domingo, 5 de febrero de 2017

2005 - QUE FALTA VOCÊ ME FAZ

Fotos: Pedro de Moraes

 






O FUXICO

14/2/2005

Hebe entrevista Maria Bethânia




O "Programa Hebe" desta segunda-feira, dia 14, voltará a ser exibido ao vivo, a partir das 22h30, e receberá grandes nomes do cenário artístico para um bate-papo descontraído.

A cantora Maria Bethânia abre o coração para Hebe Camargo, em entrevista gravada no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Prestes a completar 40 anos de carreira, e normalmente avessa à entrevistas para a TV, Bethânia quebra o silêncio e fala sobre sua intimidade. Ela confessa ser tímida em frente às câmeras, conta detalhes do show "Tempo, Tempo, Tempo, Tempo - Uma Homenagem a Vinícius de Moraes", que estréia dia 24 de fevereiro no Canecão, ressalta sua paixão pela Cidade Maravilhosa, comenta a devoção a Nossa Senhora e a emoção de ter cantado na Basílica de Aparecida.

A cantora fala ainda, entre outros assuntos, da mãe, Dona Canô, da admiração pelo trabalho de Chico Buarque e do irmão Caetano Veloso, e recita o "Soneto da Fidelidade", de Vinícius.





UOL Música



15/2/2005


Maria Bethânia comemora 40 anos de "Carcará" com homenagem a Vinicius de Moraes



ANTONIO FARINACI
Editor de Música


Bethânia, que se projetou em 65 como intérprete de Carcará, no Opinião

A cantora mais dramática e teatral da MPB comemora os seus 40 anos de vida no Rio e do show "Opinião", que a projetou, com uma homenagem ao poeta da bossa nova, gênero por excelência intimista e contido. Maria Bethânia, 57, canta Vinícius de Moraes, no disco "Que Falta Você me Faz" e numa temporada de shows.

Não há, aí, nenhuma contradição, segundo explica a cantora: "A bossa nova era anti-drama, ou seja, anti-Maria Bethânia. Mas Vinicius, como poeta, e com seus parceiros, não fez canções só pra esse tipo de comportamento, e a minha escolha foi exatamente Vinicius escrevendo pra teatro, 'Orfeu'; Vinicius escrevendo dramaticamente, 'Modinha'", contou a cantora, durante coletiva pela Internet. "Eu não me modifiquei para cantar Vinicius, pois afinal foi esta cantora que sou que ele abraçou no primeiro dia em que me viu cantar".

Em 1965, aos 17 anos de idade, Bethânia desembarcou no Rio de Janeiro, vinda de Santo Amaro da Purificação, Bahia, para substituir Nara Leão no espetáculo musical e teatral "Opinião", que lançou seu nome para o grande público. E foi aí, nesse teatro, que a cantora e o principal letrista da bossa se conheceram, fato que marcou a vida da cantora para sempre.

Segundo Bethânia, Vinicius foi o "primeiro intelectual, grande figura da arte" que ela conheceu no Rio. "Nos olhamos e caímos na gargalhada, como se a gente se conhecesse a vida toda. Eu me surpreendi. Porque sempre fui louca por tudo o que ele escreveu. E quando o vi, era como se fosse meu irmão mais velho, meu mestre".

Para escolher o repertório do disco, que já está pronto há mais de um ano e deve chegar às lojas na semana que vem, Bethânia contou com a ajuda da cineasta Suzana de Moraes, filha mais velha de Vinicius.

"Cheguei a ter 250 canções consideradas imprescindíveis. Mas conversei muito com Suzana, e a solução foi pensar: eu só posso ter 14 faixas. E aí fui chegando, descobrindo os vários Vinicius que eu conheci. O garoto namorador, o poeta extraordinário com sua dor, o homem preocupado com o seu povo, o homem generoso, pedindo a benção. O branco mais preto do Brasil, como ele dizia", explica a cantora.

Bethânia privilegiou as parceiras de Vinicius com Tom Jobim, de quem interpreta "Modinha" e "Eu Não Existo Sem Você", entre outras, e com Baden Powell, como "Samba da Bênção" (clique para ouvir) e "O Astronauta". "Lógico que todos são geniais", considera, "mas esses dois trabalharam mais com Vinicius, têm um peso maior".

A única música no disco que não pertence à lavra de Vinicius é "Nature Boy", apresentada em português, em versão de Caetano Veloso. "Suzana me disse que era ninada por ele com essa canção. Essa canção tem um elo muito forte. Essa música é americana, e é uma versão do Caetano, que ele fez há muitos anos para o Ney Matogrosso. Ela sintetiza os sentimentos, a onda de Vinicius: nada é maior que dar amor e receber de volta amor. Eu acho que escolhi essa música porque é como eu acho que ele sentia", explica a cantora, citando um trecho da letra.

No show, "Tempo, Tempo, Tempo, Tempo", com direção de Bia Lessa, a cantora mistura músicas do repertório do CD com sucessos de carreira e inéditas. "É lógico que o nome tem a ver com a canção do Caetano ('Oração ao Tempo')", explica a cantora, "é a canção que escolhi para nortear o roteiro do show". 

