jueves, 18 de mayo de 2017

2017 - CAETANO - uma biografia [2]



“Se a obra não polemiza, ela também não é chapa branca”
[Manoel Lauand]






iG / Lu Lacerda
 
“Caetano – Uma biografia”: mesmo não autorizada a livraria ficou cheia
04/05/2017 

Marcio Nolasco e Carlos Eduardo Drummond: autores lançam biografia sobre Caetano Veloso, que não apreciou o texto, mas encheu a livraria / Foto: Daniel Delmiro

Depois de 11 anos engavetado, o livro “Caetano – Uma biografia“, de Carlos Eduardo Drummond e Márcio Nolasco, foi lançado nessa quarta-feira (03/05), na livraria da Travessa do Shopping Leblon. O cantor preferiu não se envolver com o projeto, por isso a biografia sai com o status de “não autorizada”, mas o próprio escritório, que tem à frente a mulher do artista, Paula Lavigne, permitiu o uso de fotos, como a da capa.

Os autores se dedicaram de 1997 a 2004, com pesquisas e histórias que vão a partir da infância. Quando Caetano leu o texto, não apreciou pelo uso repetitivo de chavões, mas “ele não quer fazer propaganda contra”, segundo Paula. A livraria encheu para conhecer o novo trabalho sobre o rei da Tropicália.



3/5/2017 - Rio de Janeiro


13/5/2017 - São Paulo, os autores com Manoel Lauand e Luciana Frateschi




O GLOBO
Coluna
Parada Obrigatória
Christovam de Chevalier
13/4/2017
Um personagem superbacana
Biografia de Caetano Veloso vai fundo na história da família do cantor e sua infância na Bahia. ‘Livro não é chapa branca’, garante editor 

Sai em maio a biografia de Caetano Veloso, escrita por Carlos Eduardo Drummond e por Marcio Nolasco. As pesquisas para “Caetano — Uma biografia” (Seoman) começaram em 2004, e o resultado é rico em informações sobre a história dos Veloso e a infância do artista. Mãe do cantor, Dona Canô, que morreu em 2012, foi uma das fontes ouvidas em Santo Amaro da Purificação, cidade natal de Caetano, onde também foram entrevistados ex-colegas de colégio do compositor. “Se a obra não polemiza, ela também não é chapa branca”, analisa o editor Manoel Lauand. 

E TEM MAIS...

Mesmo sem conhecer o resultado do livro (o cantor só receberá seu exemplar nos próximos dias), Caetano autorizou o uso de sua imagem na capa (foto), em clique de Thereza Eugênia, e nas do miolo. O artista pediu somente para saber em quais contextos as imagens estariam inseridas e, para tanto, teve acesso a resumos dos capítulos. O lançamento no Rio é dia 3 de maio na Travessa do Shopping Leblon.
 




Correio Braziliense

7/5/2017

Biografia de Caetano Veloso detalha a trajetória de um astro da MPB


Livro 'Caetano - Uma biografia', de Carlos Eduardo Drummond e Marcio Nolasco, impressiona pelos detalhes

Irlam Rocha Lima 


Obra demorou 20 anos para ter a publicação autorizada - Phono 73 (Foto: Thereza Eugênia)

O que mais impressiona em Caetano — Uma biografia, escrita por Carlos Eduardo Drummond e Marcio Nolasco, é a riqueza de detalhes sobre a vida e a carreira artística de um dos nomes mais icônicos da cultura brasileira. A aprofundada pesquisa, feita pelos dois, os levou a entrevistar mais de 100 pessoas ligadas direta ou indiretamente ao cantor e compositor baiano, em diferentes cidades brasileiras — de Santo Amaro da Purificação, terra natal, ao Rio de Janeiro, que o acolheu nos anos 1970.


Do processo de criação, iniciado em 1997, até o lançamento recente pelo selo Seoman, do Grupo Editorial Pensamento, passaram-se duas décadas. 

Explica-se: quando ficou pronta, há 14 anos, não houve a autorização para que ela chegasse às lojas. A possibilidade para que isso ocorresse surgiu com a decisão do Supremo Tribunal Federal, em 2015, ao derrubar a questão da defesa de autorização prévia para a publicação de biografias. Mesmo assim, a obra saiu como biografia não autorizada — “mas não desautorizada”, segundo os autores. Aliás, Caetano e Paula Lavigne, mulher e empresária do artista, consentiram o uso das fotos, como a da capa.


