desde o meu primeiro disco faço isso. Eu quero aproximar o rap da realidade brasileira, não quero ser uma cópia dos americanos", justifica. "Quando houve o boom dos Racionais, você ia a festivais de rap e de cada dez bandas, nove soavam como eles. Dei a minha cara para bater. Rimo em cima da cadência do samba há 15 anos."

E a cadência do samba continua solta em "Sujeito Homem 2". Não só por Rappin' Hood. Se em "Sujeito Homem" ele chamou Leci Brandão para "duelar" no hit "Sou Negrão", aqui ele abre espaço para Fundo de Quintal, Exaltasamba, Jair Rodrigues e Dudu Nobre. Mas não só. "Odara" e "Andar com Fé" estão aqui --além dos próprios Caetano Veloso e Gilberto Gil.

O encontro, diz, não soa estranho. "Não acho que eles estejam acima do bem e do mal. Seria fácil para mim falar que o rap é radical, que somos a revolução, mas hoje não tem ditadura, não fui mandado embora do Brasil. Eles são a história do país, eu tenho que respeitar. Mas, se eu discordar de algo do Gil, do Caetano ou até do Lula, eu vou falar. Isso é a cara do rap."

A cara de "Sujeito Homem 2" é uniforme, mas muda bastante a cada canção. Passa pelo repente, quase um baião ("Disparada Rap"); pelo samba ("Muito Longe Daqui"); às vezes é um rap-samba ("Se Toca"); em outra hora volta a ser rap puro, soturno, dark ("Tudo o que Eu preciso").

Em "Disparada...", diz que o "rap tem que virar cada vez mais música popular brasileira". Ele explica: "O rap brasileiro não precisa ser cópia de Wu-Tang Clan [coletivo norte-americano de hip hop]. Temos que ter identidade. Pode chocar alguns, mas essa é a minha proposta. Sou músico, sei ler partitura".

Ao mesmo tempo, Rappin' Hood defende uma autonomia do rap, consciente até de uma certa responsabilidade social de si mesmo e de seu estilo musical. "Qualquer tipo de música pode ajudar a tirar a molecada da rua. Muita gente venceu na vida com um cavaquinho. Mas o rap tem um discurso que os outros não têm. No samba, na safra nova, não existe preocupação social. No rap isso não ocorre; o rap é social."

Continua: "No funk carioca, há um pessoal que tem compromisso, como o Mr. Catra. Mas, também, não posso falar mal do Marlboro, que é um pioneiro. Respeito o trabalho dele, mas não consumo aquilo. Se eu fizer uma música sem compromisso, as pessoas de onde venho vão me cobrar...".

Rappin" Hood já passou por vários lugares. Foi office-boy, auxiliar de escritório, ajudou a fundar a rádio comunitária da favela de Heliópolis, aprendeu a tocar trombone na Universidade Livre de Música e esteve à frente do projeto Escola de Rap, que rodou colégios públicos fazendo palestras, shows e oficinas. E a trilogia ainda não terminou.








Quinta-Feira, 14 de Abril de 2005

Rappin' Hood é o cara

Rapper lança CD com participação de Gilberto Gil, Caetano e Dudu Nobre, entre outros

Hagamenon Brito





O paulista Rappin' Hood, 33, aproxima o rap ainda mais da música popular brasileira no ótimo CD `Sujeito homem 2´.

Tem clima de hoodmania no ar. Os sinais estão no segundo álbum do rapper Rappin' Hood (aka Antonio Luiz), 33, Sujeito homem 2 (Trama), que chega com a missão (não-explícita) de fazer a fila inventiva do hip hop nacional andar ainda mais. A alta qualidade dos arranjos/bases e das letras não deixa dúvidas.

Nascido na periferia de São Paulo, Rappin´Hood é o cara. Começou a se interessar por break e hip hop aos 11 anos, época em que tinha aulas de trombone e corneta para tocar na fanfarra da escola. Na década de 80, cantou com a equipe de bailes Chic Show e, nos 90, formou o grupo Posse Mente Zulu.

Já existia grande expectativa na comunidade paulista do rap em relação à estréia solo do compositor - e Sujeito homem (2001) não decepcionou. Rappin' Hood encarou e venceu o desafio de fazer hip hop de sotaque brasileiro, com equilíbrio entre discurso engajado - e sem clichês - e sonoridade criativa.

Sujeito homem 2 aprimora a proposta do MC. A senha é dita por ele na faixa Disparada rap, que tem participação especial de Jair Rodrigues e inclui a famosa canção sessentista de Geraldo Vandré e Théo de Barros: "O rap tem que ir por esse caminho. Virar cada vez mais música popular brasileira".

A lista de convidados e parceiros também é reveladora: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Zélia Duncan (bela presença entoando versos de Preciso me encontrar, de Cartola, na faixa Zé Brasileiro) e os sambistas Dudu Nobre, Arlindo Cruz, Mário Sérgio (Fundo do Quintal) e Péricles e Thiaguinho (Exaltasamba).

