viernes, 24 de junio de 2016

2015 - ANDRÉ MIDANI - do vinil ao download


Baseado na autobiografia de André Midani, o longa revela acontecimentos fundamentais da música brasileira a partir da vida e das relações do executivo da indústria fonográfica, responsável por moldar carreiras exemplares e pelo crescimento da área no Brasil entre 1950 e os anos 2000. 

Sua história é contada através de diversos encontros informais acompanhados de jam sessions realizadas na casa do próprio André, com artistas, intelectuais e jornalistas que o influenciaram e foram influenciados por ele; encontros que trouxeram inúmeros frutos, materiais e imateriais, à cultura do país.


  2008              2015
MIDANI, André. Música, ídolos e poder: do vinil ao download. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira S.A., 2008. Pág. 296.




Lançamento do livro “Música, ídolos e poder: do vinil ao download”, de André Midani, na Livraria da Travessa, no Shopping Leblon”. 8/10/2008.
Foto: Paulo Jabur



André Midani lançou o livro “Música, Ídolos e Poder: do Vinil ao Download” na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. 14/10/2008.
Foto: Verena Smit



10 de Novembro de 2008

André Midani
Editora Nova Fronteira

O homem que sabe demais, mas que simplesmente não conta
 

Se quisesse, André Midani poderia iluminar com sua autobiografia muitos aspectos ainda obscuros dos caminhos que a música feita no Brasil seguiu a partir da segunda metade dos anos 50. Não quis. Talvez o executivo mais importante da história da nossa finada indústria fonográfica, ele preferiu não emitir sua própria opinião sobre os fatos e as pessoas que menciona em seu livro. Foge de contar algum detalhe de bastidor um pouco mais ácido e passa rápido demais por acontecimentos históricos importantes, terminando todas as conversas antes do fim. Também não se preocupa em localizar o leitor em termos cronológicos – o que faz com que cada fato possa ter ocorrido tanto em 1959 quanto em 1985. Francês radicado no Brasil desde 1955, Midani esteve por traz de momentos fundamentais na nossa música. Contratou João Gilberto para gravar Chega de Saudade (1959) na Odeon, inaugurando a bossa nova. Bancou Araçá Azul (1972), o álbum mais experimental de Caetano Veloso, o antológico Elis e Tom (1974) e os sensacionais trabalhos pós-jovem guarda de Erasmo Carlos. No começo dos 80, investiu em nomes como Ultraje a Rigor e Lulu Santos, impulsionando e solidificando o BRock. Não trabalha mais com isso, mas ainda tem muita história para contar.
Marcus Preto [Rolling Stone]




GLAMURAMA

22/6/2014



Gil e Caetano Veloso dão voz ao documentário sobre André Midani
 
 

André Midani, poderoso da indústria fonográfica brasileira



Glamurama descobriu mais sobre o documentário que André Midani vai ganhar das mãos de Andrucha Waddington e Mini Kerti.

Ele, responsável por lançar a bossa nova e o tropicalismo, além de investir em peso no rock nacional dos anos 80, vai ter sua história de vida na música retratada -lembrando que hoje ele tem 81 anos.

O longa vai ter entrevistas com vários músicos que fizeram parte de sua trajetória, como Gilberto Gil e Caetano Veloso, que, por sinal, foram entrevistados na casa da família Midani nesse sábado, na Gávea, Rio. O documentário, ainda sem nome, deve ficar pronto no final do ano.

O encontro nos domínios do casal Gilda e André Midani reuniu, além de Gil e Caetano, Flora Gil, Andrea Franco, Emilio Kalil e Pedro Waddington -diretor e filho de Andrucha Waddington, que ajudou na gravação.


Andrea Franco e Gilda Midani nos bastidores da gravação nesse sábado


Emilio Kalil, André Midani, Gilberto Gil e Caetano durante a gravação nesse sábado




André Midani e Sergio Chermont de Brito na Livraria da Travessa do Leblon. Relançamento do livro, 16/3/2015.




11/2/2015
Série documental 'André Midani - do vinil ao download' estreia em março, com a participação de nomes como Caetano Veloso e Gil

A partir de 10 de março, às 23h, em cinco episódios.


