sábado, 17 de febrero de 2018

1978 - "O ESSENCIAL É PRODUZIR"


FOLHA DE S.PAULO

Ilustrada

Quinta-feira, 6 de abril de 1978

Caetano: o essencial é produzir


Paulo Francis/Nova York


5/4/1978 - Caetano Veloso e Gal Costa partem amanhã para uma temporada europeia. Depois ele vai (sozinho) descansar nos EUA - Foto: M. Pires/Folhapress

Rio (Sucursal) - O cantor e compositor Caetano Veloso comentou ontem recente entrevista do chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações), general João Batista Figueiredo, afirmando que vê equilíbrio em sua resposta sobre os intelectuais e na referência a Chico Buarque de Hollanda, mas não concorda de maneira ampla com a opinião do ministro.

“Concordo com o que o general diz, que nós artistas de maneira geral não estamos armados tecnicamente para ter uma discussão politica, mas isto não impede de modo algum que tenhamos uma vida politica e que participemos da vida política”, disse Caetano, que amanhã, juntamente com Gal Costa, embarca para a Europa para realizar uma série de concertos em diversos países.

Entre todas as respostas do general Figueiredo, Caetano Veloso gostou mais da que se refere aos intelectuais, por tratar de coisas que ele, Caetano, está mais familiarizado, “suponho que o próprio general não aceita a idéia de que o Chico Buarque não tenha o direito de se manifestar politicamente”, disse o compositor.

Muito à vontade para comentar qualquer assunto e demonstrando estar bem informado sobre o momento brasileiro, negando assim a imagem de alheamento que lhe imputam, Caetano Veloso no entanto não abre mão da idéia de que a função do artista é produzir arte, independente da situação da sociedade em que vive.

O controvertido cantor, que ao longo dos últimos dez anos teve diversos problemas com as autoridades brasileiras, diz que estes problemas não ocorreram por músicas ou posições: “Na verdade eu tive muitos problemas com nada, pois além de não fazer política meus hábitos estão dentro da lei. Esses problemas vieram pelo fato de eu estar produzindo arte num momento em que a sociedade estava conturbada. Nestes momentos conturbados, o artista é atingido”.



5/4/1978 - Foto: M. Pires/Folhapress


Ele explica porque a função do artista é produzir: “Numa sociedade qualquer, esteja ela carente de transformações ou não, a função do músico é produzir música. Se a sociedade está ou não em mudança é problema geral da sociedade. A situação da sociedade é uma coisa contingente na determinação do artista, o essencial é producir, e a sociedade, em qualquer momento, precisa de música para existir, para viver”.

Caetano confessa que não está com ansiedade de coisas novas na música brasileira, pelo menos no sentido inovador dos anos 60, a época que lembra como de “muito quebra pau”. Na verdade se diz mais conformista, achando que há oportunidade para conquistar coisas e não inoválas.

“Querer inovar as coisas à maneira dos anos 60 é querer tirar leite de pedras, isto sim é redundância pois a criação não é um processo linear, continuo, ela vem de todas as direções.”

Caetano tem ouvido muita música brasileira, principalmente, Jorge Bem e um cantor novato, Cassiano, autor da música “A Lua e eu”. Ele está gravando um novo disco, que será lançado semanas depois de regressar desta turnê com Gal Costa. Entre suas músicas novas uma tem o título de “Terra” e outra foi feita para o filme “A Dama do Lotação”.

Os dois se apresentam em Roma, Paris, Genebra, Zurique, fazem “shows” para a TV francesa e Gal grava um disco na França. Ela está muito tranquila e contente. Apresentará músicas de Caymmi, Tom Jobim e muita dança de candomblé e depois da temporada passará um período de férias na Espanha, Caetano ao contrário, viajará para Nova York, não para trabalhar, mas apenas a fim de “sentir” as coisas que estão acontecendo por lá.











1984 - IRMÃ DULCE


Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes (Salvador, 26 de maio de 1914 — Salvador, 13 de março de 1992).


Fotos: Ag. A TARDE






2010 - ELEIÇÕES


FOLHA DE S.PAULO

Quinta feira, 30 de setembro de 2010

2° turno explicita dúvidas, diz Caetano Veloso

Cantor afirma que vitória do tom “desmedido” de Lula e Dilma no domingo seria “regressão populista primária”


“Não sou muito chegado a reeleição. Mas, havendo, tem que ser como nos Estados Unidos: você vira Bill Clinton. Sai e, no máximo, fica fazendo palestras, não pode voltar.

Dou grande importância ao fato de Lula não ter embarcado na ideia de terceiro mandato. Se as pessoas estão votando em Dilma, pessoa que elas não conhecem, só porque ele mandou que fosse dessa maneira, um plebiscito “Fica, Lula”, faria Lula ficar.

Não que Serra tenha feito governos desastrosos [em São Paulo], mas também não foi brilhante. Foi fosco em suas duas experiências executivas.”


Músico critica uso da imagen de Lula por Serra e vê Marina como “mais moderna” do que presidente petista e FHC.


Marcus Preto
DE SÃO PAULO

Cabo eleitoral assumido da candidata Marina Silva, o cantor Caetano Veloso, 68, defende a importância do segundo turno nas eleições presidenciais para que "haja uma sensação de que há críticas, há gente de olho, há dúvidas na sociedade".

Na entrevista a seguir, critica a campanha de José Serra ("não tem que botar Lula na propaganda dele") e faz um balanço de erros e acertos de Lula ("apesar de tudo isso, está no azul"). Leia os principais trechos.