Na biografia, que traz como subtítulo A vida de Caetano Veloso, o mais doce bárbaro dos trópicos, Drummond e Nolasco não se propõem a fazer análise do legado do tropicalista. A competência de ambos aflora na descrição, ao contar, com minúcias, as histórias — algumas, pouco ou nada conhecidas — desse rico personagem.


É perceptível o rigor que eles se impuseram ao transpor para o livro a trajetória artística de Caetano, desde quando, ainda criança, subiu ao palco pela primeira vez, abrindo um show do então ídolo seresteiro Sílvio Caldas, no Cine Teatro Subaé, em Santo Amaro; até a participação na cerimônia de entrega do Oscar, em 2003. A convite do ator Gael García Bernal, cantou os versos iniciais de Burn it blue (Eliot Goldenthal), canção da trilha sonora do filme Frida, de Julia Taymor.


Personagens que povoam o universo do artista também estão presentes. Dos pais, Zezinho e Canô, e a irmã — também famosa — Maria Bethânia a cineastas como Federico Fellini, Ingmar Bergman, Pedro Almodóvar e Glauber Rocha; passando por companheiros da Tropicália, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé e José Carlos Capinam. São lembrados ainda os emblemáticos festivais da TV Record; e a prisão e o consequente exílio, determinados pela ditadura militar.


A biografia vai até 2003. O que ocorreu depois é relatado, de forma sucinta, no posfácio. Com esse adendo, os autores buscam deixar claro que, “no decorrer do novo milênio, a obra de Caetano Veloso continua em progresso”.


Como surgiu a ideia da biografia?

Carlos Eduardo Drummond: a paixão em comum pela arte despertou o desejo de realizar um projeto em conjunto que nos desse orgulho de fazer. Naquele tempo, ousamos ao sonhar escrever a história de um ícone da cultura nacional, que ainda não possuía um livro abrangente sobre sua vida e carreira. Pensamos em alguns nomes e, no fim, chegamos a Caetano Veloso.

Vocês, antes de se aterem ao livro, acompanhavam a carreira do Caetano?

Márcio Nolasco: sim, mas apenas como admiradores de música em geral. Naquele momento, não tínhamos a real dimensão do alcance desse artista multifacetado, de vanguarda, e, até hoje, em profunda sintonia com a linha evolutiva da música popular brasileira.

Para escrevê-lo, foram movidos pela admiração pela obra do artista?

Carlos Eduardo Drummond: gostávamos das músicas dele, mas longe de sermos fãs incondicionais, tietes, etc. Acreditamos que essa característica permitiu o grau de distanciamento suficiente para não escorregar em uma idolatria desnecessária.

Efetivamente, a partir de quando passaram a trabalhar em cima desse projeto?

Carlos Eduardo Drummond: tudo começou em 1997.

Quais foram os passos iniciais?

Márcio Nolasco: definido que escreveríamos sobre Caetano, a minha mãe (dona Ana Marlene) foi fundamental, pois estudou na adolescência com Rodrigo Velloso, irmão do personagem. A amizade entre eles propiciou que iniciássemos os contatos para que o projeto tomasse forma. Assim, conseguimos entrevistar familiares e amigos, bem como ter acesso a todo o acervo oficial do artista, sob a guarda da fotógrafa baiana Maria Sampaio. Além disso, contamos também com a ajuda de outro grande nome da música brasileira, Roberto Menescal, com quem fizemos a primeira das entrevistas dos artistas, o que nos abriu portas para vários dos nomes com quem conversamos.

Impressiona a profundidade da pesquisa feita por vocês. Têm noção de quantas pessoas ligadas — direta ou indiretamente — ao Caetano serviram de fontes para esse trabalho?

Márcio Nolasco: entrevistamos mais de 100 pessoas com algum tipo de ligação. Também tivemos a colaboração de várias outras, como diretoras de instituições em que ele estudou, agentes que nos ajudaram a encontrar artistas, pessoas que nos forneceram documentação, telefones, endereços, apenas para citar alguns exemplos.

Que tipo de dificuldades enfrentaram no processo de apuração?

Carlos Eduardo Drummond: realizar um projeto como esse não é tarefa simples. Não tínhamos noção do quão complicado seria quando começamos. E olha que tivemos manifestações de que algo desse gênero em um país como o nosso seria impossível. Passamos por inúmeras dificuldades, mas todas ajudaram em muito para ganharmos experiência com o processo. Teve desde carro quebrado em Santo Amaro até pessoas que se negaram a falar conosco. Justiça seja feita, esses casos foram poucos e raros. Dividíamos o tempo de pesquisa com as nossas outras atividades profissionais e o resultado foram incontáveis fins de semana trabalhando no interior de bibliotecas e arquivos. E também viajamos com recursos próprios. De tão complexa, a história de vida do Caetano exigiu de nós uma pesquisa que, em dado momento, nos pareceu não ter fim.

