jueves, 27 de julio de 2017

2002 - COMPOSITORES PARTICIPAM DE ENCONTRO COM LULA






São Paulo, quinta-feira, 2 de maio de 2002.


QUALQUER COISA

Compositores participam de encontro com Lula no Rio, que foi organizado por Frei Beto

Caetano agora declara que prefere Ciro

MURILO FIUZA DE MELO
DA SUCURSAL DO RIO



Depois de votar em Fernando Henrique Cardoso por duas vezes e declarar apoio a Lula (PT) recentemente, o cantor Caetano Veloso disse ontem à noite que nutre maior simpatia pelo presidenciável do PPS, Ciro Gomes: "Eu sou mais o Ciro mesmo", disse ele pouco antes de participar de um encontro com Lula.

Organizado por Frei Beto, o encontro ocorreu no apartamento do cantor e compositor Gilberto Gil, em São Conrado, e reuniu também Chico Buarque, Djavan, Wagner Tiso, o rapper MV Bill e Paula Lavigne, mulher de Caetano. Lula chegou às 19h30, acompanhado do presidente do PT, José Dirceu.

Apesar de sua simpatia por Ciro, Caetano disse que ainda estava indeciso entre ele, Lula e José Serra (PSDB). Sobre Anthony Garotinho (PSB), ele foi irônico: "Esse eu nem me lembro".

Caetano criticou os relatórios dos bancos de investimento Merryll Linch e Morgan Stanley, que rebaixaram a recomendação para negócios com títulos brasileiros devido ao crescimento de Lula, e citou artigo publicado ontem na Folha em que o colunista Janio de Freitas escreveu que não só Lula, mas também Ciro, Serra e Garotinho não deverão se afinar com os bancos.

Caetano e Gil votaram em Leonel Brizola (PDT) no primeiro turno de 1989. No segundo turno, optaram por Lula contra Fernando Collor de Mello (PRN). Em 1994 e 1998, os dois votaram em Fernando Henrique Cardoso. Em 1994, Gil chegou a visitar FHC em seu apartamento na rua Maranhão, em São Paulo.


No fim de 2001, logo depois de ter equipamentos musicais roubados num assalto no Rio, Caetano declarou voto em Lula, no que foi seguido por Gil. Dias depois, quando o equipamento foi recuperado pela polícia carioca, Caetano disse que, por simpatizar com FHC, estava indeciso.



São Paulo, sexta-feira, 3 de maio de 2002.

EXPRESSO 2002

Lula chama Brizola de "desagregador maior" e ouve dúvidas sobre estabilidade política

Petista pede "aliança cultural" a artistas
PLÍNIO FRAGA
DA REPORTAGEM LOCAL

Da esq. para a dir. Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Lula, Djavan, Wagner Tiso e MV Bill durante encontro no Rio

O pré-candidato petista à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, pediu apoio de artistas para a elaboração do projeto para a área de cultura do partido e pregou uma ampla "aliança cultural, política e econômica" em torno do PT, em encontro de três horas e 25 minutos, anteontem à noite, no Rio, no apartamento do cantor e compositor Gilberto Gil.

No dia em que Fernando Henrique Cardoso advertiu-o para evitar o "salto alto", o petista não fez referências ao presidente. A única crítica foi para o ex-governador do Rio Leonel Brizola (PDT), chamado de "desagregador maior" pelo petista.

O encontro, previsto para as 18h, começou com uma hora e 40 minutos de atraso. Lula lamentou a ausência de Maria Bethânia -que não compareceu por ter compromissos na Bahia- e explicou por que decidiu ser candidato pela quarta vez.
Afirmou que, depois da derrota em 1998, havia "enterrado" seu projeto de disputar a Presidência. Insistiu em que aceitou entrar na disputa porque o partido o indicou. Citou os 86,4% dos votos que teve na prévia petista.

Disse que o PT quer reunir forças para que o brasileiro e o jovem, em particular, revertam a falta de auto-estima e de esperança, apontada como uma das razões da criminalidade. Em casa de baianos, citou como exemplo a contradição entre a bela orla de Salvador e a taxa de criminalidade da região central.

MPB e hip hop
Participaram do encontro -no apartamento de Gil, em São Conrado (zona sul do Rio), no prédio em que morava o presidente João Baptista Figueiredo- 22 pessoas. Além de Gil e a mulher, Flora, estiveram presentes Chico Buarque, Caetano Veloso, Paula Lavigne, Djavan, Wagner Tiso, o rapper MV Bill e o empresário de grupos de hip hop Celso Athayde. Os dois últimos foram levados por Caetano.

Caetano e Gil perguntaram a Lula com que alianças, nos partidos e na sociedade civil, ele pretende governar. Gil, que foi cotado para assumir o Ministério do Meio Ambiente de FHC na reforma de março, acenou com a possibilidade de uma aliança PT-PV, do qual é filiado.

Caetano disse que via um "risco natural" numa eventual vitória de Lula, que seria um voto forte pela mudança, provocando expectativas maiores do que a eleição de qualquer outro. Afirmou que eleição não é revolução e que a expectativa exagerada poderia causar frustração. Chico concordou com essa análise.

Lula respondeu ter consciência dos riscos e disse esperar dificuldades até dentro do PT. Afirmou que, por essa razão, tenta apoio dos mais diversos setores.

Raí para vice
O petista disse que precisava aumentar o apoio feminino à sua candidatura. Em tom de brincadeira, uma das mulheres presentes sugeriu o ex-jogador Raí como candidato a vice.

Não houve pedido de voto nem declaração aberta no encontro, à exceção do empresário Celso Athayde, que disse ver no petista alguém que tem mais chances de entender a fome e a violência, e do rapper Athayde, que classificou a opção Lula como "voto de esperança".

No balanço dos participantes, Caetano e Djavan mostraram-se em dúvida sobre em quem votar. Chico, Gil e Wagner Tiso estão decididos a apoiar Lula.

A pedido de Gil, o presidente do PT, José Dirceu, comentou a proposta de política externa do partido, repetindo que pretende buscar maior independência dos EUA com a conquista de novos mercados. Depois, relatou a política de alianças amplas que tenta articular e traçou um cenário positivo para elas. "O Zé Dirceu é um otimista incorrigível", brincou Lula.



Colaboraram
MÔNICA BERGAMO, colunista da Folha, e
CLAUDIA ANTUNES, da Sucursal do Rio

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