miércoles, 30 de noviembre de 2016

2016 - 2017 - CAETANO APRESENTA TERESA

16/11/2015 
Teresa Cristina canta Cartola: um poeta de Mangueira 
Theatro Net Rio (RJ)

CD + DVD - Gravado em 16 de novembro de 2015 em apresentação do show da cantora carioca no Theatro Net Rio, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).




16/11/2015



Release escrito por Caetano Veloso sobre Teresa canta Cartola, novo álbum de Teresa Cristina 

"Teresa Cristina surgiu, junto ao Grupo Semente, como uma autoridade natural do mundo do samba. Toda sua dignidade pessoal potencializava a dignidade social que o samba ganhou ao longo de sua história. Era como se esse ritmo, visto em seus começos como uma ameaça à sociedade - que decidia botar a polícia contra sua prática - tivesse galgado a escala e, passando de Donga a Noel (Rosa), de Ary (Barroso) a Zé Kétti, de Aracy (de Almeida) a Elza (Soares), tivesse chegado, com Teresa, a um grau definitivo de respeitabilidade. E parado ali. O CD duplo com canções de Paulinho da Viola registrava essa estação. Mas o show que vimos no Theatro Net Rio foi muito além disso. Teresa apresentou uma gama de tons e sentimentos diferenciados, a variedade refletindo o conhecimento de música popular que ela guarda desde a meninice.

Fiquei impressionado com a cultura musical de Teresa quando a convidei para participar de um dos shows da série Obra em progresso, durante a feitura do CD Zii e Zie: ela sabia todas as minhas canções, me reensinando as que eu tivesse esquecido. Depois vi que ela conhecia igualmente a obra de Roberto Carlos, e de Cazuza, e de Supertramp e de quem mais você pensar. No show que ela fez com a banda Os Outros, com canções de Roberto, ela mantinha a segurança que apresentava nas interpretações de sambas. Mas não parecia ainda sair de uma zona protegida. Agora, com as canções de Cartola, é uma artista cheia de nuances que aparece. Sua elegância em cena, a propriedade espontânea de cada gesto, o humor, a riqueza de colorido em sua afinação segura, tudo revela uma cantora-criadora, uma artista da canção. Os sambas de Cartola surgem mais precisos e mais tocantes do que nunca. O show é uma antologia composta por uma especialista superior.

A adequação do canto de Teresa ao violão de Carlinhos Sete Cordas é mais do que perfeita. É mágica. Carlinhos é um instrumentista esplêndido, a limpidez de seu toque vem da intimidade com tudo o que aconteceu com o samba desde o começo do século 20. Estão ali os primeiros batuques, o brilho dos virtuoses, as condensações harmônicas da bossa nova. Mais: nele se percebe o samba enriquecendo a música em sua totalidade histórica. A tranquilidade com que cada acorde escolhido sugere a entrada da voz de Teresa refina a alma do ouvinte. E Teresa cresce a cada melodia, a cada palavra, a cada segundo. Todos os brasileiros deveriam ver e ouvir o que se passou no Theatro Net Rio naquela noite.”

Caetano Veloso








2016

2016

O GLOBO
11/11/2016

Música

Caetano Veloso: ‘O Brasil deve repensar tudo’
Em turnê com Teresa Cristina, músico condena 'histeria absurda' sobre a Rouanet e chama Trump de 'piada que vira pesadelo'


Foto: Rafael Berezinski


por Leonardo Lichote

RIO — Em conversa por e-mail, Caetano Veloso diz o que parece guiar todo o seu pensamento: "vivemos um período de grandes dificuldades". Mas nega que seja mais cobrado por suas opiniões hoje do que em outros tempos: "Talvez porque não olhe redes sociais". Com show marcado para esta sexta-feira e este sábado, ao lado de Teresa Cristina, no Vivo Rio, ele chama de "histeria absurda" a "demonização da Lei Rouanet", conta que não se surpreendeu com a eleição de Donald Trump (um político "desses que surgem como piada e tornam-se um pesadelo"), chama João Doria de "muito yuppiezinho" e critica a "visão difundida contra os evangélicos".


Em 2008, você comentou que Teresa Cristina representava uma "reserva indígena do samba". Como se aproximou dela?