A partir do 10 de março, às 23h, o GNT estreia com exclusividade “André Midani - Do Vinil ao Download”, série sobre a história de um dos maiores executivos da indústria da música no Brasil. Baseada no livro homônimo, publicado em 2008 pela Editora Nova Fronteira, e que está sendo relançado com dois capítulos inéditos, a série tem produção da Conspiração Filmes e direção de Andrucha Waddington e Mini Kerti.

O programa narra a trajetória desse nome que influenciou os principais e mais importantes movimentos musicais dos últimos 50 anos no Brasil. André deixou sua marca no mercado fonográfico com contribuições nas carreiras de grandes artistas da MPB, da bossa nova e do rock nacional.

Dividido em cinco episódios, de 60 minutos cada, a série segue o formato de documentário e promove encontros mais que especiais. De intelectuais a artistas, ele conseguiu reunir um time invejável de amigos e admiradores. As reuniões, sempre informais, foram realizadas em sua própria casa no Rio de Janeiro e acabaram se transformando em verdadeiras jam sessions da mais alta qualidade musical.

Nomes como Ney Matogrosso, Baby do Brasil, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Fernanda Montenegro, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Frejat, Jorge Ben, Erasmo Carlos e muitos outros que tiveram suas carreiras influenciadas por Midani, revelam os bastidores e curiosidades de momentos cruciais da música brasileira. A série traz interpretações musicais de mais de 60 canções, que fazem parte da história não só dos artistas presentes na produção, mas de todos os brasileiros.

 
Na foto, parte da turma que está no documentário (Foto: Divulgação)
Nascido na Síria e criado na França, o empresário atuou não só no Brasil, mas em outros países da América Latina e em Nova York, nos Estados Unidos. Editada em ordem cronológica, a série documental começa nos anos 50 e 60, com a chegada de Midani ao Brasil e o início da Bossa Nova, e encerra esse verdadeiro passeio pela música popular brasileira no quinto episódio, que tem o download como tema. “Peguei um navio para ir à Argentina. Quando o barco parou por aqui (no Rio de Janeiro), pensei que nunca tinha visto uma coisa tão linda: 5 de dezembro, às 6h, o sol se levantando, em 1955”, relembra emocionado.

Cada capítulo traz um pouco da fascinante jornada do produtor musical e do crescimento da indústria fonográfica brasileira. 

São eles:

Parte 1) Vinil (10/3, às 23h) – Anos 50 e 60. A chegada de André ao Brasil no final de 1955 fugindo da guerra da Argélia, sua infância e juventude. O início da Bossa Nova, suas origens e propagação pelo país.
Parte 2) Anos de Chumbo (17/3, às 23h) – Final dos anos 60 e início dos 70. O difícil período da ditadura, os famosos festivais e o surgimento de um novo movimento musical no país: A Tropicália. O segundo episódio fala ainda sobre o exílio de alguns dos nossos artistas e sobre o Phono 73, festival organizado por André durante seu exílio e que em pleno auge da ditatura conseguiu lançar novos artistas.
Parte 3) Era de Ouro (24/3, às 23h) – Anos 70. Consolidação de artistas da MPB, lançamento de discos antológicos, diversificação do cenário musical brasileiro.
Parte 4) BrRock (31/3, às 23h)– O quarto episódio da série traz a explosão do rock nacional e o pop brasileiro nos anos 80. O surgimento de uma geração de novos talentos como Os Titãs, Lulu Santos, Kid Abelha, Barão Vermelho e muitos outros.
Parte 5) Download (7/4, às 23h) – O quinto e último episódio mostra a revolução da indústria fonográfica com a chegada da era digital. A obra trata ainda do papel do artista e das gravadoras nos dias de hoje.




6/4/2015
Série documental 'André Midani - do vinil ao download' tem livro relançado
Documentário foi produzido em parceria com o canal GNT

 

Um dos nomes mais importantes da indústria fonográfica do país, participante ativo do nascimento da bossa nova, da tropicália e do rock nacional, André Midani reúne em sua autobiografia vários momentos que presenciou e protagonizou.