A fusão de rap, samba e MPB de Rappin' Hood tem cara própria e muito, muito suingue. Para dar boa liga, o homeboy contou com os produtores DJ Luciano, DJ Marcelinho, Prateado, Grandmaster Duda e Parteum (do Mzuri Sana), que é seu irmão e estreou solo recentemente com o bom CD Raciocínio quebrado. E quem quiser ficar por dentro de tudo que rolou durante a gravação do CD, pode acompanhar a partir de hoje, em www.trama.com.br, a série semanal Diário de um músico - Rappin' Hood.

Pai de Martin, 3, que participa da faixa Us guerreiro e cujo nome homenageia o líder negro americano Martin Luther King (1929-1968), Rappin´Hood sonha em se apresentar em Salvador: "Já me vejo andando no Pelourinho, conhecendo a Liberdade, o Candeal. Tem um contato para fazer show na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. Tomara que dê certo".

A seguir, leia trechos da entrevista, feita por telefone.

FOLHA - Você lançou Sujeito homem pela Trama em 2001 e, um ano depois, creio, saiu da gravadora. Agora, está de volta à Trama. O que aconteceu em sua relação com a gravadora?
RAPPIN' HOOD - A Trama formou um núcleo de rap com cerca de 20 artistas e bandas, mas teve problemas com alguns grupos e extinguiu o núcleo. A gravadora queria que eu ficasse, mas me senti desconfortável de permanecer enquanto todo mundo saía. Voltei em 2004 por dois motivos: já havia passado certo tempo após o fim do núcleo, outras coisas tinham acontecido na vida de todos; e aqui tenho total liberdade. Cheguei a conversar com outras gravadoras, poderia ganhar até mais dinheiro, mas a liberdade de criação é fundamental para mim. Esse disco é algo assim: o bom filho à casa retorna (risos).

F - Hoje em dia misturar rap com samba e outros ritmos já é algo popular, vide o sucesso de Marcelo D2, mas você gosta disso há muito tempo. Por que essa opção?
RH - Nunca quis soar como uma cópia do rap americano. Por isso, a opção pelo samba para criar um hip hop com identidade brasileira e eu sempre escutei de tudo: Cartola, Public Enemy, Bob Marley, John Coltrane...

F - Imagino que você não curte a nova geração de artistas americanos que ainda são influenciados pelo gangsta rap, tipo 50 Cent e The Game. Mas as bases deles são ótimas, não?
RH - Não gosto do que eles dizem, mas as bases realmente são ótimas. Sobretudo, as produções de Dr. Dre: Eminem, 50 Cent, Snoop Dogg...

F - A presença de dois medalhões da MPB como Caetano Veloso e Gilberto Gil num disco de um rapper chama a atenção. Como aconteceram esses encontros?
RH - Conheci Caetano no Hutus (Rio) de 2001, quando ganhei o prêmio de revelação. Ele viu o meu show e veio falar comigo. Ano passado, ele me convidou para participar da festa de 450 anos de São Paulo, que aconteceu no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João. Eu propus misturar Rap do bom com Odara, cantamos, e ele deu a idéia para a gente gravar juntos. Eu falei: no meu ou no seu disco? "Tanto faz", ele disse. Gil viu o show e comentou: "Só com uma música minha é que ninguém faz uma coisa bacana como essa". Eu falei: como assim? Então, vou fazer. Depois, no encontro da turma do hip hop com o presidente Lula, em Brasília, Gil me cobrou a parceria e eu percebi que ele estava falando sério.

F - Qual a importância de poder contar com convidados como Caetano, Gil, Jair Rodrigues e Zélia Duncan?
RH - É um estreitamento da relação do rap com a música brasileira. Por incrível que pareça, rap não é considerado música para a OMB (Ordem dos Músicos do Brasil). Um rapper não pode cantar um rap para tirar a carteirinha de músico: tem que interpretar outro gênero. Eu, por exemplo, cantei Wave, de Tom Jobim. O mesmo acontece com um DJ, que só pode obter o registro se for como percussionista. São leis anacrônicas.

F - Esse estreitamento não pode soar para os mais radicais como uma preocupação sua em obter a aprovação da chamada MPB para o hip hop, que no Brasil ainda é muito associado à periferia?
RH - Esse reconhecimento seria e é bom para o rap. Não vejo problema algum nisso. Seria fácil falar que o rap é radical, que somos o que há de mais revolucionário atualmente, etc. Tudo que conquisto é de forma natural, fruto do esforço do meu trabalho. Não fico deslumbrado por ter Caetano e Gilberto Gil no meu disco, mas é uma honra, sim, pelo que eles representam na história do país. Não quero dizer que não posso discordar eventualmente deles, mas é uma honra.

***
FICHA
Disco: Sujeito homem 2
Artista: Rappin´Hood
Produção: Vários
Gravadora: Trama
Preço: 16,90 (sugerido)



No hay comentarios:

Publicar un comentario