Comprei o disco de Teresa com os sambas de Paulinho (a estreia da cantora, em 2002) logo que saiu. Quando ouvi achei que ela cantava tudo com correção e respeito mas de forma quase neutra. Ao chegar perto dela na série que apresentei durante a feitura do "Zii e zie" ("Obra em progresso", em 2008), me impressionei com o conhecimento que ela tem do meu trabalho. E logo fui vendo que ela conhecia muita música além da minha e dos sambas que cantava na Lapa. Minha piada sobre a "reserva indígena do samba carioca" não surgiu em relação a ela. Eu me referia à nova onda pós Zicartola que cresceu para dentro dos ambientes próximos ao samba de morro. Houve uma superespecialização e uma supercarioquização do samba. Sabe como é, sou baiano, "o samba nasceu foi na Bahia", como dizia Vinicius, ecoando anos de apoteoses no Cassino da Urca. Cresci sabendo que o samba era Herivelto, Caymmi, Ary, Noel, Aracy, Ataulfo, Jorge Veiga, Assis Valente, Carmen Costa, Elizeth... e também os carnavais de Linda e Dircinha, Dalva, Emilinha e Marlene, enfim, uma música do povo brasileiro. Depois houve um resfriamento. E um reaquecimento com dois gumes: o "pagode" (que tinha sido raiz como atesta o nome artístico de Zeca) tornado fenômeno comercial e o ensimesmamento do samba "autêntico" carioca. No fim, a reserva indígena mundial do rock se mostrou mais restritiva do que a do samba. Gosto de tudo, mas sou cheio de nó pelas costas.


Há uma cobrança da esquerda por seu posicionamento político hoje. Essa cobrança é comparável à que você recebia na ditadura?

Há cobrança dirigida a mim? Não vejo muito isso. Talvez porque não olhe redes sociais. Já me senti mais cobrado em outros períodos de minha vida. Não há nada agora semelhante à vaia a "É proibido proibir", à campanha contra os "bahiunos" do "Pasquim" ou à guerra contra a "patrulha odara". Vivemos um período de grandes dificuldades, e todo mundo percebe isso. Mesmo os que tentam simplificar sabem que estão fingindo.

O Ministério da Cultura por pouco não deixou de existir, a Secretaria Estadual de Cultura do Rio acaba de ser extinta, e a Secretaria Municipal de Cultura também corre o risco de se fundir a outra (ou outras). O que acha que isso representa para a Cultura?

Quando Temer extinguiu o MinC, chiei contra a decisão. Eu e muita gente. Ele, mal entrado no poder, recuou. Escrevi em defesa de um grupo que, dentro do ministério, estudava direitos autorais na era digital. Entendo pouco e mal do assunto. Mas confiava na Diretoria de Direitos Intelectuais. Fui cantar no Ocupa MinC, no Capanema. E, junto com outros membros da Associação Procure Saber, aceitei conversar com o ministro. Que foi gentil e pareceu aceitar nossas sugestões. No fim, Marcos Souza (que comandava a DDI) foi fritado e seu grupo desmantelado.


Como você avalia a atuação do ministério?

Trabalho muito, não tenho tempo de ficar estudando tudo o que faz ou deixa de fazer o MinC. Sei que o governo está centrado em fazer parecer que cuida do problema fiscal e ponto. O ministro não deve poder muito. É capaz até de ele ouvir quem não deve, dada a fragilidade da situação. O comentário dele sobre o elenco do filme "Aquarius" foi infeliz. Sonia Braga respondeu muito bem.


Há uma CPI da Lei Rouanet. Devemos repensar o modelo de incentivo à cultura?

O Brasil deve repensar tudo. Agora, a demonização da Lei Rouanet, alardeada por ignorantes, é histeria absurda. Me contam que dizem que nós artistas mamamos na tetas do governo do PT e por isso reclamamos. Não mamo em nada. As palavras de apresentação da CPI reproduziam um site grosseiro, e a maior parte das queixas de malucos que escrevem para redações e se multiplicam nas redes sociais é feita de ressentimento e desinformação. Que venha CPI, o diabo, a verdade há de prevalecer, mesmo que seja desrespeitada por algum tempo.


Você acompanha o movimento de ocupação das escolas?

Acompanho pouco. A imprensa não deu muito espaço nem explicação. E viajei muito. Agora, minha tendência natural é simpatizar com os adolescentes.