Folha - Pesquisas recentes apontam queda de Dilma e abrem margem para um possível segundo turno. Como vê esse quadro?
Caetano Veloso - Eu torço para que tenha segundo turno. Porque o tom que Lula e Dilma estavam [usando] na campanha, ela insuflada por ele, era um pouco desmedido. E até irrealista. Eufórico demais. Não era bom que fosse uma eleição no primeiro turno, e uma presidente fosse empossada nesse tom.

Por quê?
Deve haver uma sensação de que há críticas, há gente de olho, há dúvidas na sociedade, que a vida é mais complexa. Aquele negócio de Lula pensar que pode dizer tudo quando chega no comício não é bom. Se a eleição se definisse nesse tom, seria um sintoma de que o Brasil realmente estaria em uma regressão populista primária, que eu suponho que o Brasil não tenha mais idade para estar.

A campanha de Serra está mais equilibrada?
Sempre achei errado Serra ficar esse tempo todo fingindo que não teria nada contra Lula, como se estivesse junto dele. Aquilo não funciona. O Brasil é um país grande. Quantos leitores tem a revista "Veja", por exemplo? É sinal de que o país tem várias forças se movendo dentro. Serra deveria ter se apresentado como outra coisa, não tem de botar Lula na propaganda dele. Precisava de um baiano lá para saber fazer a campanha dele [risos].

Qual seria a melhor estratégia para Marina, sua candidata, se houver segundo turno?
O ideal seria que ela subisse, passasse o Serra e fossem duas mulheres para o segundo turno. Ia ser muito bom.

E se isso não acontecer? Ela deve apoiar outro candidato?
Ela pode se abster de apoiar alguém. Mas, se apoiar, dirá claramente por que fez. Marina é a mais moderna. Está num estágio pós-Fernando Henrique e pós-Lula, com o que aconteceu de bom nesses governos. Tem as responsabilidades intelectuais, técnicas e morais que resultaram dos 16 anos de PSDB e PT.

Você se arrepende de ter votado em Lula em 2002?
Nunca me arrependi nem no auge do mensalão, nem agora, quando ele falou em "extirpar o DEM" e nessa baboseira sobre "mídia golpista". Essas coisas não são aceitáveis, mas, apesar de tudo isso, Lula está no azul.

Por quê?
Ele é uma continuação do governo Fernando Henrique, com mais energia e mais brilho. Lula é uma figura histórica de grande importância, muito maior do que pôde aparecer no filme que foi feito pelo Fabinho [Barreto, "Lula, o Filho do Brasil"]. É um filme legal, mas teve pudor em fazer o que deveria ser feito: se deixar inebriar pela força mítica do grande herói épico e histórico que o Lula é. Se fizesse, seria um clássico.


 
28/9/2010 - O compositor em quarto de hotel Fasano em São Paulo, anteontem.
Foto: Leticia Moreira/Folhapress










03/10/2010

Caetano Veloso vai com o filho votar

Acompanhado de Zeca, cantor escolheu seus candidatos para a eleição no Rio de Janeiro

QUEM Online

Caetano Veloso foi acompanhado do filho Zeca ao Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, para escolher seus candidatos nas eleições estaduais e federais. Antes de dar seu voto, ele posou para fotos ao lado do adolescente, na tarde deste domingo (3/10).




Rio de Janeiro, no domingo (3/10/2010) / AgNews

Rio de Janeiro, no domingo (3/10/2010) / AgNews





jueves, 15 de febrero de 2018

1989 - ELEIÇÕES





Chico Buarque de Hollanda, Caetano Veloso e Wagner Tiso em comício do candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva, no Rio de Janeiro (1989)
Foto: Juan Esteves / Folhapress


Foto: Niels Andreas - Folhapress


As eleições de 1989 foram as primeiras desde 1960 em que os cidadãos brasileiros aptos a votar escolheram seu presidente da república. Por serem relativamente novos, os partidos políticos estavam pouco mobilizados e vinte e duas candidaturas à presidência foram lançadas. Essa quantidade expressiva de candidatos mantém o recorde de eleição presidencial com mais candidatos. 

Como nenhum candidato obteve a maioria absoluta dos votos válidos, isto é, excluídos os brancos e nulos, a eleição foi realizada em dois turnos, conforme a então nova lei previa. 

O primeiro foi realizado em 15 de novembro de 1989, data que marcava o centésimo aniversário da proclamação da república, e o segundo em 17 de dezembro do mesmo ano. 

O nível de entusiasmo era grande, com artistas participando ativamente da campanha de Lula, cantando o hoje célebre Jingle "Lula Lá" no horário reservado à propaganda eleitoral do candidato.


1989 - Foto: Luciana Whitaker / Folhapress
Chico Buarque, Gal Costa, Elba Ramalho, Marieta Severo, Djavan, Beth Carvalho, Wagner Tiso, José Mayer, Malu Mader, Betty Faria, Aracy Balabanian e muitos outros. 





16/12/1989 - Revista Manchete n° 1.965




7/10/1990
Caetano Veloso, cantor e compositor, contando ao GLOBO sobre sua posição em relação às eleições presidenciais de 1989.

“Gravei uma fala apoiando o Brizola. Antes, a candidatura do Collor me pareceu uma coisa simpática, pela possível atuação histórica dele. Já no 2º turno, apoiei o Lula. Mas não tenho compromisso com nenhuma facção política”


miércoles, 14 de febrero de 2018

1998 - CABALLERO DE FINA ESTAMPA


1998
Revista EL PAIS semanal
Número nº 1.135
Domingo 28 de junio de 1998
España





Foto: Thorsten Roth


EL PAÍS
'Mi mayor enemigo es el buen gusto'

Sábado, 22 de junio de 2002
Madrid

El músico Caetano Veloso. Bernardo Pérez

En Venezuela robaron todo el equipo de su grupo -por fortuna, se salvó su guitarra-, lo cual no le va a impedir cantar en España. Caetano Veloso cumple 60 años el 6 de agosto y en el mercado coinciden dos discos, Lo mejor de..., que recoge 36 de sus éxitos, y Noites do Norte ao vivo, grabación del espectáculo que presenta hoy en Las Palmas (Auditorio Alfredo Kraus), el lunes 24 en Granada (Palacio de Congresos), el miércoles 26 en Barcelona (L'Auditori) y los días 28 y 29 en Madrid (Conde Duque).