Segundo a cantora, disco e show estão interligados de maneira casual: "Não pensei nisso, mas aconteceu. Não tem no show algumas canções do disco. Mas tenho no espetáculo outras canções de Vinicius que não estão no disco". 

O show, que estréia no Rio, dia 24, deve passar por seis grandes capitais. "Meus espetáculos têm um certo problema para viajar, porque dependem de teatro, espaços para cenografia, iluminação. Eu não tenho prazer de mostrar um show de maneira capenga, sem cenário, luz". 

Bethânia diz que aos 17 anos não se levava sério. Imaginava passar apenas uma temporada no Rio, divertindo-se com o show, sem pretensões à fama e ao estrelato. Mas sua participação no "Opinião" e o sucesso de sua interpretação da emblemática "Carcará", canção que integrava o repertório do show, deram início a uma das mais bem-sucedidas carreiras da MPB. Foi a primeira cantora brasileira a bater a marca de um milhão de discos vendidos, com "Álibi", em 1978, e considera que nunca produziu tanto quanto hoje em dia.

Desde que deixou sua ex-gravadora, a BMG, pela independente Biscoito Fino, em 2002, a cantora lançou quatro CDs, dois DVDs e lançou seu próprio selo, o Quitanda. Ali produz seus shows e planeja um disco de inéditas para breve, a ser gravado nos intervalos da turnê "Tempo, Tempo, Tempo, Tempo". 

"Estou mais empolgada, e é natural que esteja. Aqui na Biscoito Fino tudo que escolho imediatamente tem resposta positiva e emocionada. E isso estimula, faz a gente querer trabalhar", conta.

A que se deve a longevidade de sua carreira? "À verdade. Eu não minto quando canto", diz Bethânia.


"Tempo, Tempo, Tempo, Tempo"
 

Show de Maria Bethânia, comemorativo dos 40 anos do show "Opinião". O repertório é baseado parcialmente no disco da cantora "Que Falta Você me Faz", dedicado a composições de Vinicius de Moraes, mas traz também sucessos de carreira e músicas inéditas.


Rio de Janeiro (RJ): Canecão 24/02 a 27/02; 04/03 a 06/03; 11/03 a 13/03
Salvador (BA): Teatro Castro Alves 19 e 20/03
São Paulo (SP): DirecTV Hall 31/03 a 03/04; 08/04 a 10/04
Belo Horizonte (BH): 16 e 17/04
Curitiba (PR): Teatro Guaíra 27/04
Porto Alegre (RS): Sesi 29 e 30/04


"Que Falta Você me Faz"
 

CD de Bethânia em homenagem a Vinicius de Moraes, que deve chegar às lojas na semana que vem.


1. "Modinha" (Vinicius/Tom Jobim)
2. "Poética 1" / "O Astronauta" (Vinicius/Baden Powell)
3. "Minha Namorada" (Vinicius/Carlos Lyra)
4. "A Felicidade" (Vinicius/Tom Jobim)
5. "Tarde em Itapoã" (Vinicius/Toquinho)
6. "Lamento no Morro" / "Monólogo de Orfeu" (Vinicius/Tom Jobim)
7. "Mulher, Sempre Mulher" (Vinicius/Tom Jobim)
8. "Gente Humilde" (Vinicius/Chico Buarque/Garoto)
9. "O-mais-que-perfeito" (Vinicius/Jards Macalé)
10. "O que Tinha que Ser" (Vinicius/Tom Jobim)
11. "Bom Dia Tristeza" (Vinicius/Adoniran Barbosa)
12. "Samba da Bênção" (Vinicius/Baden Powell)
13. "Você e Eu" (Vinicius/Carlos Lyra)
14. "Eu Não Existo Sem Você" (Vinicius/Baden Powell)
15. "Nature Boy" ("Encantado") (Eden Ahbez/versão: Caetano Veloso)




 

18/2/2005
Edição nº 353


Íntegra da entrevista com a cantora Maria Bethânia



POR ALICE GRANATO



ÉPOCA: O que você pretende passar com o disco "A Falta que você me Faz"?
Maria Bethânia:
Tudo o que Vinícius me ensinou, que ensinou para todos nós através de sua poesia e de sua música. Eu tive o privilégio conviver algumas épocas com ele muito proximamente e herdei mil ensinamentos. Eu queria que ficasse bem nítido no disco todos os jeitos de Vinícius: namorador, conquistador, maravilhoso, um charme puro! Vinícius menino, brincalhão, poeta com a mágoa do mundo, amador, um homem generosíssimo, nos ensinando que não tem graça viver sem generosidade e amor. Que um homem sozinho realmente é triste.