Você esteve perto de Gil ao longo de seu tratamento. Como foi vê-lo enfrentar a demanda física da turnê que vocês fizeram?

Fiquei preocupado logo após a primeira internação. Tomei susto. E ele voltou pra Bahia, para fazermos o show no Farol da Barra, muito abatido. Estávamos às vésperas de sair em viagem de turnê longa. Mas ele mesmo me disse (e um médico me assegurou) que iria melhorar com o tratamento que mal começara. Ele de fato melhorou consistentemente durante a viagem. Na terceira cidade ele já estava firme no canto e no violão. Desde então, ele tem melhorado.


O que representa a vitória de Crivella no Rio e de Doria em São Paulo?

O caso do Rio me parece melhor. Fiz a campanha de Freixo desde o primeiro até o último momento. Mas não me identifico com essa visão difundida contra os evangélicos. Penso mais como Mangabeira (Unger). Já Doria é muito yuppiezinho.


E a eleição do Trump nos EUA? Você acredita que ela faz parte de uma onda conservadora internacional? O filósofo Slavoj Zizek disse que o perigo real seria Hillary.

Sem dúvida a eleição de Trump (que para mim não foi assim tão surpreendente: eu achava que muita gente que ia votar nele não dizia isso) tem semelhança com o Brexit e com o resultado do plebiscito sobre o acordo com as Farc na Colômbia. Os populistas de direita na Europa todos celebraram. A frase de Zizek é compreensível. Não é só uma frase de efeito chocante (coisa de que ele gosta muito). Hillary seria a reafirmação da política convencional americana, e era certo o aumento da tensão com a Rússia. Leia os artigos de Pepe Escobar. E Hillary é guerreira. Trump é uma maluquice, o tipo de político de que não gosto. Desses que surgem como piada e tornam-se um pesadelo. Ecoando Mautner, liguei o nome dele aos de Jânio e Hitler, num artigo maluco que escrevi (antes de Temer virar presidente) para a revista on-line "Fevereiro". Mas é assim que vamos aprendendo a viver estes nossos tempos.


ENCONTRO QUE FLUI NO PALCO

Anos depois de ter conversado com Teresa Cristina sobre a “impressão de neutralidade” que teve ao ouvir o disco que ela fez sobre Paulinho da Viola, Caetano viu “maravilhado” ela cantar Cartola ao lado de Carlinhos Sete Cordas.


—Ela tinha entendido tudo dos meus comentários — diz, referindo-se ao show que originou “Caetano apresenta Teresa”.

Além de Cartola, o roteiro tem músicas de Caetano como “Miragem de carnaval” e “Tigresa”. Teresa celebra o encontro:


— Gravar “Gema” era um sonho, cantava muito em casa, assim como cantava “Como 2 e 2” desde os quatro anos. Caetano faz uma letra dessa, forte, e mantém o olhar delicado, atento à performance. E a interação dele com o Carlinhos deu a tônica do encontro. Flui. A gente tem se divertido, viu?


SERVIÇO 
"Caetano apresenta Teresa"
Onde: Vivo Rio - Av. Infante Dom Henrique, 85 (2272-2901)
Quando: Nesta sexta-feira e neste sábado, às 22h
Quanto: De R$ 80 a R$ 220; Classificação: 18 anos.






 







 
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"Não sinto diferença entre ser Caetano Veloso e
 ser Caetano, ser eu", disse o artista.

O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2016 

‘Eu gostaria de ter mais talento’, diz Caetano Veloso

Em entrevista ao 'Estado', cantor fala sobre política, a saúde de Gilberto Gil, as qualidades de Rita Lee e o samba de Cartola na voz Teresa Cristina, que o faz seguir nos palcos.