Pregunta. Ha llegado a Madrid el día de la huelga general.
Respuesta. Sentí cierta tensión dentro de mí al ver, manifestadas en la calle, exigencias de poblaciones europeas en relación a derechos públicos adquiridos, que son una tradición en Europa y no lo son de la cultura social norteamericana. Y de cómo la tendencia mundial post Margaret Thatcher ha sido elegir el modelo norteamericano.


'Toda la cultura de masas del siglo XX, 
menos el deporte, es norteamericana'


P. Blair y Aznar pretenden castigar a los países origen de la inmigración ilegal que no colaboren en la lucha contra ésta...
R. ¿Lo dicen explícitamente? Suena inaceptable. Si penalizas a sociedades que exportan emigrantes y empeora la situación económica y social, lo que vas a conseguir es incentivar que más personas quieran salir de allí. Y, aunque no fuese así, me parece algo brutal.

P. La globalización estaría empobreciendo aún más a las poblaciones pobres de los países más pobres.
R. La globalización está siendo la del capital especulativo, pero no la del trabajo. Vivimos bajo la hegemonía de Estados Unidos, una hiperpotencia como nunca hubo en la historia. Tiene la misma posición del imperio romano con la tecnología del siglo XXI.

P. El 11 de septiembre le pilló en Estados Unidos...
R. Estaba en Nueva York el día 10 y esa misma noche viajé a Los Ángeles. Estuvimos una semana bloqueados. Primero, me impresionó una obviedad: cómo se parecía a escenas de películas como Mars attacks o Independence Day. En Spider Man ves de nuevo imágenes que sientes son de la fantasía americana, mundial, tal vez en relación a Estados Unidos, que el propio cine americano precisa saciar.

P. Su salida de Los Ángeles se le ha quedado grabada.
R. Fue una experiencia deslumbrante. Tomamos un avión en Tijuana para Ciudad de México. Llegamos el día de la independencia nacional. Aquella gente humilde que festejaba en la calle parecía a décadas de distancia de las Torres Gemelas. Fuimos a las pirámides de Tehotihuacán. Una civilización que fue destruida, y entre los descendientes de aquellos indios que un día las cubrieron de oro y púrpura. Pensaba en las Torres Gemelas y recordé un fragmento de mi libro Verdade tropical, que dice que lo que me emociona de los rascacielos de Nueva York es que parecen elevar las obras humanas a una dimensión mítica, atemporal, porque cuando ves aquellos edificios estás experimentando su grandeza y la fuerza de su leyenda. Como si ya hubiesen sido destruidos hace siglos...

P. En la lujosa suite del hotel descubre que no puede ver el partido que enfrenta a Brasil e Inglaterra porque no disponen del canal de pago que lo emite.
R. Antes era más de todo el mundo. Un Mundial de fútbol es uno de los momentos de mayor comunión de las poblaciones de prácticamente todos los países, con excepción de Estados Unidos. Toda la cultura de masas del siglo XX es norteamericana menos el deporte, porque el fútbol dominó el resto del mundo. Estoy contra ciertas privatizaciones y de ésta en particular abomino. Creo que es una de las pruebas de que, como estaba escrito hoy en una pared, por causa de la huelga, Dios no existe. [Se ríe].

P. Su hijo de cinco años, Tom, que así se llama en homenaje a Antonio Carlos (Tom) Jobim, no parece seguir sus pasos...
R. Sólo le interesa el fútbol. Si le quiero cantar una canción, me dice: 'Papá, ¿dura mucho?'. Y pone el himno del Flamengo.

P. Noites do Norte ao vivo tiene como eje central la esclavitud.
R. El esbozo de una solución para la cuestión racial en Brasil me interesó siempre mucho. La lucha por la abolición de la esclavitud es muy estimulante. Cuando lees a autores como Joaquim Nabuco, es la izquierda que nos gustaría ser. Hacia la que miras y no dudas de la nobleza de sus propósitos ni de la excelencia de los logros. Y es un ejemplo de que haber tenido el valor de pensar en contra y mantener la convicción era lo correcto, y debía llevar a resultados muy buenos, aunque muy alejados de los sueños de los mejores abolicionistas.

P. La crítica de un diario catalán habla de empacho de buen gusto refiriéndose a Noites do Norte... ¿Sabe lo que decía Picasso sobre que el buen gusto es el peor enemigo del arte?
R. Mi mayor enemigo siempre fue el buen gusto. Es contra lo que siempre luché desde el Tropicalismo. En Brasil, el disco fue criticado por ser condescendiente con la música percusiva de Bahía. Todo aquello que creció con el carnaval de Bahía es odiado por el supuesto buen gusto de los críticos brasileños. Un crítico escribió incluso que el chelo de Jaques Morelenbaum no es sólo hortera, sino asesino. Así que no tengo miedo de lo que dijo Picasso. [Se ríe].

P. ¿Percibe que en España sólo despierta opiniones favorables?
R. Es un lujo ser una unanimidad nacional en tierra de otros. [Se ríe].

P. He leído que está terminando un disco con Jorge Mautner. Supongo que es de extremado buen gusto...
R. Un empacho de buen gusto. [Se desternilla]. Se nos ve a los dos en la portada y se titula No pido disculpas.