ÉPOCA: Que critérios você usou para escolher o repertório?
Maria Bethânia:
Foi dificílimo, eu tinha 250 canções e precisava fazer o menor que pudesse. Fechei pelo menos os parceiros mais importantes e, dentro dessas parcerias, escolhi as canções que mais se adaptassem a minha voz, ao meu estilo, porque não sou cantora bossa-nova. Me dei o direito de fazer porque ele, com o amor dele, as palavras dele, que estão expressas no disco, me autorizou.

ÉPOCA: Qual é a sua avaliação do disco?
Maria Bethânia:
Recebi hoje. Não ouvi. Como estou ensaiando o show, que não é o disco, não quis ouvir agora. O show é uma homenagem a ele um pouquinho mais ampla, tem canções do disco que não estão no show e vice-versa. Vou cantar compositores da minha geração, Chico, Caetano, minha turma toda, gente nova, canto tudo, bem livre como sei fazer meus trabalhos, e como gosto. Por isso não quis ouvir o disco exatamente agora. No show não temos orquestra. Se eu for ouvir, de alguma maneira vou ter uma interferência, que eu prefiro agora não. Depois da estréia, volto a escutar.

ÉPOCA: Sim, mas o que você sentiu ao finalizar o trabalho?
Maria Bethânia:
Ai! Apesar de tudo, porque Vinícius é muito grande, um artista gravado pelos melhores cantores do mundo, então só podia ser, e eu queria muito deixar registrado meu amor, gratidão, admiração por ele. E só podia ser assim, extremamente pessoal. Quando terminei o disco falei: fiz um agrado a Vinícius.

ÉPOCA: Você sempre dá declarações dizendo que se sente feliz com liberdade, em ser livre. O que isso quer dizer na prática?
Maria Bethânia:
É. Li-ber-da-de em primeiro lugar. Geral, não agüento prisão, nenhuma cadeia, nenhum elo, nada que me escravize. Detesto. Mas alguns nós somos obrigados, não vivo numa ilha deserta, mas como as pessoas. Temos de deixar um pouquinho de ser bicho do mato. Mas no meu trabalho, na minha expressão artística, a liberdade tem de ser total, não abro mão. Prefiro deixar de fazer se não for totalmente livre.

ÉPOCA: Você, embora esteja ligada a vários grupos, não está fechada com nenhum deles. Circula bem entre os baianos, os cariocas. Seu trânsito parece ser mais livre do que, por exemplo, o do Caetano e do Gil, não?
Maria Bethânia:
Eu cheguei primeiro(risos). É verdade. Vim fazer o Opinião (aos 17 anos Bethânia substituiu Nara Leão no musical "Opinião"). De noite, era uma menina do interior da Bahia e, no outro dia, acordei a cantora mais popular do Brasil, com Carcará, o que é muito forte e estranho. Mas bacana, extraordinário. Os meninos, Caetano e Gil, têm uma grande diferença porque são compositores. Passeiam numa área que eu não vou e já cria, apesar da amizade, do respeito mútuo, com Chico, com o próprio Vinícius, um distanciamento maior. Sou mulher, cantora...

ÉPOCA: E você sempre transpareceu essa individualidade, não?
Maria Bethânia:
Quando teve o tropicalismo fui muito clara com eles: eu adoro, canto tudo o que vocês quiserem, mas não vou me vestir igual, não vou cantar igual, fazer disco, não é minha praia. O Vinícius dizia que eu tinha voz de sarjeta, é muito isso mesmo.

ÉPOCA: Mas este disco em homenagem ao Vinícius está mais suave do que de costume...Aconteceu naturalmente?
Maria Bethânia:
Mas isso é o andar da vida. A cantora vai amadurecendo. O último espetáculo que fiz antes desse, o Brasileirinha, era uma joinha, uma coisa pequena. Esse show vem com mais corpo. A voz da mulher fica melhor depois dos 40. E eu também aprendi a cantar melhor. Não cantava como canto hoje. Como tudo, meus gestos são diferentes, minhas paixões e também o modo de cantar.