Julio Maria

Se comparado ao homem de 30 anos atrás, Caetano Veloso é um monge chinês. Menos passional, mais reflexivo, suave e contemporizador. Ao se preparar para trazer o show que faz com a sambista Teresa Cristina, dia 17, ao Espaço das Américas, ele fala ao Estado com respostas generosas mas sob a segurança antirréplicas garantida pelo conforto do computador. Caetano, para além do samba de Teresa, diz sobre a reaproximação com Roberto Carlos pós-desentendimentos no grupo Procure Saber (“nossa amizade está acima dessas coisas”), desconstrói repulsas à Igreja Universal, da qual faz parte o prefeito eleito do Rio, Marcelo Crivella (“consumismo e ostentação não é o forte deles”) e expõe uma fragilidade artística surpreendente: “Rita Lee é mais musical e canta com muito mais segurança do que eu... Eu gostaria de ter mais talento”.
O que o leva ao encontro de Teresa Cristina no momento em que todos pensavam que você iria descansar depois de tantos shows da turnê com Gil? 
Eu tive uma conversa com Teresa antes de ela apresentar o show no Net Rio e isso repercutiu na atuação dela. Assistindo ao show, fiquei maravilhado. O que me fez, depois, topar viajar com ela para me apresentar apresentando-a foi a decisão de Bob Hurwitz, o presidente do selo Nonesuch, de lançar o CD e o DVD do Canta Cartola mundialmente. Ele ficou entusiasmado com o que ouviu e viu e me animou a voltar a Nova York para reforçar o lançamento. Paralelamente, ele vem me pedindo que faça gravações exaustivas do meu repertório, em sessões de voz e violão, para uma série de CDs que ele sonha em lançar, como vem fazendo com a obra de Randy Newman, sem limite de tempo e independentemente de quaisquer projetos outros que eu venha a realizar. Não fechei essa combinação com ele, mas fiquei curioso e fui rever coisas do meu repertório. Comecei por experimentar músicas que não estivessem no show com Gil. Com isso em mente, disse finalmente a ele e a Paulinha (Paula Lavigne, sua empresária) que faria as apresentações com Teresa. Sim, eu queria e precisava descansar, mas a proposta era irresistível e os shows eram poucos: seis em um mês, com muitos dias de descanso.
Teresa Cristina é uma sambista que, poucos sabem, começou sua experiência musical ouvindo bandas de rock. O que chamou sua atenção desde que a viu?
Descobri a cultura musical de Teresa quando ela foi fazer um dos shows de preparação do Zii e Zie comigo. Sabia todas as minhas músicas. E as de Roberto Carlos. Quando fez um show com a banda de rock Os Outros, no Tom Jobim do Jardim Botânico, fui ver. Repertório de Roberto Carlos. Depois fiquei sabendo que ela conhecia muito heavy metal. Na turnê encontramos os caras de uma banda gringa cujo nome eu nem sei e Teresa ficou excitada por ver esses músicos de quem ela tinha sido fã. No show com as músicas de Cartola, ela apresenta muito do colorido da formação do seu gosto. Não é ‘flat’. E o canto dela com o violão de Carlinhos Sete Cordas é pureza estética.
Sobre Gilberto Gil, como têm sido esses tempos de tratamento de seu amigo? Existe uma grande preocupação rondando sua saúde. Como vem sendo a relação de vocês? Gil canta tanto que não tem medo da morte, mas diz ter medo do ‘ato do morrer’.
Eu adoro essa música, é epicurista. Lindos os versos “Não tenho medo da morte / Mas medo de morrer, sim/ A morte é depois de mim/ Mas quem vai morrer sou eu”. Admiro e, no fundo, tenho uma certa inveja. Porque eu tenho medo da morte. Não estou tão seguro de que estarei presente e consciente no momento de morrer. Tenho medo, em geral, da ideia de não estar presente, de não ser. Tive grande preocupação com Gil quando ele foi hospitalizado pela primeira vez. Depois, vi que, como ele me dizia, o tratamento iria fazê-lo melhorar. Voltei a me preocupar quando ele suspendeu um show que íamos fazer no Rio. Fui à casa dele e me tranquilizei. Ele tinha tido uma reação adversa a um medicamento. Depois, fizemos o show na data remarcada e ele estava maravilhoso.
Nesta semana, você, Gil e Roberto se encontraram para a gravação do especial de Roberto de fim de ano. Depois do episódio do Procure Saber, grupo do qual Roberto saiu de forma ruidosa, será a primeira aparição pública dos três. Vocês voltaram a falar algo sobre o assunto?