EL PAÍS
Há três décadas, o embaixador da música brasileira na Espanha

Programa é biscoito fino em rádio de Madri. O melhor é que se pode ouvir por aqui

Flávia Marreiro
19/2/2015


Abril 2014, Carlos Galilea entrevista Caetano, em Lisboa. Foto: Andrea Franco

Eram os idos de 1980, uma época sem internet, YouTube e Spotify, e ao radialista e crítico de música Carlos Galilea só restava apelar a amizades feitas na loja da Varig no centro de Madri para saber sobre a cena musical brasileira. Nos recortes de O Globo e do Jornal do Brasil, amassados pela viagem transatlântica, ele se inteirava sobre os lançamentos, que depois encomendava a contatos em Paris e Lisboa.

Era assim que, nos primeiros anos, Galilea alimentava Cuando los elefantes sueñan con la música, seu programa de música brasileira da Radio 3 em Madri. Quase três décadas depois, o espanhol segue na rádio pública espanhola, de segunda a sexta, levando ao ar clássicos brasileiros, novidades como o baiano Russo Passapusso, joias do jazz e música cubana, com direito a revelações exclusivas, como uma inédita gravação de um show de João Gilberto em Madri em 1985 (*).

“Eu gostava de jazz, e tinha chegado à bossa nova pelo jazz”, começa Galilea, ao telefone desde a capital espanhola. “Mas foi Vera Cruz, do Milton, que mudou tudo”, diz ele, sobre a música gravada em 1968.

Ele tinha lido um pequeno texto sobre Milton Nascimento no Le Monde e o jornal francês chamava o mineiro de “indispensável”. Galilea, agora, concorda. Ele incluiu Clube da Esquina (1972) na lista de “Dez discos imprescindíveis da música brasileira”, que ele fez a pedido do EL PAÍS, não sem sofrer pelas exclusões forçadas pelo exercício.

Este jornal, aliás, é parte da história do programa, conta Galilea. Ele começou como crítico de música do EL PAÍS no mesmo ano em que estreou o programa: 1987. Pelo jornal, entrevistou dezenas de artistas brasileiros. “Entrevistei Tom Jobim em Ipanema”, lembra. Com Caetano Veloso, falou mais recentemente em Lisboa, no meio da turnê europeia de Abraçaço, em 2014.

“Como pode ser que um país tenha uma música tão rica? Sou feliz de fazer o programa. Meu prêmio é falar com os músicos, que Caetano me trate com carinho”, diz Galilea, que, por causa do programa, ganhou do governo brasileiro a Ordem do Rio Branco.

“Escreveu Fernando Trueba que Fina Estampa foi uma resposta a uma longa espera, que Lara e Gardel, Lecuona e Piazzolla soaram novos de novo. Porque Caetano, o ator, é o melhor contador de canções. Na verdade, eu nunca entendí Help até ouvir Caetano cantar”, citou, sussurrado e cadente, o locutor antes de apresentar Caetano cantando Help em 9 de fevereiro.

Guardadas as proporções, o mesmo se pode dizer do próprio Galilea, que escreveu com Trueba um livro sobre música brasileira e ainda, como único autor, outras duas obras sobre o mesmo tema. No programa, não raro o crítico traduz (ou declama) as letras das músicas do português vertidas para o castelhano, e elas soam novas de novo. “Traduzo para que as pessoas entendam as letras. Os espanhóis entendem menos o português do que vice-versa, e não é por má vontade.”

Sobre o nome da atração ele não gosta de se alongar. “Não queria que fosse um título óbvio. São reticências. O que vai acontecer? Eu gosto dessa proposta aberta, de evocar a imaginação dos ouvintes.”

Galilea não soa nostálgico sobre a época dos recortes de jornal como fonte de informação. Na verdade, ele está encantado com as possibilidades que a Internet abriu para o rádio, com os podcasts disponíveis para download e aplicativos para escutar estações ao vivo de qualquer parte. Coleciona relatos dos ouvintes casuais (ou não) espalhados pelo mundo: um que escreveu enquanto pedalava no deserto da Mongólia, uma brasileira em apuros em Madri.

“Era uma mulher do Nordeste, que me escreveu dizendo que tinha conhecido o programa quando estava em Madri, internada num hospital, sem enxergar. Na escuridão, o contato dela com o mundo era o som, o programa. Essa emoção me acompanha", conta. "O rádio é isso, é uma experiência íntima. É como um irmão mais velho, um amigo, que diz: ‘Escuta isso'.”


(*)
O concerto do dia seguinte

Em 19 de julho de 1985, João Gilberto tinha 54 anos e fez show em um festival de verão em Madri, após inusitada troca: ele se apresentou no lugar de Tom Jobim, o dono original da data.

Assim, um dia depois do histórico show no festival no Festival de Montreux, que viraria disco, o cantor voltou ao palco e o resultado foi registrado pela Rádio 3.

Carlos Galillea levou a gravação ao ar em duas edições de Cuandos los elefantes... em 2010. Anos depois, os programas causaram um frisson entre os joãogilbertianos no Brasil.

Os adoradores comparavam performances, a técnica. Especularam sobre uma possível gripe de João Gilberto, que tossiu algumas vezes entre uma música e outra.

Comemoraram o registro de "Você já foi à Bahia?", de Dorival Caymmi, até então inédita na discografia. “A ironia é que eu fui ao concerto de Montreux, mas não ao de Madri”, conta Galilea.

1996 - TRIÂNGULO SEM BERMUDAS - Uma Homenagem à Trois




"Em 1968, o trio assinou um contrato com a Polydor, graças a uma indicação do produtor Manoel Barenbein. Assim, foi lançando Os Mutantes, primeiro disco da banda.

Com arranjos de Duprat e participação especial de Jorge Ben, o LP foi bastante inovador e experimental, além de muito influenciado pelo trabalho dos Beatles.