ÉPOCA: Nesses 40 anos de carreira, o que foi mais difícil de conquistar e o que veio mais facilmente?
Maria Bethânia:
Tudo me veio muito lindamente, amorosamente, de Deus, Nossa Senhora, e das pessoas do meu país, dos artistas, compositores, músicos. Tudo veio demais de bonito e suave, muito bom. Meu trabalho nunca me trouxe aborrecimentos. Coisas periféricas, sim.
ÉPOCA: Que tipo de coisas?
Maria Bethânia:
Várias. Perder um pouco a espontaneidade porque você está sendo olhada. Está rezando e tem uma pessoa lhe olhando. Falta de noção do tempo, do momento. Estava outro dia na Igreja de Santo Amaro, rezando, e não vou me lembrar neste momento que existe a cantora. As pessoas me abordando, mas estava fora da hora. Esse tipo de coisa é desgastante, cobrança, mas faz parte.
ÉPOCA: Como é uma estréia, 40 anos depois?
Maria Bethânia:
Quero tocar as pessoas, comovê-las, trazê-las para o meu pensamento. É minha tribuna. Eu adoro o palco, para mim é o melhor lugar do mundo, ai! Sou apaixonada. O problema é antes. Quando está lá não tem jeito, é igual avião. Tem de voar bem, sem turbulências de preferência, e fazer um bom pouso. Quando eu era menina queria ser trapezista. É muito parecido com o que eu faço. Subir no palco é corda bamba. Você se joga e não tem rede embaixo. Escrevi uma música, chamada trampolim, por causa disso, dessa sensação que eu sinto. É exatamente isso.
ÉPOCA: O que te dá segurança num dia de estréia, a presença da família, de amigos?
Maria Bethânia:
Não gosto de saber de ninguém da platéia. É proibido me dizer "não sei quem vem, não sei quem chegou". Proibido! Não gosto porque se tem uma personalidade, uma presença extraordinária, que eu tenho de reverenciar, quero saber no intervalo. A gente sem querer endereça, pensa, e não dá certo. Seja o que Deus quiser. Eu rezo muito. Pouquíssimo antes de entrar no palco procuro ficar muito feliz, porque vou realizar o que eu mais gosto de fazer.
ÉPOCA: A quantas anda sua religiosidade? Ainda continua devota do candomblé?
Maria Bethânia:
Estou rezando cada dia mais. Candomblé, sim. Sou de iansã e oxum, graças a Deus. Guerreira, mais amorosa, forte, vem de Iansã. E quando abrange mais pessoas do que meu sentimento, é mais oxum.
ÉPOCA: Como você cuida da sua saúde?
Bethânia:
Bebo muita água(risos). Ando na esteira, todo dia, trinta minutos. Procuro muito fazer o que gosto, o que me dá prazer. Às vezes pode ser uma bobagem, como sentar e ler um gibi. Vou procurando brincar o tempo todo na vida. Uma orientação muito boa de Vinícius, que dizia: não perca isso, não perca! A disciplina é importante, trabalho com muito rigor exatamente porque quero minhas férias. O que faz a pessoa é o bem-estar, o prazer de cada momento seu. De estar à vontade.
ÉPOCA: O que te tira do sério?
Maria Bethânia:
O poder do mundo me assusta. Eu sinto uma repulsa pela prepotência dos poderosos, dirigindo tão mal o mundo. Isso me acaba. Sou do sertão, do nordeste do Brasil, baiana, uma região imensamente pobre. Com o passar do tempo, e gente tem esperança de que aquilo se resolva, porque poderia se resolver, é prático, mas nunca acontece, há sempre uma desculpa e a mesma desculpa. Não vejo jornal e televisão por isso. Devia ter um jornal para as pessoas normais e outro para quem só pensa em dinheiro e poder. Isso me desgasta e me estressa. Vejo as pessoas muito solitárias. O homem não desenvolve bem sozinho. Ele precisa do outro, do espelho dele. Fico assustada com o silêncio dos adolescentes, com o isolamento, essa coisa de computador. Eles não querem nem mais falar no telefone. Não precisa mais da voz, muito menos o tato, o toque?! Fico com uma peninha, porque é tão bom, ouvir a voz, pegar, sentir, observar, mas devem ter prazer em outras coisas.
ÉPOCA: Você lida mal com a tecnologia?
Maria Bethânia:
Não lido nem mal, nem bem. Não lido (risos). Computador, internet, tem uma utilidade extraordinária. Uma hora que eu tiver um tempinho mais livre vou sentar e pegar o que me interessar, mas não quero ir muito longe, não. O que for agradável e útil.
ÉPOCA: Como é sua rotina, o que você gosta de fazer?
Maria Bethânia:
O meu dia a dia é muito igual ao de todo mundo. Sou do interior e tenho essa coisa de ficar muito em casa, pouco saio. Ouço música, danço, leio muito, gosto de cozinhar, receber amigos. Sou excelente cozinheira, faço comida baiana, feijoada, carnes, peixes, massas, que eu adoro. Como muito, só não bobagem. Não como nada de açúcar, nada, não gosto, chupo uma balinha de vez em quando. Não gosto de coca-cola, guaraná, empadinhas, hambúrgueres. Minha comida é feita na minha casa. Odeio restaurante, fico deprimida. Gosto de comida de casa.
ÉPOCA: Você mora no Rio desde os 17 anos, mas vai sempre à Bahia, não?
Maria Bethânia:
Adoro o Rio, moro aqui desde os 17 anos, mas sou louca pela Bahia. Lá tem a casa dos meus pais, em Santo Amaro, e eu tenho uma casa em Salvador. Linda, em cima da Baía de Todos os Santos, uma casa da cidade, tombada, simples. Minha irmã mais velha, que é muito engraçada, disse: mas nem parece casa de cantora...
ÉPOCA: Ainda se usa passar uma tarde em Itapuã?
Maria Bethânia:
Usa! E é muito bom. É a melhor coisa do mundo.
ÉPOCA: Você é uma pessoa simples, não? Parece ter mudado pouco, mesmo visualmente desde que começou, manteve os cabelos compridos.
Maria Bethânia:
Eu tenho o meu jeitinho. Nunca pintei o cabelo, adoro meus brancos, minhas rugas.
ÉPOCA: Você viaja muito?
Maria Bethânia:
Gosto de ir a Europa, a Paris. Para os Estados Unidos eu não vou, ainda mais com esse homem lá. Não vou mesmo!
ÉPOCA: Você gostou de se ver retratada no filme que o Andrucha Waddington fez com o reencontro dos Doces Bárbaros?
Maria Bethânia:
Os dois shows não foram tão primorosos. Dificuldade de tempo, de ensaiar, juntar as agendas. O Andrucha teve a sabedoria de filmar os encontros. Virou uma opinião dele sobre os nossos encontros. Ele assina, né? Eu gosto bem. Estou quietinha. Mas às vezes o silêncio faz um barulho...
ÉPOCA: Caetano e Chico não vão ficar com um pouco de ciúmes da sua homenagem ao Vinícius?
Maria Bethânia:
Não, não vão, não. Ainda mais que no show os dois estão demais. O nome do show é o nome de uma canção de Caetano (Tempo, Tempo, Tempo, Tempo), que norteia o espetáculo. Não, mesmo porque são aprendizes do poeta e têm mais que bater cabeça.
ÉPOCA: Como é a sua relação com Caetano?
Maria Bethânia:
Ótima. Somos muito amigos. Tenho uma relação muito forte com a família toda. Com minha mãe, meu pai. Meu pai foi lindo, um homem doce, firme. Foram muito importantes na nossa formação., importantíssimos. Sempre apoiando e chamando muita atenção para o respeito por si e pelo outro. Fomos educados assim, graças a Deus. Minha mãe, linda, a matriarca baiana, manda em todos nós. É maravilhosa.
ÉPOCA: Que músicos da nova geração você gosta, tem vontade de gravar?
Maria Bethânia:
Procuro sempre estar acompanhando quem aparece, gravo eles todos, Adriana, Marisa, Carlinhos, Ana Carolina, Lenine, Zélia, que fez uma música linda para mim. Mas não adianta comparar com a minha geração. É outro momento, outro movimento. Não dá para querer outro Vinícius. Mas tem outras coisas que nos comovem.
ÉPOCA: E a boêmia que Vinícius tanto gostava, não te atrai?
Maria Bethânia:
Mas Vinícius tinha muito juízo viu? Não gosto da coisa boêmia, da noite, detesto. Gosto de noite para dormir. Mas meio-dia gosto de tomar cerveja.
ÉPOCA: Cerveja então é sua bebida favorita?
Maria Bethânia:
Gosto de Cerveja, champanhe. Mas cerveja, como diz meu sobrinho, não precisa de nada, ela já vem prontinha, não precisa de gelo, de copo, de nada.