A Nova Fronteira acaba de relançar o livro André Midani – do vinil ao download”, já à venda, onde o executivo de empresas como Odeon, Phonogram e WEA conta como a sua vida e episódios da história mundial (foi testemunha do Dia D) e do Brasil (ditadura militar) se misturaram.
Midani ousou ao manter empregados, mesmo no exílio, nomes considerados subversivos pela ditadura militar como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, entre outros. O livro traz dois capítulos totalmente inéditos, dedicados a importantes episódios do cenário musical.
“Se não existisse, André Midani não poderia ser inventado. Seria inverossímil demais. Sua vida é feita de acasos improváveis”, afirma Zuenier Ventura na orelha do livro. A descrição é perfeitamente compreendida apenas ao saber um breve perfil seu: nascido na Síria e criado na França, o empresário atuou não só no Brasil, mas em outros países da América Latina e em Nova York, nos Estados Unidos. Desertor da Guerra na Argélia e confeiteiro em Paris, Midani dedicou 12 meses para escrever o livro.
A nova edição de “André Midani – Do vinil ao download” traz dois capítulos inéditos: 37 e 38. No primeiro, o autor conta que foi uma das primeiras pessoas a ter o privilégio de ouvir “A Day in The Life”, dos Beatles. “Tratava-se de uma revolução. Nunca se tinha ouvido nada parecido no mundo do rock branco, surgido, para todos os efeitos, com Elvis e Bill Haley. Arrisco dizer que era a entrada dos Beatles numa esfera mais mainstream e acessível a todos. Que abriria portas a Pink Floyd, Yes, Brian Eno, entre muitos outros”, conta. No seguinte, 38, ele detalha como fechou o contrato mais rápido da sua vida com o empresário da banda inglesa New Order.
Baseado no livro de Midani, os diretores Andrucha Waddington e Mini Kerti, da Conspiração Filmes, em parceria com o canal GNT, produziram a série “André Midani – Do vinil ao download”. No estilo de documentário, o autor promove encontros com artistas na sala de sua casa, na Gávea, para relembrar os momentos marcantes que dividiram, não só na vida pessoal, mas especialmente ligados à música. A transcrição de uma conversa com André, Mini e Andrucha sobre a elaboração desse projeto também faz parte desta edição revisada que a Nova Fronteira disponibiliza no mercado.




Baseado em livro homônimo, de 2008, relançado em 2015, a série André Midani – do vinil ao download ainda será divulgada como documentário, a ser exibido também no exterior.



Andrucha Waddington e André Midani

NOME ORIGINAL: André Midani: Do Vinil ao Download

PAÍS DE ORIGEM: Brasil

ANO: 2015

DURAÇÃO: 120 minutos

GÊNERO: Documentário

DIREÇÃO: Andrucha Waddington, Mini Kerti

ROTEIRO: Hana Vaisman

FOTOGRAFIA: Fernando Young

MONTAGEM: Moema Pombo, Quito Ribeiro

ESTÚDIO: Conspiração Filmes

PRODUÇÃO: Gil Ribeiro, Gustavo Baldoni

ELENCO: André Midani, Armando Pitigliani, Arnaldo Antunes, Cacá Diegues, Caetano Veloso, Daniel Filho, Erasmo Carlos, Evandro Mesquita, Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, Flora Gil, Gilberto Gil, Herbert Vianna, Paulo Miklos, Nelson Motta, Ney Matogrosso



Sinopse

A história da indústria musical no Brasil na segunda metade do Século XX, através da vida de um de seus maiores executivos, André Midani. Encontros informais e intervenções de canto se misturam a depoimentos que reconstituem a trajetória daqueles que influenciaram em Midani, e que também o influenciaram.


Curiosidades

- Selecionado para o Festival do Rio 2015.

- Baseado na autobiografia de André Midani.

- Foi filmado e exibido como uma série para o canal GNT, e editado depois para se tornar um longa-metragem.




2/3/2015

André Midani recebe convidados em exibição do documentário "Do vinil ao download"

Fernanda Torres e Gilberto Gil compareceream ao evento.