Algumas das faixas que se destacaram são "Senhor F..." (que contou com participação da mãe dos irmãos Baptista, Clarisse Leite, que tocou piano), "Panis et Circenses" (canção composta por Caetano Veloso e Gilberto Gil especialmente para os Mutantes) e "Trem Fantasma" (parceria entre os Mutantes e Caetano Veloso, que foi composta na casa do produtor Guilherme Araújo)." [Maria Helena Guedes]



27/3/1996 - Paula Lavigne e Caetano Veloso, fazem pose em quadro, durante o lançamento do disco dos Mutantes, na Fundição Progresso, no Rio.
Foto: Miriam Fichtner / Folha Imagem

27/3/1996 - Caetano Veloso e Sérgio DiasFoto: Miriam Fichtner / Folha Imagem

Foto: Miriam Fichtner / Folha Imagem

Revista Caras

27/3/1996 - Zeca Neves [produtor do Barão Vermelho], Caetano Veloso, Jorge Israel [Kid Abelha], Sérgio Dias Batista [Mutantes] Foto: Miriam Fichtner / Folha Imagem





1996
Álbum “Triângulo sem Bermudas – Uma Homenagem à Trois”
[Varios intérpretes]
Natasha CD NAT 040-2.


1. VIDA DE CACHORRO (Arnaldo Baptista/Rita Lee/Sérgio Dias) Pato Fu
2. NÃO VÁ SE PERDER POR AÍ (Raphael V. da Silva/Roberto Lafayette Loyola) Gilberto Gil / Jorge Mautner
3. QUEM TEM MEDO DE BRINCAR DE AMOR (Arnaldo Baptista/Rita Lee) Kid Abelha
4. BEIJO EXAGERADO (Arnaldo Baptista/Rita Lee/Sérgio Dias) Barão Vermelho
5. AVE LÚCIFER (Arnaldo Baptista/Rita Lee/Élcio Decário) Lulu Santos
6. EL JUSTICEIRO (Arnaldo Baptista/Rita Lee/Sérgio Dias) Ney Matogrosso
7. CANTOR DE MAMBO (Arnaldo Baptista/Élcio Decário/Rita Lee) Tiburón Caribe
8. TOP TOP (Arnaldo Baptista/Rita Lee/Sérgio Dias/Liminha) Planet Hemp
9. DIA 36 (Johnny Dandurand/Arnaldo Baptista/Rita Lee/Sérgio Dias) Arnaldo Antunes
10. DESCULPE BABY (Arnaldo Baptista/Rita Lee) Daúde / Toni Garrido
11. PANIS ET CIRCENSES (Caetano Veloso/Gilberto Gil) Celso Fonseca / Moska
12. ANDO MEIO DESLIGADO (Arnaldo Baptista/Rita Lee/Sérgio Dias) Edgard Scandurra / Taciana
13. 2001 (Rita Lee/Tom Zé) André Abujamra / Lúcia Turnbull / Tom Zé



lunes, 12 de febrero de 2018

2018 - CARNAVAL - Salvador

Bahia
Do R7
23/01/2018

Famosos prestigiam show do Cortejo Afro em Salvador

Entre as celebridades, Caetano Veloso, Regina Casé, Mariana Ximenes e Vik Muniz

O cantor Caetano Veloso, a atriz Mariana Ximenes e a apresentadora e atriz Regina Casé assistiram ao ensaio do Cortejo Afro, na segunda-feira (22), em Salvador. A festa, tradicional nas segundas do Verão na capital baiana, foi realizada no Largo Quincas Berro D’Água, no Pelourinho.


Fotos: Divulgação / Edgar Sousa










GLAMURAMA

06/02/2018

Caetano Veloso faz apresentação surpresa em último ensaio do Cortejo Afro, em Salvador


Caetano Veloso foi a grande atração do último ensaio do Cortejo Afro antes do Carnaval 2018 || Créditos: Divulgação

Quem disse que uma noite de segunda-feira não pode ser animada? Se for em Salvador e em véspera de Carnaval é melhor pensar duas vezes. Foi assim que o Cortejo Afro divulgou a fantasia do bloco com estampa desenvolvida por Alberto Pitta, em parceria com o também artista plástico J. Cunha, como Glamurama antecipou. Regina Casé, mais animada que nunca, foi a mestre de cerimônia.

A noite no Pelourinho teve participações especias da Banda Jammil ao comando do Levi Lima e da cantora Margareth Menezes.

Na plateia estavam ainda Gringo Cardia e Fausen Haten, que tiveram sorte: Caetano Veloso subiu ao palco depois de todas as apresentações e soltou a voz para cantar a música tema batizada “Milagres do Povo”, bem do jeito que a gente gosta…


Cortejo Afro

Regina Casé e Rodrigo Pita



Margaret Menezes



Gringo Cardia





Caetano Veloso curte Carnaval na varanda do camarote Expresso 2222
Foto: Divulgação/Felipe Panfili


“Eu acho que Carnaval é na rua. Meu filho Moreno, por exemplo, está na rua, ele nem sobe em camarote. Eu gosto muito de ficar na rua, mas não tenho mais idade pra ficar. Aí vim trazer meus netos”

[Caetano Veloso, 10/2/2018]



A TARDE

CARNAVAL| Circuito Dodô (Barra/Ondina)

Sexta, 09/02/2018

Camarote Expresso 2222 recebe Caetano Veloso

Luana Almeida


Raul Spinassé l Ag. A TARDE
  
O cantor e compositor Caetano Veloso, homenageado pelo Cortejo Afro este ano, retribuiu o carinho dos dirigentes da agremiação e fez a primeira aparição no Carnaval deste ano vestindo a fantasia do bloco.