 
Qui, 24 Fev
 
Bethânia canta Vinícius



BR Press
  



(Rio de Janeiro, BR Press) - Maria Bethânia estréia nesta quinta (24/02), às 21h30, no Canecão, seu novo show baseado no novo disco pela Biscoito Fino, Que Falta Você me Faz. A cantora canta só Vinícius de Moraes – que, além de grande poeta e letrista, foi um dos padrinhos da então doce bárbara em começo de carreira.



Era 1965, e Vinícius logo percebeu na jovem cantora a força e expressão que as décadas seguintes confirmariam. A cumplicidade que imediatamente se estabeleceu, entre a cantora iniciante e o poeta consagrado, permanece impressa nas raras fotos do encarte, e na escolha das canções.



Músicas como Lamento no Morro, A Felicidade, Modinha, O Que Tinha de Ser, Eu Não Existo Sem Você, Mulher Sempre Mulher expandiram a parceria Jobim-Vinicius muito além das fronteiras ancestrais de Ipanema. E são essas e tantas outras pérolas que serão apresentadas por Bethânia neste novo show no Canecão.


O disco contém 15 faixas, em parcerias com Antonio Carlos Jobim, Garoto, Chico Buarque, Carlos Lyra, Baden Powell, Toquinho, Adoniran Barbosa, Jards Macalé, além de uma versão de Caetano Veloso para Nature Boy, de Eden Ahbez, incluindo um antigo registro da voz de Vinícius, recuperado por Bethânia. 

 




Foto: Ronaldo Theobald / JB

 
 
 










Estréia de Maria Bethânia


O irmão Caetano Veloso se derramou em beijos no camarim, mas não ficaram só nisso as saudações recebidas por Maria Bethânia na estréia de seu novo show, Tempo Tempo Tempo Tempo na quinta-feira 24, no Canecão, no Rio. Na platéia, admiradores da cantora, como Ana Paula Arósio, aplaudiram de pé o lançamento do disco Que Falta Você me Faz, um tributo da cantora a Vinicius de Moraes. Quem perdeu a estréia correu para conferir o segundo show da cantora, na sexta-feira 25. “Sou fã de carteirinha dela”, disse Cláudia Abreu, que chegou 15 minutos atrasada à casa de shows, junto com a cantora Ana Carolina.