Com a exibição do seu documentário marcada para as 21h30, em uma sala de cinema na Zona Sul do Rio, Andre Midani, o produtor musical mais importante da história da MPB, chegou duas horas antes com sua mulher, a estilista Gilda Midani, outra personalidade respeitadíssima pelo seu trabalho – e, ainda, sogra de Sabrina Sato -, para receber seus convidados.


É nesta segunda-feira (2) que os amigos dessa lenda da música brasileira assistem a sua história contada na telona, através do documentário “Andre Midani – do vinil ao download”. Depois da exibição no cinema, a série documental estreia com exclusividade no canal GNT no dia 10, às 23h.

Na TV, o documentário será dividido em cinco episódios, de 60 minutos cada. Nele, reúne-se um time invejável de amigos e admiradores, de intelectuais à artistas. As reuniões, sempre informais, foram realizadas em sua própria casa no Rio de Janeiro e acabaram se transformando em verdadeiras jam sessions da mais alta qualidade musical. Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Erasmo Carlos, Nelson Motta e Arnaldo Antunes são algumas das personalidades que estão no documentário e que foram prestigiar Midani. O diretor Andrucha também estava lá acompanhado da sua esposa, a atriz Fernanda Torres. Baby Consuelo, que está na série, não estava, mas seu filho, Pedro, foi representando-a. O produtor musical ainda foi prestigiado por nomes importantes da música brasileira, como Marcos Valle e Roberto Menescal. Caetano Veloso chegou acompanhado de Luana Moussallem, quando todos já estavam na sala de exibição, mas garantiu a pipoquinha para a sessão.


 
Caetano Veloso, que chegou quando todos já estavam na sala de exibição, estava acompanhado de Luana Moussallem (créditos: Fabiano Battaglin)


 




Caetano Veloso esteve na festa de lançamento do documentário sobre o produtor musical André Midani. O evento aconteceu na noite desta segunda-feira (2) no Cinépolis Lagoon, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O cantor levou a namorada Luana Moussallem. 

Outros astros da música brasileira também marcaram presença, como Gilberto Gil, Erasmo Carlos e Ney Matogrosso. Assim como Nelson Motta, Daniel Filho e Miele, que foram prestigiar o colega.

André Midani - Do Vinil ao Download tem a direção de Andrucha Waddington, Mimi Kerti e será exibido no canal por assinatura GNT a partir de 10 de março, às 23h.




4 março, 2015 
Lançamento de documentário sobre André Midani reúne estrelas da MPB no Rio
Por Luiz Guirra

Midani, de 82 anos, influenciou os principais e mais importantes movimentos musicais das últimas cinco décadas no país
 



André Midani recebeu ontem, 02 de março, no Lagoon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, nomes como Erasmo Carlos, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Roberto Menescal, Nelson Motta, Ney Matogrosso,Frejat e Arnaldo Antunes para conferir o documentário “André Midani – Do vinil ao download“, um resumo da série de mesmo nome que estreia no dia 10 de março no GNT.

Emocionado, o grande homenageado da noite fez um agradecimento: “Quero agradecer a todos os funcionários das empresas onde trabalhei, aos executivos que me cercaram esses anos todos, aos artistas que me confiaram suas carreiras. Agradeço ao Brasil, à música brasileira, aos artistas brasileiros, ao GNT, ao Andrucha, Mini e, finalmente, ​ minha mulher que foi uma ótima anfitriã”, disse André Midani.

Daniel Filho, Fernanda Torres, Miele, Paula Toller, Bi Ribeiro, Marcelo Bonfá, Carlos Lyra, Marcos Valle​ e Bela Gil​ também participaram do evento.



