martes, 22 de agosto de 2017

1997 - TROPICÁLIA



1997 – TANTRA [Fred Nascimento / Gian Fabra / Marcelo Wig]
Participação Especial: CAETANO VELOSO

Videoclipe dirigido por Monique Gardenberg. Gravado em junho de 1997.
O clipe recria a obra “Tropicália” de Hélio Oiticica, assim como as máscaras sensoriais de Lygia Clark e outras referencias tropicalistas, participam Jorge Mautner, Gilberto Gil, José Celso Martinez Corrêa, Marco Nanini e Elisa Lucinda

Concorreu ao VMB (Premio Video Music Brasil) daquele ano na categoria banda revelação.

A releitura de "Tropicália", de Caetano Veloso, com arranjo que destaca as guitarras, foi destaque do álbum  de estréia do Tantra: "Eles não eram nada", produzido por Liminha.



1977 - A OUTRA BANDA DA TERRA


“Não se sabe ainda ao certo se A Outra Banda Da Terra
existe. O que há, entretanto, pintou por causa de Vinícius
e Arnaldo terem incrementado o hábito de fazer som
comigo, em casa, sem arranjos nem planos definidos. Hábito
a que aderiu Rubão. Isso me fez muito bem e me honra
muito. Quisemos tocar em público. Convidamos Tomás.
E Marcos. E Serginho deu uma supercanja que multiplicou
por mil o brilho do nosso show. Para o disco, convidamos
Bira e Bolão “Muito Romântico” é a única
faixa-satélite-artificial [por culpa minha] de brilho propio
[por culpa da competência e inspiração de Perna]”

[Caetano Veloso, texto na contra-capa do álbum Muito - Dentro da Estrela Azulada, 1978]





A OUTRA BANDA DA TERRA


Tomás Improta
Arnaldo Brandão
Vinicius Cantuária
Marcos Amma
Bira da Silva
Bolão




"... Em dezembro de 1977, o mistério poderia ser esclarecido mais facilmente do que se imaginava. Bastaria comprar ingresso e correr para o show de Caetano Veloso, no Teatro Clara Nunes, Shopping da Gávea, zona sul carioca..."

" ... Embora a imprensa não tivesse oficializado ainda, no show do Teatro Clara Nunes o grupo finalmente foi apresentado da forma que ficaria conhecido na história: A Outra Banda da Terra..." [CAETANO - uma biografia, Pág. 296]




Janeiro de 1978
Jornal de Música



Foto: Paulo Ricardo



Caetano num show integral e natural

Antônio Carlos Miguel


Eu tinha gostado do Bicho Baile Show, de Caetano com a Banda Black Rio, mas este show atual é bem superior. Tem mais a ver com toda transação caetânica. Se em Bicho a atmosfera parecia um pouco forçada, apesar do repertório e dos ótimos músicos da Banda - o melhor grupo instrumental de 1977 - neste novo show Caetano está bem natural, com todo pique e toda suavidade peculiar.

Bicho foi em parte um trabalho conceitual que demonstrava a vontade de Caetano em fazer uma música mais próxima à dança e origens afro-brasileiras. Talvez por isso mesmo o destaque maior foi para a Banda. Havia por parte de Caetano interesse em dar força à música instrumental. Para todas essas ideias se completarem integralmente faltou um melhor entrosamento entre os dois trabalhos. A música de Caetano soava um pouco estranha, não se adaptando aos arranjos 'Black Rios'.


Este é um problema que não existe neste novo show, a impressão é de que estamos em casa. Tecnologia integral e natural. Mesmo voltando ao esquema 'banquinho-violão' temos um espetáculo solto e descontraído. Caetano está tranquilo, conversando bastante com o público, transmitindo toda sua segurança frágil. O show utiliza poucos recursos, nenhum cenário e uma iluminação discreta. Os músicos que o acompanham se integram neste clima todo. Alguns deles têm um contato bastante intenso com Caetano, Arnaldo Brandão (baixo e violão de 7 cordas) e Vinícius Cantuária (bateria e guitarra acústica) participaram do disco Bicho e tocam em 'jam sessions' caseiras; este também é o caso de Tomás Improta (piano acústico e elétrico). Na percussão está Marcos Amma. Nesta apresentação no Teatro Clara Nunes - este show já tinha sido apresentado no Teatro do Instituto de Educação e na Concha Verde (1) - há ainda a participação superespecial de Sérgio Dias Baptista (guitarrista dos Mutantes).

O show começa com uma série de músicas acústicas, 'Leãozinho' é a primeira, na segunda música são apresentados os músicos e entra em cena dando 'uma supercanja', Sérgio. Enquanto Caetano canta Sérgio preenche todos os espaços e voa alto com seus solos mutantes. São apresentadas algumas composições novas, inclusive 'Sampa', o samba que Caetano fez para São Paulo... 'o samba é hoje em dia uma música típica de São Paulo'. Em seguida vem 'Rio'. Estas duas músicas já bastam para mostrar que ele continua sendo o mais instigante poeta/letrista na música brasileira. Algo como a loucura da lucidez. Antes do intervalo uma homenagem a Dylan, todos cantando 'Don't think twice, it's all right'.

