viernes, 10 de febrero de 2017

2001 - MARICOTINHA

 


   



Maria Bethânia estréia "Maricotinha" no Canecão, Rio de Janeiro

Estréia na quinta-feira, 8/11/2001, às 21h30, o show comemorativo dos 35 anos de uma das mais importantes intérpretes da Música Popular Brasileira. 

Dirigido por Fauzi Arap, o espetáculo será uma espécie de homenagem aos compositores prediletos de Bethânia.

Quintas-feiras, às 21h30. Sextas-feiras e sábados, às 22 horas.
Domingos, às 20h30. Até 18 de novembro.  



Jamari Franca
Globonews.com - 09/11/2001

Maria Bethânia arrebata platéia na estréia de seu show "Maricotinha", no Rio

Maria Bethania inicia no Rio a temporada nacional do novo CD "Maricotinha" Maria Bethânia resumiu em quase 40 canções uma carreira que atravessou três décadas meia para desaguar em "Maricotinha", o CD espetáculo que aporta por três semanas no Canecão, Rio de Janeiro, antes de correr o Brasil. Ela e seu diretor, Fauzi Arap, costuraram um set list extremamente feliz, sem esquecer os poemas de autores clássicos em sua boca, como Fernando Pessoa, até seus amores mais recentes, as poetas portuguesas Natália Correa e Sophia de Mello Breyner.

Bethânia faz mágica com as palavras, interpretando-as com arrebatamento que a banda regida pelo maestro Jaime Alem complementa com arranjos impecáveis que reforçam os fortíssimos e acalentam os pianíssimos. O espetáculo não tem cenário e apenas uma luz discreta. Bethânia reina soberana sobre um estrado colocado na frente, o palco limpo pela ausência de caixas de retorno, substituídas pela monitoração de ouvido. Ela só não dispensa seu microfone Shure com fio e nem os pés descalços. Enverga uma bela saia comprida em furta cor com blusa branca na primeira parte e um conjunto de calça comprida e blusa brancas na segunda parte, depois que a banda executa a instrumental "Pássara" para encerrar o Ato 1.

Bethânia dividiu o repertório em módulos com canções agrupadas que ganham interpretações curtas e algumas evadas na íntegra. A mais forte delas continua a ser "Fera ferida", quando ela e a banda entram em órbita e a platéia vai junto. O mesmo aconteceu no bis, com "O que é o que é", o hino de Gonzaguinha sobre a beleza da vida e sobre a arte de ser uma eterna aprendiz. Coisa que Bethânia provou que também é ao esquecer a letra da última canção do show, "Amor de índio". “Gosto tanto dessa canção, queria cantá-la tanto e estou errando tudo,” lamentou. O público foi cúmplice, alguns sopraram a letra, ela recomeçou e foi adiante, encerrando sob aplausos delirantes.

Mas antes passeou por seus anos, lembrando canções como a épica "Rosa dos ventos", antecedida de uma citação de "Opinião", de Zé Kéti, o sambista que estrelava o espetáculo homônimo com João do Valle e Nara Leão, que um dia a chamou para substitui-la e, com Carcará (que não canta agora), Bethânia se revelou. Ela passou por "Álibi", faixa título de um de seus grandes CDs dos anos 70, mas esqueceu-se do maior de todos, "Drama – Anjo exterminado". Lembrou Cazuza com "Todo amor que houver nesta vida", o Herbert Vianna que gravou no CD novo, "Quando você não está aqui", e sentou-se despojadamente no palco para "Baila comigo e Shangri-lá", de Rita Lee e Roberto de Carvalho, quase deitando-se no verso “tomar banho de sol”.

Já que o Canecão fica na fronteira de Copacabana, ela homenageou o bairro cantando "Sábado de Copacabana", de Dorival Caymmi e lembrou seus primeiros dias na outrora Cidade Maravilhosa. “Quando eu cheguei no Rio foi Copacabana que me recebeu com seu cheiro de batata frita e gasolina, suas tardes de trovões e raios e suas noites de puro glamour, o Teatro Opinião onde estreei profissionalmente com o Zé Kéti e o João substituindo Nara. E as boates, eu cantei em quase todas, eu adorava fazer show em boate, foi onde eu aprendi tudo, porque o público de boate é diferente. Não fica assim, NESSA ATENÇÃO (enfatiza tremendo a voz), olhando pra pessoa (risos): bebe um pouco, namora um pouco, ouve um pedaço da música e a cantora pode aprender o ofício, o prazer de cantar e a disciplina. Eu aprendi tudo na boate, eram grandes artistas, um luxo. Quando eu cheguei no Rio de Janeiro, Elizeth fazia o Cangaceiro, Nara fazia o Barroco, Chico Buarque e o MPB4 faziam o Arpege, Silvinha Teles, a gente se encontrava toda noite no Bateau, isso era maravilhoso. Até hoje venho passear por ela à procura da primeira impressão, o seu perfume único, à procura da minha princesinha do mar e o seu colar de pérolas de espuma.” E atacou "Se eu morresse de saudade", a canção que Gilberto Gil lhe deu para "Maricotinha".