Houve algo que quiseram saber, que ficou sem resposta?

Márcio Nolasco: a visão e a opinião das pessoas que não conseguimos entrevistar. Certamente, essas pessoas teriam muito a acrescentar à obra. Mas, de um modo geral, o que tínhamos em mente como meta em termos de abrangência foi concretizado. E, como optamos por realizar uma biografia descritiva e não analítica, procuramos abordar todas as principais passagens relevantes para a formação de Caetano, seja como pessoa ou como artista. Uma vez que a vida dele é riquíssima em episódios e interpretações, uma só biografia não é suficiente. Esperamos que agora se inicie uma nova era, que outras obras sejam lançadas e a nossa possa contribuir como fonte.

Algum aspecto da vida e da trajetória artística  tropicalista deixou de ser abordado?

Carlos Eduardo Drummond: procuramos fazer do modo mais completo possível, detalhando “onde”, “quando” e “como” os fatos aconteceram, sem nos apegar mos a análises críticas da obra e da postura do artista. Para alguém que está em plena produção no alto de seus quase 75 anos, vale dizer que, se abordássemos analiticamente cada canção, cada disco, cada gesto do artista, acabaríamos por gerar um livro que, de tão extenso, traria dificuldades até para sua manipulação.

O Verdade Tropical, livro escrito pelo Caetano, foi usado como fonte?

Márcio Nolasco: verdade tropical foi tão importante que, bem no início, chegamos a pensar em dar ao nosso o título de Outras verdades. Já que poderia soar pretensioso, como uma possível continuação do livro dele, que, aliás, ele já indicou ter intenção de fazer, buscamos outras opções até chegarmos ao título definitivo.

Incomodam os reparos feitos à obra por Caetano, Paula Lavigne e colegas da imprensa?

Márcio Nolasco: de forma alguma. Vivemos em uma democracia. O debate é natural, mesmo que muitas vezes polarizados em discussões quentes. Até quando há algum toque preconceituoso ou que transmita um gosto particular de determinado crítico, que gostaria de ver mais disso ou daquilo, ou gostaria que fôssemos mais específicos numa passagem, tudo isso tem de ser tomado como crescimento. Temos o nosso estilo e fomos fiéis a isso.




Caetano – Uma biografia (A vida de Caetano Veloso, o mais doce bárbaro dos trópicos)

De Carlos Eduardo Drummond e Marcio Nolasco. 
Lançamento da Editora Seoman. 
Preço: 59,90.





9/5/2017

Glamurama entrega foto inédita de Caetano cantando aos 18 anos

[Joyce Pascowitch]
Foto exclusiva mostra Caetano cantando em uma rádio em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, em julho de 1960 e a capa do livro “Caetano, uma biografia” || Créditos: Divulgação
 
Vinte anos depois de começar a pesquisa em Santo Amaro da Purificação, onde Caetano nasceu, saiu do forno o livro “Caetano, uma Biografia”, de Carlos Eduardo Drummond e Marcio Nolasco. Foi lá que eles entrevistaram a mãe, os irmãos, os primos, os amigos de infância e os professores do músico. Depois, colegas da escola, da faculdade e de profissão. Anônimos, famosos, celebridades, todos foram ouvidos com o mesmo cuidado e no total 103 pessoas servem de fontes para o livro que conta com 150 entrevistas.



Glamurama recebeu com exclusividade uma foto que deveria não só estar na publicação, como teria grandes chances de ser a foto de capa, mas, como chegou em cima da hora, infelizmente não pôde entrar. Trata-se de um retrato inédito de Caetano cantando na inauguração de uma rádio em Santo Amaro da Purificação, datada de julho de 1960 – quando ele tinha apenas 18 anos –, tirada por um fotógrafo não identificado. A imagem veio do acervo das primas Mariinha e Margarida e, na dedicatória à prima Mariinha, Caetano começa com a seguinte frase: Minha Inha, Eis uma foto do seu filho “cantor” (…)



O livro conta a origem de uma infinidade de canções e os bastidores das suas gravações, mas também fala da relação de Caetano com o cinema, com as artes plásticas, com o teatro e com a literatura. Aborda ainda as críticas, as polêmicas, as musas, os amores, os casamentos, os filhos e as grandes turnês internacionais. Vale lembrar que “Caetano, Uma Biografia”, é o primeiro livro biográfico não autorizado a ser publicado após alterações na Lei de Direitos Autorais e abrange a história completa do artista, passando por suas diferentes fases.