Com a letra da música Milagres do Povo estampada na vestimenta idealizada pelo presidente da entidade, Alberto Pitta, ele marcou presença, na noite desta sexta-feira, 9, no camarote Expresso 2222.

Acompanhado da esposa, Paula Lavigne, ele foi à varanda para apresentar a festa ao neto José, filho de Moreno. “É uma vista incrível, privilegiada”, disse.

Da varanda, ele era saudado por artistas que desfilavam, como o pagodeiro Igor Kannário, que agradeceu a humildade de Caetano ao assisti-lo. “Eu me espelho em você”, disse Kannário, enquanto apontava para o cantor e pedia aplausos.

Apesar de estar com a fantasia do afro, que desfilou ontem no Centro, Caetano não garantiu participar da nova saída do Cortejo. “No Carnaval, não gosto de me comprometer. Gosto de ficar solto”, brincou.








  






Preta Gil com Caetano Veloso - Foto: Felipe Panfili / Divulgação


LINDO ENCONTRO! 
À FRENTE DO EXPRESSO 2222, PRETA GIL BEIJA CAETANO VELOSO

Cantora abriu oficialmente o Carnaval 2018 baiano na noite de quinta-feira (8)

09/02/2018

Preta Gil teve um encontro emocionante e especial no camarote Expresso 2222 no Carnaval 2018 nesta sexta-feira (9). A cantora, que assumiu o comando do espaço na última quinta (8), recebeu o carinho de Caetano Veloso. "Nosso coração não aguenta de tanto amor" é a legenda da foto postada no Instagram do Expresso 2222.

Esta noite, a cantora escolheu um look brilhoso e transparente para comandar o espaço, que está comemorando 20 anos e é o point oficial de QUEM na folia de Salvador. A cantora também ganhou o carinho do marido, Rodrigo Godoy, além da irmã, Bela Gil, do cunhado, João Paulo Demasi, de Paula Lavigne, mulher de Caetano, e da netinha Sol de Maria, que usou uma fantasia de baiana.

Preta abriu oficialmente o Carnaval 2018 baiano na noite de quinta-feira (8) e contou com diversos convidados para lá de especiais, entre amigos e familiares. É a estreia da cantora à frente do famoso Expresso 2222, criado por Gilberto e Flora Gil.

"Está lindo demais. Todo mundo que chega se surpreende, as pessoas não tinham entendido o que seria a BALCKTAPE. Eu estou amando, estou muito feliz", disse Preta ao abrir a boate. Ela vai cantar com Pabllo Vittar a música Decote, parceria entre as cantoras.






Da Redação
10.02.2018, 15:10:00

Caetano Veloso visita o Expresso 2222 vestido pro Cortejo Afro

Cantor apareceu no camarote com a fantasia da letra de sua música Milagres do Povo, tema do Cortejo Afro este ano, e foi recebido por Preta Gil 

Preta Gil recebe Caetano na noite de sexta-feira no Camarote Expresso 2222
Foto: Felipe Panfili/Divulgação

Caetano Veloso apareceu na noite de sexta-feira no Camarote Expresso 2222 pela primeira vez no Carnaval deste ano. Vestido com a fantasia do Cortejo Afro, que este ano homenageia o cantor e compositor tendo como tema a música Milagres do Povo.

Acompanhado da empresária Paula Lavigne, ele foi à varanda para apresentar a festa ao neto José, filho de Moreno. “É uma vista incrível, privilegiada”, disse.

De lá, foi saudado por artistas que desfilavam, como o pagodeiro Igor Kannário, que agradeceu à audiência de Caetano. “Eu me espelho em você”, contou Kannário, enquanto apontava para o cantor e pedia aplausos.

Mesmo com a vestimenta do bloco afro, que desfilou ontem no Campo Grande, Caetano não garantiu participar do Cortejo. “No Carnaval, não gosto de me comprometer. Gosto de ficar solto”, brincou. Antes do show de Pabllo Vittar na festa Black Tape, ele foi embora.

A drag queen e cantora subiu ao palco 2h30 da manhã com um look especial: foi vestida de paquita, em homenagem à eterna rainha dos baixinhos, Xuxa. Pablo cantou sucessos como Corpo Sensual e K.O - e teve como convidada a funkeira carioca Jojo Todynho.


Eu gosto de Popa da Bunda, revela Caetano Veloso
Cantor irá desfilar no trio elétrico de Psirico neste sábado, dia 10, ao lado de sua mulher Paula Lavigne
Vinícius de Melo, de Salvador - 10/02/2018 


Um dos maiores nomes da música brasileira, Caetano Veloso está em Salvador curtindo o Carnaval baiano. Questionado pelo Portal da Band sobre qual sua canção favorita ao título de música da folia, o cantor foi bastante ponderado.

"Eu não posso comparar muito porque eu não conheço todas. Eu gosto de Popa da Bunda, mas Popa da Bunda eu já conhecia de outros anos. Dessa vez, está com o Psirico. Aí fica mais forte", explicou.

Caetano também falou um pouco sobre o atual momento da música brasileira. "Eu sempre gostei e sempre vou gostar de música popular. Gosto do 'agora' também. Não sei quem é o maior artista brasileiro, mas eu gosto de João Gilberto. Sempre foi ele e sempre será ele", garantiu.

Ainda curtindo a folia nos próximos dias, Caetano vai desfilar no trio elétrico de Márcio Victor ao lado de sua mulher, a produtora Paula Lavigne. "Ele vai no trio, mas quietinho. Ele não quer cantar não", afirmou Paula. "Estou ainda com a roupa do Cortejo Afro. Quando o cortejo sair [domingo, dia 11], eu vou encontrá-lo", completou Caetano Veloso.