O FUXICO



25/2/2005



Homenagem a Vinícius na voz de Bethânia encanta famosos



 
Foto: Felipe Panfili



O Rio artístico marcou presença ontem a noite no show da cantora Maria Bethânia, no Canecão, Botafogo, zona sul do Rio, com o espetáculo “Tempo, Tempo, Tempo, Tempo”, uma homenagem a Vinícius de Moraes, dirigido por Bia Lessa.











A apresentação comemorou os 40 anos de carreira de Bethânia, que assim se referiu ao saudoso poeta: “Foram três meses de ensaios e estou muito feliz em poder comemorar meus 40 anos de carreira com a obra de Vinícius, que é inesgotável”. 







Um dos primeiros a chegar foi o irmão da cantora, Caetano Veloso, que, no final, confessou ter se emocionado com a interpretação de Bethânia da música-tema do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, que diz: “que assim mal dividido/ esse mundo anda errado/ que a terra é do homem/ não é de Deus nem do Diabo”: “Me emocionei porque relembrei meu passado, meus tempos de teatro na Bahia e do ator Geraldo Del Rey (intérprete do filme, já falecido)”, disse Caetano.
 
  


No palco, que recebeu iluminação sóbria e intimista, a cantora, de calças e bata brancas, foi aplaudida por dezenas de representantes da classe artística, como Ana Paula Arósio, de saia preta, blusa brilhante e cabelos negros soltos na altura dos ombros, Lucinha e João Araújo, Patrícia Pillar, Preta Gil, Renata Sorrah, Lúcia Veríssimo, Tônia Carreiro, Claudia Jimenez, Regina Case e o marido, Estevão Chiavata, Cacá Diegues, Antonio Pitanga, Tessy Callado, Nana Caimmy, Mariana de Moraes, neta de Vinicius, Davi Moraes, Zélia Duncan, o empresário Olavo Monteiro de Carvalho, Dedé Velloso, ex-mulher de Caetano, Antônio Pitanga, Amin Khader, Bruno Chateaubriand, André Ramos, bem como Carolina Dieckmann e o namorado Thiago Worckmann.





A intérprete de Isabel, de “Senhora do Destino”, disse apenas: “Adorei o show, foi agitado e com espaço para músicas românticas. Mas gosto mesmo é das interpretações mais sofridas”.

O repertório incluiu, além de canções de Vinícius e Toquinho, Chico Buarque, Raul Seixas e Lupicínio Rodrigues, autor de “Felicidade”, um dos momentos mais emocionados de Bethânia. Pelo menos na emoção e nos aplausos, artistas e anônimos estiveram iguais. 




Show de Bethânia lota Canecão


Rio, sexta-feira, 25/02 – A cantora Maria Bethânia dominou com sua voz o show “Tempo, Tempo, Tempo, Tempo”, que marcou seus 40 anos de carreira, no Canecão, Botafogo, zona sul do Rio. Dirigido por Bia Lessa, o espetáculo foi uma homenagem a Vinicius de Moraes e teve público que lotou a casa. 




Foto: Paulo Figueiredo








Cláudia Abreu e Ana Carolina - Foto: Felipe Panfili


Patrícia Pillar - Foto: Xpress Brasil

Patrícia Pillar, Renata Sorrah e Tonia Carrero







Agenda de Bethânia confirmada até aqui:


CANECÃO (RJ): 24/2 a 27/2 // 4/3 a 6/3 // 11/3 a 13/3 
TEATRO CASTRO ALVES (BA): 19 e 20/3 
DIRECTV HALL (SP): 31/3 a 3/4; 8/4 a 10/4 
PALÁCIO DAS ARTES (BH): 16 e 17/4  
GUAIRA (CTBA): 27/4  
SESI (POA): 29 e 30/4



19/3/ 2005,  com Dona Canô e Dona Edite

19/3/2005 - com Mabel Velloso



ESTADO DE S.PAULO
23/2/2005

Cultura

Bethânia canta inédita de Capinan e Roberto Mendes

A cantora Maria Bethânia guarda o repertório de seus shows a sete chaves mas é praticamente certo que entre as várias músicas inéditas que apresentará em seu novo espetáculo, Tempo Tempo Tempo Tempo, que estréia amanhã no Canecão, no Rio, estará Olhar Estrangeiro, de Roberto Mendes e Capinan, cuja letra o portal estadao.com.br conseguiu com exclusividade (veja abaixo).

Bethânia descreveu a canção, feita especialmente para ela, como a mais feminina e cheia da sabedoria do amor de mulher que já viu desde que Chico Buarque deixou as cantoras de MPB órfãs ao dar uma pausa em suas composições feitas sob a ótica da alma feminina, como em Olhos nos Olhos e Teresinha, ambas gravadas por Bethânia. Com letra de Capinan, que descreve as sensações de uma mulher que se descobre observada e desejada, e música de Roberto Mendes, Olhar Estrangeiro vai compor, ao lado das canções de Vinícius de Moraes, Caetano Veloso e Chico Buarque, o universo deste novo espetáculo de Bethânia, que pretende concentrar sobre sua carreira o mesmo olhar amoroso que colocou sobre o Brasil em seu projeto anterior, Brasileirinho.