Serviço GNT
André Midani – Do vinil ao download
Estreia: 10 de março
Dia e horário: toda terça, às 23h
Número de episódios: 5



GNT (Globosat News Television) 
10/3/2015
Documentário narra a história de executivo da música brasileira
Midani, de 82 anos, influenciou os principais e mais importantes movimentos musicais das últimas cinco décadas no país
Nilma Gonçalves







Gilberto Gil, André Midani e Caetano Veloso em uma das reuniões informais, na  casa do  empresário, no Rio (Dan Behr/Divulgação)

Estreia hoje, no canal por assinatura GNT, às 23h, a série André Midani - Do Vinil ao Download, sobre a história de um dos maiores executivos da indústria da música no Brasil. Midani, de 82 anos, influenciou os principais e mais importantes movimentos musicais das últimas cinco décadas no país e deixou sua marca no mercado fonográfico, com contribuições nas carreiras de grandes artistas da MPB, da bossa nova e do rock nacional, o chamado BRock.

Dividido em cinco episódios, de 60 minutos cada, o programa segue o formato de documentário e promove encontros especiais. Nomes como Ney Matogrosso, Baby do Brasil, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Frejat, Jorge Ben, Erasmo Carlos e muitos outros que tiveram suas carreiras influenciadas por Midani, revelam os bastidores da série.

As reuniões, sempre informais, foram realizadas na casa do próprio empresário, no Rio de Janeiro, e acabaram se transformando em verdadeiras jam sessions.  São mais de 60 canções, que fazem parte da história dos brasileiros.

O início
Nascido em Damasco, na Síria, e criado na França, André Haidar Midani atuou não só no Brasil, mas em outros países da América Latina e em Nova York, nos Estados Unidos. Editada em ordem cronológica, a série documental começa nos anos 50 e 60, com a sua chegada ao Brasil e o início da Bossa Nova, e encerra esse verdadeiro passeio pela música popular brasileira no quinto episódio, que tem o download como tema.

“Peguei um navio para ir à Argentina. Quando o barco parou por aqui (no Rio de Janeiro), pensei que nunca tinha visto uma coisa tão linda: 5 de dezembro, às 6h, o sol se levantando, em 1955”, relembra emocionado.

Considerado pela revista americana Billboard uma das 90 pessoas mais importantes da história da indústria mundial de discos, Midani participou ativamente do nascimento da bossa, da Tropicália e do BRock, dos grandes festivais e das fantásticas jogadas de marketing das gravadoras para projetar seus ídolos.

Baseada no livro homônimo, publicado em 2008 pela Editora Nova Fronteira, e que está sendo relançado com dois capítulos inéditos, a série tem produção da Conspiração Filmes e direção de Andrucha Waddington e Mini Kerti.



 



13/3/2015
Muita história para contar.

GNT estreia Do Vinil ao Download, série que conta a trajetória de André Midani, ex-executivo da indústria fonográfica

Fabiano Fonseca. O Tempo. Magazine


«A história é longa. Filho de pai árabe e mãe judia, nasceu em Damasco, na Síria. A criação, a partir dos 3 anos, aconteceu em Paris, na França. Testemunha ocular da Segunda Guerra Mundial e da Guerra da Argélia, no início dos anos 50, a oportunidade de um recomeço atravessando o Atlântico aconteceu em 1955 e significou uma transformação na música brasileira.


»A vida de André Midani dá, sim, um filme. É o que o canal GNT começa a apresentar hoje, às 23h, com Do Vinil ao Download, em forma de série, dirigida por Andrucha Waddington e Mini Kerti. Em cinco episódios —exibidos sempre às terças-feiras—, a produção narra a vida e a obra de Midani, um dos maiores executivos da indústria fonográfica no Brasil, responsável pelo surgimento e evolução de importantes movimentos musicais no país, como a bossa nova e o rock nacional, e seus principais representantes.
»“É um registro de vida que o Andrucha e a Mini me dão de uma forma muito profissional e bonita”, conta Midani, 82, em conversa por telefone, ao Magazine.
»A partir de encontros com grandes nomes da música brasileira —Gilberto Gil, Jorge Ben, Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, dentre muitos outros—, além de intelectuais, atores, realizadores —Fernanda Montenegro, Cacá Diegues, Nelson Motta...—, Midani e seus convidados relembram passagens de suas vidas e da música brasileira, por meio de casos divertidos, emocionantes e históricos.
»“Havia uma cachaça, um conhaque, uma liberdade grande em nossos encontros. Foi muito improviso. Convidamos os artistas e aí começa um papo a partir das memórias deles também, com momentos muito preciosos”, conta o ex-executivo, que entre os anos 50 e 90 teve um papel fundamental na indústria do disco, atuando em gravadoras como Odeon, Phonogram, Philips, Polydor e Warner.