10/02/2018



Caetano Veloso se joga na diversão no trio do Psirico

Márcio Victor e sua banda foram alguns dos responsáveis por agitar a folia em Salvador, neste sábado (10/2)

Publicado por: Julia Teixeira 

Uma das figuras mais importantes da música brasileira, Caetano Veloso decidiu curtir, neste sábado (10), a apresentação do famoso grupo Psirico, no Carnaval de Salvador. Com um look todo trabalhado em cores claras, o renomado artista foi clicado dançando e se divertindo pra valer, no trio elétrico da banda comandada por Márcio Victor.


Ao notar a presença dos fotógrafos, Caetano ainda decidiu levantar os braços e entrar, ainda mais, no clima da grandiosa festa baiana, só reforçando que, assim como outras celebridades, ama o Carnaval de Salvador.


Fotos: Divulgação/Fred Pontes






Carnaval

No trio com Psirico, Caetano recebe declaração de Márcio Victor: 'Meu Amor'

Músico não resistiu ao som da banda e 'meteu dança'

Redação iBahia
10/02/2018

Uma presença ilustre está no trio do Psirico neste sábado (10). Caetano Veloso, acompanhado da mulher Paula Lavigne, não resistiu ao som da banda e desceu até o chão com o pagodão do Psi!

Foto: Arisson Marinho / Correio
O músico ainda recebeu uma declaração do vocalista Márcio Victor: 'Caetano, meu amooooor'.


Foto - Gilberto Júnior / BNews 

Foto - Gilberto Júnior / BNews 



Publicado em 11/02/2018

‘Tenho 75 anos, mas ainda aguento curtir’, afirma Caetano Veloso

Cantor comentou sobre o Carnaval sem cordas e confessou ao bahia.ba que está encantado por BaianaSystem


Rayllanna Lima 


11/2/2018 – Foto: Rodrigo Veloso/bahia.ba

O cantor Caetano Veloso aproveitou o sábado (10) de Carnaval para curtir ao lado da esposa Paula Lavigne, no Circuito Dodô (Barra/Ondina). Após passar pelo camarote Expresso 2222 e subir ao trio da banda Psirico, ele atracou no “navio pirada” do BaianaSystem, onde se declarou fã do grupo.

“Esse negócio do BaianaSystem é tão bacana que estou maravilhado. Estou aqui em cima, querendo estar lá embaixo”, contou ao bahia.ba, enquanto se divertia em cima do trio madrugada adentro. Foi a primeira vez que Caetano curtiu a folia junto com a banda. Ele pontuou ainda que o grupo “é a mais nova força do Carnaval da Bahia”.

Analisando o novo modelo da folia, que valoriza o folião pipoca com trios independentes, o cantor aproveitou para rasgar mais elogios ao Baiana. “Se for como BaianaSystem, minha avaliação é a mais positiva possível”, ressaltou.




Caetano Veloso elogia Baiana System: "Nova força do Carnaval"

Colaboração para o UOL
11/02/2018
Caetano Veloso e Russo Passapusso, vocalista do Baiana System
Imagem: Reprodução/Instagram

Caetano Veloso está curtindo a noite desse sábado (10/2) em cima do trio elétrico puxado pelo Baiana System em Salvador, na Bahia. O cantor não resistiu e acabou tietando o o vocalista do grupo, Russo Passapusso.

"Feliz de estar a bordo pela primeira vez dá mais nova força do carnaval da Bahia! Emocionado", disse Caetano na legenda de uma foto publicada em seu Instagram.

Baiana System arrastou uma multidão no circuito Barra-Ondina. Caetano assistiu ao grupo acompanhado da mulher, Paula Lavigne, e de João Vicente de Castro.










11/2/2018 - Fotos: Fernando Torres





Sociedade
Opinião
Os afros pedem passagem
por Felipe Milanez — publicado 12/02/2018

Mesmo com dificuldades financeiras, blocos afro ganham as ruas de Salvador e fazem contraponto ao Carnaval elitista das cordas 

Caetano Veloso ao lado da Yá Nívia Luz, do Terreiro Ilê Axé Oyá, de onde sai o bloco Cortejo Afro

Como é lindo de se ver os blocos afros passarem no carnaval de Salvador. Com todas as dificuldades financeiras, falta de patrocínio, falta de apoio público, os lindos blocos afro conseguiram vencer as dificuldades e sair no carnaval. E a luta anti-racista e por igualdade, hoje um contraponto ao carnaval racista e elitista das cordas, balançou os principais circuitos.

Teve a vibrante saída do Olodum, na sexta-feira, no Pelourinho; teve a mágica saída do Ilê Aiyê na ladeira do Curuzu, com a benção dos orixás; teve Malê Debalê arrasando em um carnaval feminista, com o tema: “Nzinga, Jokanas e Franciscas: um poder feminista”; teve Nego Fugido — um ritual do Recôncavo da Bahia que celebra a luta negra contra a escravidão — homenageado no bloco Filhos do Congo. E no elegante e lindo Cortejo Afro, Caetano Veloso cantando “Milagres do Povo” do alto do trio elétrico numa rara aparição no carnaval.

Ao lado da Yá Nívia Luz, do Terreiro Ilê Axé Oyá, de onde sai o bloco Cortejo Afro, e da fantástica cantora Mariene de Castro, Caetano cantou com força que fazia sua voz suave iluminar a Barra, declamando os versos anti-racistas de sua música:

“E o povo negro entendeu que o grande vencedor / Se ergue além da dor / Tudo chegou sobrevivente num navio / Quem descobriu o Brasil? / Foi o negro que viu a crueldade bem de frente / E ainda produziu milagres de fé no extremo ocidente”.

Mariene de Castro e Caetano cantando na Barra era um perfume para os ouvidos — às vezes abafado por tantos outros sons que se misturam no ar de Salvador nessa época.

