lunes, 29 de enero de 2018

1984 - DIRETAS JÁ


Será que nunca faremos senão confirmar
A incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?

Será, será que será que será que será
Será que esta minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir
Por mais zil anos?


"Fui totalmente simpatizante e participante da campanha pelas diretas, por duas razões: porque ela expressa o desejo de votar para presidente da República e depois porque é um modo civilizado, calmo, de demonstrar que a gente não acredita que a Revolução de 64 veio para salvar o Brasil de alguma coisa má. Que por mais enganados que pudessem estar alguns dos líderes dessa evolução a esse respeito, as reformas que o Brasil necessitava - e continua necessitando, talvez mais do que nunca - e os desejos da população para que essas reformas fossem realizadas, a Revolução de 64 veio como uma violentação repressora desses desejos. Por outro lado, a gente ouve falar do dinheiro norte-americano envoívido em golpes de estado na América do Sul. Tuda isso faz com que a gente, mesmo não sendo político, atuante, sinta que, embora a Revolução de 64 expresse algo que também é o Brasil, a meu ver, não expressa o Brasil' que nós desejámos." 
[Caetano Veloso, 30/6/1984, Revista Manchete. Reportagem a Mitico Yoshijima]



Diretas Já foi um movimento político democrático com grande participação popular que ocorreu no ano de 1984. Este movimento era favorável e apoiava a emenda do deputado federal Dante de Oliveira [PMDB-MT] que restabeleceria as eleições diretas para presidente da República no Brasil.



Dante de Oliveira - Foto: A. Dorgivan - CPDoc JB

Durante o movimento ocorreram diversas manifestações populares em muitas cidades brasileiras como, por exemplo, passeatas e comícios. Estes eventos populares contaram com a participação de milhares de brasileiros.

O movimento das Diretas Já contou com o apoio de diversos políticos da época como, por exemplo, Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, José Serra, Mário Covas, Teotônio Vilela, Eduardo Suplicy, Leonel Brizola, Luis Inácio Lula da Silva, Miguel Arraes, entre outros. Teve também a participação de artistas, jogadores de futebol, cantores, religiosos, etc.


O maior comício realizado na cidade de Salvador foi promovido pelo PMDB com 15 mil pessoas, com a participação de Tancredo Neves (governador de Minas Gerais), Ulisses Guimarães, Caetano Veloso, Lídice da Mata e Domingos Leonelli.



20/1/1984 - Tancredo Neves e Caetano Veloso - Foto: Crildo Lima



FOLHA DE S.PAULO
Sábado, 21 de janeiro de 1984

Rubens Artigas e Vicente de Paula
Repórteres da Sucursal de Salvador


Em Salvador comício reúne vinte mil

A capital baiana realiza comício em praca pública exigindo a volta do pleito direto

Cerca de 20 mil baianos reuniram-se ontem à noite na praça Municipal, em Salvador, para o comício pelas eleições diretas.

No palanque, estavam políticos como o deputado Ulisses Guimarães presidente do PMDB; o gobernador de Minas, Tancredo Neves; o prefeito de São Paulo, Mário Covas; o líder peemedebista na Câmara, Freitas Nobre, ao lado de Miguel Arraes, Caetano Veloso e Gonzaguinha.

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A tarde, ao chegar a Salvador, depois de dizer que sua posição é a mesma do PMDB, a favor da volta das diretas, o gobernador Tancredo Neves foi convidado pelo cantor Caetano Veloso a visitar a lagoa do Abaeté. Caetano reclamou contra a devastação da área e disse a Tancredo que o consideraba “o maior político brasileiro do momento”.

Ao visitar as dunas do Abaeté, Tancredo observou ser necessário preservar uma das áreas mais bonitas de Salvador, dizendo que se engajava na campanha promovida por Caetano Veloso.

Caetano Veloso foi incisivo ao afirmar que a última vez que votou foi no marechal Lott, o adversário de Jânio Quadros nas eleições de 1960. “Depois disso nunca mais tive a alegría de votar para presidente. Precisamos acabar com essa tradição de países da América do Sul de sempre serem dominados por regimes de força”.

Para Caetano Veloso, Tancredo Neves é o seu candidato à presidencia da República, por considerá-lo “o maior político brasileiro no momento”. Lembrou que gostou muito de um debate do gobernador mineiro com o exsenador Jarbas Passarinho, na televisão. E também o considera “super-politissíssimo”.




25/1/1984



Fernando Henrique Cardoso, Mora Guimarães (mulher de Ulysses Guimarães), Lucy Montoro, Franco Montoro e Lula 

25/1/1984 - Chico Buarque - S. Paulo


Gilberto Gil e Regina Duarte


Gilberto Gil, Alceu Valença e Regina Duarte


Bruna Lombardi e Carlos Alberto Riccelli

25/1/1984 - Fafá de Belém  anima comício pelas Diretas Já, período em que se transformou na musa do movimento - Foto: João Pires







9/10/1984

Lançamento do Comitê Jovem do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) durante campanha de Tancredo Neves à presidência da República.


Djavan e Caetano Veloso
Foto: José Renato / O Globo - Estúdio/Agência


Fotos: Acervo do CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil

Caetano Veloso e Ziraldo - Foto: José Renato / O Globo - Estúdio/Agência



Hugo Carvana - Foto: José Renato / O Globo - Estúdio/Agência





10/4/1984 - Chico Buarque - Rio de Janeiro


Bibliografia


LEONELLI, Domingos, e OLIVEIRA, Dante. Diretas Já, 15 meses que abalaram a ditadura. Rio de Janeiro, Editora Record, 2004. 643 pág.


Para lembrar os 20 anos de ''Diretas Já'', dois de seus principais personagens contam em detalhes os bastidores de um dos maiores movimentos populares do Brasil. Dante de Oliveira e Domingos Leonelli contam histórias divertidas - como a briga da Fafá de Belém no comício da Candelária, no Rio - que se misturam às (auto) críticas, análises e à memória destes dois políticos que participaram ativamente das articulações da campanha até abril de 1984, quando a Emenda Dante de Oliveira foi votada. Aliás, a obstinação de Dante em conseguir assinaturas para que Emenda chegasse à Câmara dos Deputados foi tão grande que acabou ganhando, de Ulysses Guimarães, o apelido de 'mosquito elétrico'.
O tema é presentado em 15 capítulos mês (Jan-84/Abr-85).




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