Fez um set rural com "Bodocó", "Dona do dom" e "Festa", pulou para uma seqüência urbana com "Fotografia" e "Anos dourados". Extraiu novo significado de uma canção popular como "Casinha branca", que o público cantou com ela, ensaiou alguns acordes ao piano sob o olhar comrpeensivo de João Carlos Coutinho, o titular dos teclados e não esqueceu os tempos do Teatro da Praia, na mesma Copacabana , onde reinou soberana com temporadas longas em que sempre recorria a Fernando Pessoa, e dele recitou o "Poema do Menino Jesus" que diz numa das estrofes: “Ele dorme dentro da minha alma/ E às vezes acorda de noite/ E brinca com os meus sonhos./ Vira uns de pernas para o ar, /Põe uns em cima dos outros/ E bate palmas sozinho / Sorrindo para o meu sono.”

Bethânia disse que mal teve tempo de ensaiar o show, ainda assim ele fluiu redondinho até o fim. Depois que estiver azeitado pela estrada pode render um bom CD ao vivo, daqueles que ela tanto gosta de gravar. Mas bem que podia incluir "Anjo exterminado", "Esse cara", "Explode coração"...





Rio, 10 de novembro de 2001



Bethânia brilha acima dos tropeços na estréia de um tributo à música
Antonio Carlos Miguel





O sistema de som precisa de ajustes, com a voz muito alta em determinados momentos e os instrumentos da banda, embolados, mal equalizados. E, no fim da noite de estréia, anteontem, para um Canecão lotado, Maria Bethânia errou a bela letra de “Amor de índio” (de Ronaldo Bastos, com música de Beto Guedes). Mas esses são detalhes que não tiram o brilho do novo show da cantora, que fica em cartaz no Rio até o fim deste mês.

Num cenário despojado, apostando em ótimos músicos e um roteiro muito bem amarrado, misturando as faixas do recente CD, “Maricotinha”, com clássicos da MPB e de sua carreira e temas que nunca cantara, Bethânia faz um tributo à grande música. Em alguns momentos pop, ao recriar Cazuza e Frejat (“Todo amor que houver nessa vida”), Rita Lee e Roberto de Carvalho (“Baila comigo”, com direito à citação de “Shangrilá”, também da dupla e casal), mas pop no seu sentido mais amplo. O de canção popular, que pode ir de Dorival Caymmi (que, além da canção-título, foi lembrado em “Sábado em Copacabana”) a Adriana Calcanhotto (“Depois de ter você”), de Tom Jobim (“Fotografia”) a Herbert Vianna e Paulo Sérgio Valle (“Quando você não está aqui”).

Um grande achado, entre as muitas pérolas de Caymmi, “Sábado em Copacabana” foi o ponto alto na estréia também pelo conversa informal com a platéia. Assim que acabou de cantá-la, Bethânia disse sentir um grande orgulho de um baiano ter composto essa ode ao bairro que ela tanto adora. Lembrou então que foi em Copacabana que estreou, participando do show “Opinião” e depois fazendo o circuito das boates que, nos anos 60, abrigava uma diversificada programação musical.

A seleção do repertório prova, como já fizera no disco “Maricotinha”, que a questão não é uma canção ser inédita ou não. E sim o tratamento que cada intérprete pode dar a ela. E Bethânia mostra isso tanto ao pinçar do recente musical “Cambaio”, de Chico Buarque e Edu Lobo, uma preciosidade como “A moça do sonho”, quanto ao voltar a outra peça da dupla e retomar “Sobre todas as coisas” (de “O Grande Circo Místico”). Outros exemplos disso sobram: mais Chico (“Apesar de você” e “Rosa dos ventos”), a dupla Roberto & Erasmo (“Fera ferida” e, por tabela, “Nossa canção”, de Luiz Ayrão), Carlos Lyra & Vinicius de Moraes (“Primavera”).