Na segunda parte, só ao violão, Caetano interpreta alguns 'standards' da MPB: 'Quem Vem da Beira do Mar' (Dorival Caymmi), 'Eu Sei Que Vou Te Amar' (Tom Jobim/Vinícius de Moraes) e 'De Você Eu Gosto' (Tom Jobim/Aloysio de Oliveira).

No final, com o grupo novamente, são apresentados, entre outras, 'Tigresa', 'Um Índio' e a incrível 'Muito Romântico' - gravada por Roberto Carlos em seu último disco. A interpretação de Caetano tem muita garra, superando a gravação de Roberto. Sérgio contribui com um lindo solo, que desta vez o obriga a se levantar da cadeira - até então ele tinha tocado sentado, com um painel de pedais.

O trabalho do grupo está perfeito. Arnaldo segura no baixo, Vinícius, além da bateria, dando uma boa ajuda nos 'backing vocals' e na guitarra acústica. Outro destaque para o trabalho de Tomás Improta no piano, com solos saborosos em contraponto ao canto de Caetano - por exemplo a música 'Love, Love, Love' - e a guitarra de Sérgio.

Fechando o show, não podia faltar, 'Odara'



(1) Projeto “Quem Sabe, Sobe” na Concha Verde do Morro da Urca do Pão de Açúcar, com dezenas de atrações nacionais e internacionais produzido por David Tygel.



domingo, 20 de agosto de 2017

2016 - ATÉ PENSEI QUE FOSSE MINHA - ANTÓNIO ZAMBUJO


O Estado de S. Paulo

Caetano Veloso:
Encontrei o Zambujo mais metálico e ibérico que se possa imaginar
Músico escreve sobre "Até Pensei que Fosse Minha", disco do português António Zambujo com versões de canções de Chico Buarque

Caetano Veloso, Especial para O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2016

António Zambujo - Foto: Thiago Cação/Divulgação

Suponho que este seja o primeiro álbum de um cantor português composto apenas de canções brasileiras. Estou seguro de que ele é o primeiro disco lusitano dedicado a um só autor brasileiro de canções. Isso já seria notícia de ampla repercussão em minha alma americana e mestiça. Mas é muito mais: trata-se de canções de Chico Buarque cantadas por António Zambujo. Muito da elegância do estilo desse moderno fadista se deve a sua atenção à música popular do Brasil (ele já nos deu belíssimas versões de Lábios que Beijei, de Último Desejo, de músicas de Caymmi e de Noel). Quando me informaram da existência de tal coletânea, cheguei a sonhar que os aspectos Dick Farney que se pode encontrar tanto em certas composições de Chico quanto em algumas interpretações de Zambujo viessem a se potencializar mutuamente num ou noutro momento. Mas as coisas interessantes sempre surpreendem – e encontrei o Zambujo mais metálico e ibérico que se possa imaginar redesenhando as palavras e as notas de Chico. A delicadeza dos arranjos (a começar pelo belo fraseado líquido dos contrapontos de Futuros Amantes) abraça um Zambujo cortante, os harmônicos agudos de sua voz brilhando por entre as marolas. Algumas vezes entra-se no samba (não sem que as sonoridades de choro e de fado se façam notar), mas são as canções ternárias e as que se transformam em prelúdios que parecem dar o tom. As participações de Roberta Sá (brasileiríssima) e Carminho (superfadista), ambas de refinada musicalidade, trazem mais beleza para dentro da cúpula sonora. E a entrada da voz do próprio Chico (em Joana Francesa) leva o ouvinte a grande exaltação, como se a geografia e a história dos nossos países se encarnassem, unificadas, no canto duplo (que é o único em todo o disco onde se ouve outra língua – o francês), como que iluminando a força de Tanto Mar, faixa em que Chico, não estando a cantar, parece mais pessoalmente presente. Mas, para além das particularidades de cada interpretação, é a imensidão da obra de Chico que arrebata quem ouve. Essa obra tão deslumbrante que cada um de nós até pensa que é sua. Zambujo evita algumas próclises, brasileiríssimas, certamente para não se sentir inautêntico ou pouco à vontade: faz questão de manter a verdade do tom coloquial português. Mas a nossa língua só se engrandece com esse trabalho. No timbre e na prosódia lusitana de António as canções de Chico (escolhidas em períodos diferentes das muitas décadas de composição) parecem postas numa perspectiva que dá ao brasileiro uma tomada de distância – no espaço e no tempo – que o leva às lágrimas, assustado que fica com a nova evidência da sua grandeza.





1983 - 15 anos do TROPICALISMO




1983
Revista Manchete
n° 1.609 - 19 de Fevereiro de 1983
Bloch


Páginas 78-85














 
 
 






 
 
 

1977 - CAETANO NA DANÇA