O Cortejo Afro, fundado por mãe Santinha de Oyá, completou 20 anos de existência nesse carnaval. E para celebrar essas duas décadas de existência e resistência, o presidente Alberto Pitta, artista plástico e designer, desenhou uma fantasia sofisticada, com grafismos afro e a letra da música de Caetano. Como é lindo de se ver as fantasias do Cortejo desenhadas por Alberto Pitta!
Para enfrentar a falta de apoio e patrocínio, o Cortejo lançou uma campanha de arrecadação pela internet — que eu contribuí para ganhar de lembrança a fantasia e participar do desfile.

A Ialorixá do Ilê Axé Oyá, Nívia Luz, neta de mãe Santinha e mestranda na UFBA em Cultura e Sociedade, escreveu o artigo abaixo para esta coluna, para celebrar a existência desse lindo bloco que embeleza Salvador na luta anti-racista, contra a LGBTfobia, a Transfobia, e todas as intolerâncias.


Axé!
Paz neste Carnaval para todas e todos!
Feliz 2018







O FUXICO
Carnaval 2018
11/02/2018
Publicado por: Andréia Takano


CAETANO VELOSO CANTA NO CORTEJO AFRO

Cantor participou do Circuito Dodô, em Salvador

Na noite deste domingo (11/2), Caetano Veloso emocionou os foliões ao cantar no Cortejo Afro, no Circuito Dodô, em Salvador.Em cima do trio elétrico, Caetano foi homenageado pelo cortejo e soltou a voz ao lado da cantora Mariene de Castro.


Fotos: Jackson Martins-agfpontes - Divulgação










A TARDE

Carnaval

Terça, 13/02/2018 

Caetano faz participação surpresa em homenagem a Moraes Moreira

Da Redação

Caetano surpreendeu cantando 'A Filha da Chiquita Bacana' e 'Chame Gente' com os anfitriões

O cantor e compositor Caetano Veloso fez uma aparição surpresa no tributo em homenagem aos 70 anos de Moraes Moreira, intitulado '70 Carnavais', nesta segunda-feira, 12, no Pelourinho. Estiveram presentes também no evento, Alexandre Leão, Moreno Veloso e Davi Moraes.

Cantando juntos pela primeira vez, os artistas apresentaram um repertório com clássicos dos antigos carnavais como 'Zanzibar', 'Chão da Praça' e 'Lá vem o Brasil Descendo a Ladeira'.

Já Caetano surpreendeu cantando 'A Filha da Chiquita Bacana' e 'Chame Gente' com os anfitriões.




Carnaval


Da Redação
redacao@redebahia.com.br
13.02.2018, 10:48:00

Caetano Veloso faz participação surpresa em show no Pelourinho

Show de Alexandre Moraes, Moreno Veloso e Davi Moraes homenageou Moraes Moreira

Divulgação - Alexandra Martins Costa
Caetano Veloso, um dos destaques do movimento Tropicalista, fez participação especial surpresa no show que homenageou Moraes Moreia, no Largo do Pelourinho, na noite desta segunda-feira (12). O cantor se juntou a de Alexandre Moraes, Moreno Veloso e Davi Moraes em tributo ao ex-integrante dos Novos Baianos. Em 2017, Moraes Moreira foi definido por Caetano Veloso como o verdadeiro pai da axé music.

Num show inesquecível na penúltima noite do carnaval, os artistas trouxeram um repertório com clássicos dos antigos carnavais como Zanzibar, Chão da Praça, Lá vem o Brasil Descendo a Ladeira, Deusa do Amor, Toda Menina Baiana, Depois que o Ilê Passar, Pop Zen e Na Massa, além de um pot-pourri com sambas de roda do recôncavo.

“Nada melhor do que trazer o filho de Moraes para tocar num show em homenagem ao pai. Foi bem legal a ideia de nos juntar porque na verdade nunca fizemos show juntos. É a primeira vez e estou muito feliz. Trouxemos músicas nossas e algumas coisas do universo de Armandinho e Gerônimo, que também não podia ficar de fora”, confessa Alexandre Leão, sobre a idéia de convidar Davi Moraes, filho de Moraes Moreira, para participar do projeto idealizado por ele e Moreno Veloso.

O tributo que foi intitulado 70 Carnavais, uma homenagem aos 70 anos de Moraes Moreira, é uma declaração de amor ao carnaval, que já foi intitulada de ‘Moraes Carnaval Moreira’, por Moraes ser considerado o criador do moderno carnaval baiano, fazendo a composição entre o elétrico e o acústico. O show contou com a participação especial de Caetano Veloso, numa aparição surpresa, onde dividiu o palco com os anfitriões, cantando A Filha da Chiquita Bacana e Chame Gente.


Carnaval da Cultura

O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. 

É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca e Carnaval Ouro Negro.

A programação completa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br  e www.carnaval.bahia.com.br.




Foto: Alexandra Martins Costa  / GOVBA - Divulgação

Empolgado, Caetano Veloso sobe ao palco e canta com o filho, Davi Moraes e Alexandre Leão
Animado, o cantor de 75 anos participou da homenagem a Moraes Moreira

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)
13/02/2018

Com o Largo do Pelourinho lotado, os cantores Alexandre Leão, Moreno Veloso e Davi Moraes fizeram o show "70 Carnavais", em homenagem aos 70 anos de Moraes Moreira, na noite de segunda-feira (12).


Moraes Moreira é homenageado em show no Largo do Pelourinho
Foto: Alexandra Martins Costa

Animado, o cantor e compositor Caetano Veloso acompanhava a apresentação de uma sacada, não resistiu, subiu ao palco e decidiu dar uma "palhinha" ao lado do filho e dos outros dois artistas.



Foto: Divulgação Secom