Muitos dos que estiveram quinta-feira no Canecão já devem estar querendo uma nova dose de tantos acertos estéticos. Mas dessa vez com “Amor de índio” na íntegra e o sistema de som bem azeitado.




Show Maricotinha, no Canecão - Foto: Cleomir Tavares




O roteiro do show, pela ordem
A moça do sonho, de Chico Buarque e Edu Lobo
O quereres, de Caetano Veloso
Borandá, de Edu Lobo
Dona do dom, de Chico César
Festa, de Gonzaguinha
Poema sujo (trecho do livro de Ferreira Gullar)
Fotografia, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira
Anos dourados, de Tom Jobim e Chico Buarque
Todo o amor que houver nessa vida, de Cazuza
De todas as maneiras, de Chico Buarque
Os convalescentes (texto de José Vicente)
Seu jeito de amar, de Gilson
Sobre todas as coisas, de Chico Buarque e Edu Lobo
Sob medida, de Chico Buarque
Fera ferida, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos
Casinha branca, de Gilson
O canto de Dona Sinhá, de Vanessa da Mata
Dois tempos, de Edu Lobo e Capinan
Menininha, de Toquinho e Vinicius de Moraes
Menino Jesus (poema de Fernando Pessoa)
Ah!, sweet mistery of life,de V. Herbert, versão de Alberto Ribeiro
Pássara, de Francis Hime e Chico Buarque
Maricotinha, de Dorival Caymmi
Baila comigo, de Rita Lee e Roberto de Carvalho
Depois de ter você, de Adriana Calcanhotto
Nossa canção, de Luiz Ayrão
Quando você não está aqui,de Herbert Vianna e Paulo Sérgio Valle
Sábado em Copacabana,de Dorival Caymmi e Carlos Guinle
Se eu morresse de saudade, de Gilberto Gil
Água e pão (Bahia), de Pedro Guerra, versão de Nelson Motta
Primavera, de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes
Álibi, de Djavan
O que será (à flor da pele), de Chico Buarque
Nem sol, nem lua, nem eu, de Lenine e Dudu Falcão
Amor de índio, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos
Noite de estrelas, de Roberto Mendes
O rio do meio (trecho do livro de Lya Luft)
Pra rua me levar, de Ana Carolina e Totonho Villeroy
Poema (texto de Natália Corrêa)
Juntar o que sentir, de Renato Teixeira
Apesar de você, de Chico Buarque
Água viva (trecho do livro de Clarice Lispector)
Movimento dos barcos, de Macalé e Capinan