Aos fãs e curiosos, um booktour do livro com noite de autógrafos será armado em São Paulo. Tudo acontece neste sábado, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, a partir das 16h, com direito a pocket show da cantora Gil em “Tributo a Caetano”. O lançamento acontece também em Salvador, nesta quarta-feira, no Salvador Shopping.

 




ENTREVISTA COM O AUTOR
Editora lança biografia que Caetano Veloso vetou
Publicada:10/05/2017 16:20:00
Gustavo Gobbi, Redação/RedeTV!




Sabe-se que o processo de escrita de um livro, qualquer que seja o livro, nunca é simples. Passada a fase inicial, abre-se um universo de possibilidades com revisões, novas pesquisas e até mesmo opiniões de outros avaliadores. Dito isso, até mesmo o lento processo da escrita parece curioso se aplicado a "Caetano - Uma Biografia: A Vida de Caetano Veloso, o Mais Doce Bárbaro dos Trópicos", de autoria de Carlos Eduardo Drummond e Marcio Nolasco, lançado no início de maio pelo selo Seoman.


O livro não se provou uma 'luta' apenas para ser escrito - foram anos de pesquisas reunindo periódicos, livros, ensaios e entrevistas com mais de 100 pessoas -, mas também para ser lançado. Caetano barrou sua publicação e a obra só chegou ao mercado após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), quem em 2015 liberou o lançamento de biografias sem a necessidade de autorização dos biografados.


Para entender melhor o processo de pesquisa e produção de um material tão extenso a respeito de um dos artistas brasileiros mais importantes da história, o RedeTV Geek conversou com Carlos Eduardo Drummond, que falou sobre método, como o livro mudou aos longo dos anos e o impacto de Caetano na vida de dois homens que passaram tantos anos debruçados sobre a história do artista.


"Caetano" surgiu em 1997, do desejo dos autores em fazer "uma biografia de um grande músico da MPB que ainda não tivesse sido explorado". "Conhecíamos o Caetano, mas não profundamente. Tínhamos uma admiração, mas não éramos tietes", explica Drummond. A dupla optou por uma metodologia semelhante à usada por Ruy Castro e Fernando Morais em trabalhos como "Garrincha - A Estrela Solitária" e "Chatô - O Rei do Brasil".

"Foram seis anos de pesquisa de campo, coleta de periódicos e levantamento de bibliografias. A partir daí, iniciamos a fase das entrevistas - ao todo, 103 entrevistados -, toda baseada no alicerce desse estudo feito anteriormente." Uma palestra de Castro, no ano em que deram início ao trabalho, ajudou a clarear a metodologia a ser seguida: "Todo mundo sabe que o Caetano é um artista multifacetado, é um cara que atira para todo o lado. Com isso, se nós fôssemos conversar com todas as pessoas que conviveram com ele, que foram testemunhas, esse livro ia demorar 50 anos para ficar pronto. 

Elencamos cada fase de sua vida e colocamos peso igual em todas as fases, aí começamos a identificar essas pessoas."


Geraldo Vandré, notório recluso, por exemplo, custou a ser encontrado. Ele e Caetano possuem uma história conturbada: de acordo com relato do segundo no livro "Verdade Tropical", Vandré teria brigado com o baiano e com Gal Costa por conta da música "Baby". Vandré, em entrevista de 2000, ainda com o espírito polêmico intacto, disse que continua achando a música "uma mer**". Drummond descobriu um restaurante em São Paulo onde a presença de Vandré constante. Fez amizade com o garçom do local e foi atendido pelo cantor de "Para Dizer Que Não Falei das Flores" após duas outras tentativas frustadas de trazê-lo ao telefone. "Foi um diálogo um pouco surreal, ele me passou o celular de uma secretária e ainda se passou mais um ano e meio desde aquele contato para a gente fazer a entrevista. Em termos de conteúdo, ela [a entrevista] foi uma 'porcaria', mas valeu a pena por ter um diálogo com ele."


Houveram encontros memoráveis também com Jorge Mautner, que resultou em um incidente com um gato particularmente 'genioso' do músico, Maria Bethânia e Jards Macalé.