A trajetória de 40 anos da cantora terá como fio condutor a canção Oração ao Tempo, de Caetano Veloso, de onde o título do show foi tirado. O show também contará com canção inédita de Totonho Villeroy, homenageando Vinícius, feita especialmente para o espetáculo. Tempo Tempo Tempo Tempo estréia sua temporada paulista em 31 de março, do Direct TV Hall. 







OLHAR ESTRANGEIRO
(Roberto Mendes/Capinan)

Quando ele passou
o estranho rapaz
seu olhar estrangeiro olhou para mim
Eu nunca tinha ouvido
a fala do amor
o frio e o calor
Eu logo entendi
que quando o rapaz
seu olhar estrangeiro olhou para mim
Seu olhar estrangeiro
falava uma língua que eu logo entendi
senti no meu corpo uma coisa tao louca que eu
nunca senti
Ele olhava minha boca
ele olhava meu corpo, ele olhava em meu seio
olhava no meio por dentro de mim
No princípio o perigo
e depois
eu olhava eu olhava
Não tinha receio
desejava, queria, no precipício,
crescer minhas asas desvendar o segredo
Seu olhar penetrante
invadia ofegante
o meio de mim
Rasgava o meu ventre o meu corpo inteiro
me vendo por fora me vendo por dentro
do principio ao fim
Depois me olhou me olhou
me olhou de baixo para cima,
em cima , embaixo, dentro de mim
me queimando queimando,
o céu o inferno,
o paraíso é assim
Onde passou tão pouco deixou
só um rastro de fogo queimando em silêncio.
O incêndio do amor





Domingo 18 de setiembre de 2005
MARIA BETHANIA
40 años de carrera y show en la Argentina

La brasileña María Bethânia festeja los 40 años de carrera artística.
En ese plan volverá a presentarse en Buenos Aires el 5 de octubre, a las 21, en el Teatro Coliseo. Las entradas ya están en venta.

Después de recorrer las principales ciudades brasileñas con su nuevo show, Tempo, tempo, tempo, tempo, donde celebra sus cuarenta años de carrera, Maria Bethania volverá a presentarse en la Argentina.



A casi diez años de su última visita, la cantante hará una única función el próximo 5 de octubre en el teatro Coliseo, presentando el CD Que falta voce me faz, dedicado a las canciones de Vinicius de Moraes. Aquella adolescente que en los ’60 se acercó a él como padrino, le devuelve un disco homenaje en el que versiona el repertorio sellado junto a Jobim, pero también Baden Powell y Carlos Lyra.



“Todo en ella es combustión”, dijo alguna vez Vinicius sobre su ahijada.



Hubo otros elogios: “Maria Bethania canta con la libertad de los pájaros. Es el encuentro del cielo con la tierra, un casamiento del mundo con el infinito”.



En el show que traerá al Coliseo, Bethania mostrará además las canciones del disco Brasilerinho, uno de los más elogiados de los últimos años en su carrera.
 



BUENOS AIRES, Argentina 
Teatro Coliseo
5/10/2005















Espectáculos


Miércoles 5 de octubre de 2005


Maria Bethânia


La leyenda en el tiempo

Por Gabriel Plaza

De la Redacción de LA NACION


La artista bahiana presentará hoy su nuevo espectáculo, en el que celebra cuarenta años con la música popular brasileña y realiza un tributo al poeta Vinicius de Moraes


La cantante rescata autores como Vinicius, Baden Powell, Caetano Veloso o Chico Buarque
Foto: Archivo


"Ustedes me abandonaron. Ahora me hablaron y yo voy para allá", se justifica con un tono dulzón Maria Bethânia, del otro lado de la línea telefónica, tras una década de ausencia de los escenarios porteños.

-Sabe que coincidirá con su sobrino Moreno Veloso, que actuará al otro día de su concierto.
-No lo sabía [risas]. Siempre nos encontramos en lugares insólitos fuera del país. Tenemos una muy buena relación. Moreno es muy creativo musicalmente y su obra comienza a tener una asignatura propia. El tiene la manera suave de Caetano y una inteligencia y una creatividad muy grandes e independientes de lo que el padre hace. El no pide consejo a nadie. Tiene una personalidad muy firme.

La voz de Bethânia suena con una cadencia suave por teléfono, muy diferente del sello dramático y temperamental que la artista les imprime a sus conciertos. Es la previa al recital que la artista bahiana brindará esta noche en el teatro Coliseo, como parte de la celebración de sus cuarenta años de actividad artística. “Voy con mi espectáculo «Tempo, tempo, tempo, tempo», donde estoy haciendo el homenaje a Vinicius de mi último disco y las canciones de «Brasileirinho», el primer disco que saqué por mi sello independiente. De alguna manera es mi visión sobre un Brasil más interior y el otro más urbano, al que pertenezco ahora”, adelanta.