Foto: Fabiano Battaglin
»“Acho Midani uma das figuras mais importantes da música brasileira dos anos 50 até os 90. Atuante, foi muito poderoso para os artistas. De uma maneira inteligente, compreendia os artistas, a música, e tinha uma relação muito profunda com seu elenco”.

»A opinião do diretor Andrucha Waddington ressalta o papel de Midani enquanto um descobridor de talentos e sonoridades no Brasil. Em sua busca por inovações e algo que mexesse com os jovens no país, ele foi um dos responsáveis pelo surgimento da bossa nova nos anos 50. “Naquela época, tinha 22 anos e havia uma vontade nossa em fazer algo novo. Estávamos arquitetando alguma coisa diferente para todos nós, jovens”, relembra Midani, sobre seus encontros e trabalhos com nomes como João Gilberto, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Nara Leão e Ronaldo Bôscoli.

»Com o passar dos anos, Midani foi ampliando seu campo de atuação na música brasileira. No início dos anos 60, após seu desligamento da Odeon —motivado por desentendimentos com o presidente da gravadora, Bill Morris—, Midani fundou a Imperial, vendendo discos de porta em porta. Bem-sucedido na nova empreitada, o executivo instalou a gravadora em outros países, chegando a atuar no México e nos Estados Unidos entre 1964 e 1968.

»De volta ao Brasil, Midani seguiu uma trilha de sucesso, gravando e trabalhando com nomes como Elis Regina, Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Os Mutantes, Edu Lobo, Jorge Ben, Maria Bethânia, Tim Maia, Raul Seixas, enfim, uma verdadeira constelação da música brasileira em todos os seus gêneros.

»“Tem muitas histórias e a gente tenta contar algumas delas na produção. A música brasileira é muito rica e tive o privilégio de conviver com gente muito talentosa”, afirma Midani.
»Foram 50 anos de envolvimento direto na indústria fonográfica brasileira, período em que André Midani acompanhou de perto a evolução dos formatos de criação e distribuição da música, os avanços tecnológicos no meio e, em especial, a ascensão e queda das gravadoras.

»Afastado da área desde o início dos anos 2000, Midani vê como o avanço tecnológico transformou a produção, distribuição e o consumo de música em todo o mundo, percebendo um lado mais positivo sobre a questão. “A indústria fonográfica tal qual conhecemos não existe mais. O download, o streaming, reduziu a indústria a 40%, 50% do que ela já foi. E hoje você não compra mais música, se faz música também. Acho isso extremamente positivo. Nunca houve tanto espaço para criar e promover sua música”, destaca o ex-executivo.

»Para quem marcou seu território profissional na indústria fonográfica, com todas as demandas de uma gravadora, seria no mínimo irônico e contraditório que alguém nessa posição defendesse o download e as novas formas de distribuição musical —que, de fato, são uma dor de cabeça para as grandes gravadoras. Midani pensa diferente e só faz uma única ressalva: “O lado negativo é que não há tanta originalidade, penso. Mas hoje você descobre o rock que se faz na Turquia, o tango produzido na Austrália. O campo ficou mais amplo e o vinil se tornou a voz amorosa dos saudosos”, define ele.


Cronologia musical do Brasil
Fabiano Fonseca. O Tempo. Magazine

«Em cinco episódios, Do Vinil ao Download perpassa por cinco décadas de intensas transformações da música no país.
»A história de Do Vinil ao Download [...] começa com uma outra ideia de Andrucha Waddington, diretor da produção em parceira com Mini Kerti.
»Há sete anos, Andrucha propôs a Midani a criação de um documentário sobre a Phono 73, festival histórico realizado pelo executivo, em 1973, reunindo o elenco da gravadora Phonogram, com nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, dentre outros. No entanto, em 2008, chega as prateleiras Música, Ídolos e Poder: Do Vinil ao Download, biografia de Midani que caiu nas mãos de Mini Kerti.