É dessa diferença de vozes que surge a personalidade de Caetano e aponta um caminho para sua vida. "No início, não conhecíamos ele profundamente. Uns poucos anos antes de iniciar a pesquisa, aos 21 anos, me assustei ao descobrir que Bethânia era irmã de Caetano. Depois de mergulhar na história dele, passei a admirá-lo principalmente por um Caetano que se desdobra em mais de uma pessoa. Ele é um artista que não tem preconceitos com relação à arte. Ele tem uma interlocução constante, com isso ele se enriqueze constantemente. Nesse sentido, ele leva vantagem com relação a outros artistas; um cara que fica focado em um único ritmo e não se mantém aberto a novas experiências, ele vai perder a oportunidade de se enriquecer culturalmente. Nesse sentido o Caetano nunca parou, ele tá sempre se reinventando. Ele é realmente a síntese da antroprofagia", explica Drummond.


No livro "Verdade Tropical", lançado por Caetano e que funciona como uma tentativa de explicar o movimento da Tropicália, que mexeu com o ambiente cultural do Brasil entre 1967 e 1968, anos em que obteve enorme força. O coletivo de artistas, entre eles Caetano, Gil, Mutantes, o maestro Rogério Duprat, buscou inserir elementos da música mundial na linguagem da MPB, numa tentativa de 'universalizá-la'.


O processo de pesquisa extenso permitiu, como já falamos, uma reavaliação da obra do artista sob os olhos de seus biógrafos, mas o que da carreira plural de Caetano surpreendeu Drummond? "O Caetano como artista plástico é extremamente interessante. Me surpreenderam suas habilidades. O livro apresenta um autorretrato feito por ele entre 1960/1961 que é muito bonito. 


Página 1: Autorretrato de Caetano Veloso feito em aquarela, no início dos anos 1960. Imagem cedida aos autores por Fernando Barros

No final, temos uma outra pintura excelente dele. Acho que Caetano poderia seguir muito bem o campo das artes plásticas. E também poderia ser um cara ligada ao cinema, um cineasta, como se provou com produções como 'O Cinema Falado'". A produção de 1986, única vez que Caetano dirigiu um filme, mescla experimentalismo e documentário com uma narrativa focada na palavra: prosa, poesia, filosofia e outras maneiras diversas da escrita.


No campo musical, Drummond elenca a fase com a A Outra Banda da Terra, que rendeu discos como "Bicho" e "Cinema Tropical" [nota do Blog: Cinema Transcendental], como a que mais lhe agrada. "Eles [a banda] incentivavam Caetano musicalmente. Ele sempre gostou muito musicalmente de Gil, Jorge Ben, e a A Outra Banda da Terra deixava ele muito à vontade. É uma produção muito intensa, variada, ensolarada, e curiosamente a partir desse período ele começou a vender mais discos."

Segundo consta, Caetano vetou o livro pois julgou texto de baixo valor literário. Chegou a convocar a ajuda do poeta Eucanaã Ferraz para auxiliar na produção, mas o escritor preferiu não se intrometer. Decidiu-se, então, pelo veto.


Passado tanto tempo de pesquisa e de trabalho, o trabalho não ia ser publicado se, em 2015, o STF não tivesse resolvido julgar a legalidade de biografias não autorizadas. A decisão pela autorização das publicações agradou Drummond: "Estávamos acompanhando o debate, especialmente para ouvir todos os lados. É importante pois, quando aconteceu a situação em 2004 [o veto de Caetano], não havia nenhum debate sobre o direito a liberdade de expressão e o direito de intimidade e privacidade. Isso me permitiu formar uma opinião sobre o assunto, ouvi todos os lados e nutria uma esperança de que houvesse uma mudança de lei no país. Não podia ser diferente. Se continuássemos do jeito que estávamos, a memória do país ia ficar nas gavetas, o livro jamais sairia sem isso."


Concluída uma empreitada que durou 20 anos, Drummond diz que tem "algumas coisas na cabeça", mas que ainda não fez planos mais específicos para o futuro. "Tenho muita resistência a me lançar a um projeto semelhante a esse, uma biografia de pessoa viva, por exemplo. Você percebe que passamos 20 anos nela. Se eu precisar desse tempo todo para escrever um livro, é algo que se torna inviável.  Tenho uma ideia específica de um livro, que eu nem sei se vou fazer com o Marcio, mas também devo seguir com projetos."




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