Durante la charla, la artista que popularizó las canciones de su hermano mayor Caetano Veloso cuando era un perfecto desconocido, grabó una veintena de placas con los poetas y músicos más ilustres del país, y cambió el canon de las voces bahianas; habló del Brasil de la pobreza económica y la riqueza cultural, de su colega Gilberto Gil, de sus cantantes preferidas, de su personalidad avasallante y mística, y de su nuevo CD tributo a Vinicius de Moraes, “Que falta vocé me faz”.

“Vinicius fue el primer gran artista que conocí cuando llegué a Río –cuenta la artista, nacida el 18 de junio de 1945 en Santo Amaro de Bahía–. Nos conocimos en una reunión y tuvimos una afinidad tan grande que a la hora estábamos conversando como si nos conociéramos de toda la vida.”

–¿Haciendo el disco se reencontró con la inocencia de esa joven Bethânia que llegaba a Río?
–Cuando buscaba sus poemas para el disco, mi memoria comenzó a revivir situaciones adorables que vivimos juntos. Ciertamente era una persona muy buena para convivir y no tenía la actitud de un profesor o un maestro. Tenía una gran naturalidad para buscar los placeres en las cosas bellas de la vida.

–¿Se le hizo difícil abordar la bossa siendo una cantante tan expresiva?
–Busqué mi mejor manera de expresar mi canto, pero no soy una cantora de bossa nova. Era difícil, porque con sus obras Vinicius, Jobim y João Gilberto definieron una sonoridad y crearon una escuela de cantores muy íntimos y de voces pequeñas. Pero yo soy todo lo contrario, porque en el escenario gusto del drama y la tragedia griega. En su momento, Vinicius me dio carta blanca para hacer sus temas. Así que ahora procuro ser muy sincera y me dejé llevar por esas aguas de acuario de sus poemas, y fui feliz.

De Bahía al mundo



Maria Bethânia nació al mundo artístico en 1965 cuando apareció como reemplazo de la cantante Nara Leão en el espectáculo “Opinião” cantando esos memorable versos de Caetano Veloso que decían “mas a flor amada, é mais que a madrugada, e foi por ela que o galo cocorocou...”. Esa noche todos se fueron a casa tarareando el tema “E de manhã” y recordando el nombre de Bethânia. El escritor carioca Nelson Motta, que estuvo presente en el increíble debut de la cantante, lo recuerda así en su libro “Noches tropicales”: “Maria Bethânia se transformó en una estrella de la noche a la mañana. Todo en ella era diferente a otras: voz, figura, gestos, sexualidad y actitud. Nunca los titulares de los diarios fueron tan obvios y apropiados: «Nace una estrella»”.

Ella, ahora que pasaron casi cuarenta años de ese dato fundacional, dice con la serenidad e inocencia de una chica pueblerina. “No me siento una estrella. Nunca me gustaron esas calificaciones porque me parecen de novela. Tampoco me gusta el término de celebridad, porque eso no coincide con la vida real. En mi interior lo llevo de manera más simple, como la minina pequeña que salió de Bahía y se tornó en una cantora famosa.”

Pero desde que su voz apareció a la luz de la escena brasileña Maria Bethânia siempre fue distinta. Su magnetismo teatral y manejo de la escena, la rara belleza de sus facciones, su pelo encrespado, el poderío dramático de su voz –un timbre que no sigue los patrones de las cantantes bahianas– y una selección de poetas y autores que van de João Guimarães Rosa a Fernando Pessoa, y de Chico Buarque a Lenine, la transformaron en una voz faro de los últimos años en la MPB.

Cuando pensaban que ya había grabado todo, Bethânia fundó un sello propio, dentro de la editora Biscoito Fino, y lo inauguró con el magistral “Brasileirinho” (2004), que resume su visión antropológica del país que le dio todo.

“Quería hacer un disco que definiera al Brasil que amo por su cultura. Estoy orgullosa de la riqueza musical del pueblo brasileño. Pero a la vez es un país que me da cierta vergüenza por su clase política. Hablar de «Brasileirinho» era como tener un gesto cariñoso con mi país.” El tema la lleva a opinar de Gilberto Gil, su colega y compañero de ruta en el proyecto Los Doce Bárbaros, y dice: “El sigue siendo un gran artista, pero siempre estuvo atraído por el poder y el mundo político; por eso aceptó ser ministro de Cultura”.

Bethânia es así, puede sonar diáfana, misteriosa o certera como una guerrera. Roles que sabe jugar en escena y que aprendió de maestras como Nana Caymmi, Edith Piaf y Billie Holiday. “Me gustan ese tipo de cantantes que hacen todo como si fuera la última vez. Por eso abordo las canciones con ese temperamento.”

–¿Usted es así en la vida real?
–Si fuera la misma en mi vida cotidiana ya estaría muerta.



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