Escrevi publicamente a Roberto na altura. E também mandei uma carta privada. Eu sempre soube, e ele sabe, que nosso histórico artístico e nossa amizade estão acima dessas coisas. Agora nos reencontramos com o mesmo carinho de sempre.
O assunto biografias ganhou um fato importante com o lançamento da autobiografia de Rita Lee. Ela se coloca no texto como honesta e impiedosa consigo e com muitos que passaram por sua história. É uma atitude comparável a livros autobiográficos lançados por Keith Richards, Eric Clapton e Rod Stewart. O universo do rock permite ao artista assumir certos erros (Rita diz que não sabe cantar nem tocar) e ‘pecados’ (consumo de drogas e álcool, por exemplo). Não falta aos nomes da MPB se levarem menos a sério e abrirem mais seus corações nas autobiografias?
Não li o livro de Rita Lee, ainda. Vou ler. Quanto ao assunto das biografias, sempre tive posição oposta à dos meus colegas mais próximos. Nunca achei que só devam existir biografias chapa-branca. Disse a meus colegas: o máximo que posso é fazer tudo para não atrapalhar. E procurei entender e explicar as razões e os sentimentos deles. Não li Rita, mas li Clapton: há várias coisas contadas sobre ele (de política a sexo) na biografia não autorizada de Mick Jagger a que Clapton, ele próprio, nem se refere na autobiografia. E você como jornalista deve reconhecer que a campanha pela liberação das biografias foi maculada por vícios sinistros da imprensa. Não creio que os jornalistas não soubessem que minha posição era diferente: eu escrevia coluna no Globo. Mas todos os veículos preferiram pôr meu nome como de defensor da censura. Uma acusação que eu não lançaria nem aos meus colegas que estavam preocupados com a privacidade.
Eu preciso saber de você, cidadão baiano morador do Rio de Janeiro que se alinhou às ideias do candidato a prefeito Marcelo Freixo. Como ficam suas expectativas com o Rio diante no novo prefeito eleito, Marcelo Crivella? Há uma certa depressão coletiva dos que acreditavam que o caminho não era este, uma sensação de que se viverá (com Crivella no Rio, João Doria em São Paulo e Temer em Brasília) um retrocesso de conquistas sociais...
Retrocesso pode haver. Acho que o impeachment já foi um. Fiz a campanha de Freixo até o fim. Ele é uma esquerda fincada no tema dos direitos humanos, enfrentou as milícias e sempre mostrou honestidade inabalável. Mas não penso os lugares-comuns que são difundidos sobre os evangélicos. Li uma pesquisadora dizendo em entrevista à Folha que a teologia da prosperidade da Igreja Universal é estímulo ao consumo e à ostentação. Não sou pesquisador nem acadêmico da universidade, mas sei que isso não é assim. Conheço muitos evangélicos da Universal. Consumismo e ostentação não são o forte deles. O forte é a autoajuda, a geração de respeito próprio, a geração de respeito de grupo, a ajuda mútua. O bispo Macedo pode ter várias mansões e um jato maior do que o de Roberto Marinho (o que eu já constatei de perto), mas a maioria esmagadora dos fiéis é cuidadosa, honesta, organizada e trabalhadora. A expressão “sem preconceito” era forte na campanha de Crivella.
Música pode se tornar algo cansativo? Sente esgotamento em algum momento desse processo (compor, gravar, sair para shows)?
Música é bom e eu gostaria de ter mais talento. Só para aumentar o prazer. Muitas vezes, percebo a imensidão do prazer de Djavan, de Milton, de Guinga. O que cansa é aeroporto, avião, hotel, estrada.
Cansa ser Caetano Veloso?
Não sinto diferença entre ser Caetano Veloso e ser Caetano, ser eu. Cansar de mim? Já tive um período de desgosto profundo de tudo. Durou uns meses. Faz muitos anos. Não quero sentir aquilo nunca mais. Agora, estou certo de que Rita Lee é mais musical e canta com muito mais segurança do que eu. 


Novembro 2016





Agosto 2016 - Ensaio turnê internacional










Caetano Veloso faz show em Paris e cumprimenta plateia com "Fora Temer"

Publicado em 03-09-2016 


 A cantora Teresa Cristina interpretou sambas de Cartola.RFI / Augusto Pinheiro


Caetano Veloso no palco do 15° Festival da Lavagem da Madalena, em Paris. RFI / Augusto Pinheiro



Foto: AFP - Francois Guillot


Foto: AFP - Francois Guillot




6-7/9/2016 - Coliseu de Lisboa






Lisboa







 



 

 


Seul - Corea del Sur






 

 

 





 





 




2017



 











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