Agencia Estado
29 Novembro 200

CULTURA
Maria Bethânia estréia "Maricotinha" em São Paulo

Maria Bethânia estréia amanhã, para uma temporada de três semanas, o show Maricotinha. É o espetáculo de lançamento do novo disco, homônimo - o 36.° da carreira, descontados os dois compactos que lançou em 1965. É o show que marca, ainda, os 36 anos de carreira da cantora que chegou ao Rio de Janeiro para substituir Nara Leão - por indicação dela - no célebre show Opinião. Bethânia era menor de idade. Levou da Bahia para o Rio, como companhia, o irmão, Caetano. Com o Opinião, ficou, imediatamente - é literal - famosa. Tornou-se grande estrela, ídolo, paixão. Foi tão forte, desde o primeiro momento, que conquistou, depois daquela estréia, o direito de cantar o que bem entendesse - o que gostasse -, da forma que bem entendesse - como gostasse. Construiu a carreira de acordo com esses paradigmas. Desprezou modismos, tendências, não aceitou imposições. Cantou boleros quando o bem era a bossa nova, cantou bossa quando a hora era da canção de protesto, gravou Noel quando havia Chico, cantou Chico, Milton e Caetano, mas também Herivelto, Lupicínio, Antônio Maria. Inventou um formato novo para os shows de música. Teatral, introduziu textos poéticos nos espetáculos, fazendo ligação entre as músicas. Deu forma dramatúrgica aos roteiros, transformou cada recital numa história, cada música numa fala de sentido ampliado pelo contexto. Fez isso como ninguém fez antes, nem faz, ainda. Maricotinha, o disco e o show, segue a trilha. O espetáculo estreou no Rio. Foram três semanas de casa lotada, lágrimas e risos na platéia. Bethânia acrescentou um item novo. Conta histórias de sua chegada. A surpresa com a cidade - novidade. Os famosos cantando nas casas da noite de Copacabana. Faz cara de sapeca, a platéia delira. Para a montagem paulistana, fez adaptações no roteiro. Se, no Rio, falava da chegada ao balneário, aqui, conta o que viu, ouviu e aprendeu em mais uma cidade nova. Não antecipa que músicas foram substituídas para ilustrar as histórias. "Não posso quebrar a surpresa" - faz sentido. Não se conta o final de peças de teatro. "Não é bem uma retrospectiava, embora seja um espetáculo comemorativo dos 35 anos, na verdade 36, de carreira", diz a cantora. "Falo de coisas que me marcaram quando cheguei e canto coisas que me marcaram naquele momento e vieram a marcar dali por diante", conta. "É um show deslavadamente apaixonado" - mas todos os são. A coisa de contar histórias, de usar histórias para ligar a músicas, teve solução dramatúrgica tratada por Fauzi Arap, diretor do show, companheiro desde os primeiros tempos da carreira. Explicando: "Embora não seja uma retrospectiva, não posso comemorar os 35 - ou 36 - anos sem falar do show Opinião ou do Rosa dos Ventos", diz Bethânia. "Mas essa reminiscência é coisa bem suave, e aparece combinada com as músicas do disco novo" - ela canta as 14 faixas do último CD. "Nem todas estão inteiras; de algumas, canto só um trecho." O espetáculo ficaria muito grande. São, ao todo, 39 músicas. E há, ainda, as falas - muitas. E não poderia deixar de cantar autores importantes nestes últimos 30 e tantos anos - como Beto Guedes, de quem canta Amor de Índio, e nunca havia interpretado nada dele, ou Cazuza, que aparece no roteiro com Todo Amor Que Houver Nessa Vida. Estão no espetáculo músicas de Caetano Veloso, Chico Buarque, Roberto e Erasmo Carlos (ela dedicou um disco à obra deles), Gilberto Gil, Edu Lobo, Gonzaguinha - autor de alguns de seus maiores sucessos, como Grito de Alerta ou Explode, Coração -, Djavan - com Álibi, do compositor alagoano, Bethânia tornou-se a primeira cantora a vender mais de 1 milhão de exemplares de um elepê. Tom Jobim e Vinícius de Moraes, naturalmente - Bethânia prepara um disco interpretando Vinícius. E Rita Lee (Shangrilá), e Luís Ayrão (Nossa Canção, que foi sucesso na voz de Roberto Carlos). Os textos de Maricotinha levam assinatura de Fernando Pessoa, Ferreira Gullar, Lya Luft, das portuguesas Natália Corrêa e Sophia de Mello Bryener. Durante a temporada paulista de Maricotinha, será gravado um disco, de lançamento previsto para o segundo semestre do ano que vem. Será o último de Bethânia para a gravadora BMG. Cumprido o contrato, ela passará a gravar por um selo pequeno, o Biscoito Fino. "Fui convidada para a gravadora. Não foi um convite bobo, irresponsável. Foi sério, com todas as garantias profissionais que seriam exigíveis", conta. "A diretora é a cantora Miúcha; o elenco é pequeno: estão lá o Francis e a Olívia Hime, poucos." Mágoas com as multinacionais do disco? "Não. Aceitei o convite porque essa é uma empresa brasileira, dirigida por gente que tem paixão pela música brasileira. Assinei um contrato de cinco anos, com o direito de produzir projetos especiais, paralelos ao disco anual previsto em contrato", conta. "O que acho é que as quatro grandes gravadoras perderam a compreensão da dinâmica da música brasileria; tratam-na com marketing, como fazem os americanos, mas não somos americanos. Não sou contra as multinacionais, mas percebo que o entendimento que elas têm da música brasileira estacionou - enquanto a música está em movimento contínuo, em constante renovação." E compara: "As multinacionais não entedem quando um artista vende um pouco menos. Mas esse silêncio do artista é essencial. É como no futebol - nem sempre se chega direto ao gol. Às vezes a bola vai para um lado, para o outro, experimentando o campo, antes de marcar."

Maria Bethânia - Maricotinha
Sexta e sábado, às 22 horas; e domingo às 19 horas.
De R$ 40,00 a R$ 90,00; R$ 20,00 a R$ 45,00 (estudantes); e R$ 35,00 a R$ 60,00 (ingressos antecipados).
Dia 7/12 não haverá apresentação.
Directv Music Hall. Avenida dos Jamaris, 213, tel. 5643-2500.
Até 16/12.
Patrocínio: Embratel.



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