Foto: Dan Behr. O Globo



»“Li o livro e fiquei fascinada! Todo o improvável de sua vida, toda a transformação que promoveu na sua trajetória e na música me deixaram impressionada”, revela a diretora, que sabia o potencial cinematográfico que a vida de Midani demonstrava. “Liguei pro Andrucha (Waddington) e achei que ele era a pessoa para dirigir o filme. Ele gostou e sugeriu que fizéssemos em formato de documentário para a TV, com encontros com nomes da música”, explica Mini.

»Ideia comprada, Andrucha, Mini e Midani foram formatando temas e encontros para relembrar histórias e memórias da vida do ex-executivo e das suas significativas contribuições para a música brasileira.

»“Fizemos um encontro com o Gilberto Gil e o Cacá Diegues na casa do Midani. Criamos um piloto e fomos ao GNT, que comprou a ideia”, relembra Mini. A partir dessa gravação, a dupla da Conspiração Filmes, promoveu, durante sete meses, outros oito jantares/encontros na casa de André Midani, no Rio de Janeiro, reunindo convidados das mais diversas áreas para reviver e tocar inúmeras histórias de Midani e da música. “Tentamos organizar por assuntos, como, por exemplo, a bossa nova, e pensamos em nomes que representam o tema para participar do encontro”, conta Mini, sobre a proposta de tratar a produção em ordem cronológica, dividindo a obra em períodos históricos [...].









»Para André Midani, no entanto, a cronologia era o que menos lhe importava ao receber seus amigos em casa. “Os encontros e as conversas misturavam os temas e, na edição, é que aconteceu a divisão cronológica. Foi muito divertido, porque, nesses encontros, têm muita música. No episódio do rock, por exemplo, trem o encontro dos Titãs e dos Paralamas do Sucesso. Com Gil e Jorge Ben, também foi um encontro especial, relembrando o disco que fizeram juntos (Gil & Jorge, de 1975)”, adianta Midani, que elege um dos seus momentos favoritos na empreitada: “O encontro de Caetano, Gil e Jorge Ben, posso dizer que é muito emblemático para a cultura brasileira”.

»Para Mini Kerti, um dos aspectos mais prazerosos da narrativa sobre a vida de André Midani e seu papel na música brasileira foi a forma como o personagem da obra leva adiante os temas e as conversas com seus convidados. Afinal, não é só de memórias bonitas que se faz uma vida profissional na indústria musical, especialmente tendo que passar sobre os anos da ditadura militar no Brasil. “Temos assuntos carregados, mas não fica um peso. O Midani tem muito humor, é irônico e não carrega as coisas. Há histórias duras da ditadura, mas que ele relembra sem dramas e com humor”, destaca.

»Andrucha Waddington faz coro. “Houve a questão da ditadura e da censura, e Midani lidou com isso. O tema é tratado de forma bem-humorada. Ele deixou o Brasil em 1964, voltou em 68 e encontrou um outro país. E batalhou muito pelo seus artistas”, diz o diretor, que adianta que a série terá uma versão de 88 minutos que deve ser levada para o circuito de festivais de documentários.»





Entrevista
«Qualidade é algo subjetivo», diz executivo da indústria fonográfica André Midani. Série na TV e livro contam trajetória do homem que projetou grandes nomes da MPB (Música Popular Brasileira)

Francisco Dalcol. Zero Hora



Na entrevista a seguir, André Midani, 82 anos, avalia a trajetória da MPB (Música Popular Brasileira), analisa a crise do mercado musical diante da pirataria e da era digital e comenta o momento atual da música —e da política— brasileira.



A série André Midani. Do Vinil ao Download [...] é conduzida por diversos encontros gravados em sua casa, em Copacabana, reunindo artistas com quem você trabalhou desde os anos 1950. Como foi reviver essa história?

A série tem algumas virtudes. A primeira, óbvia, é que a gente pode ver o quanto tínhamos de música boa no Brasil naquela época, em específico no período de minha atuação no mercado. A segunda é a capacidade desses artistas de interagirem entre eles de maneira muito criativa. A terceira é vermos que realmente existe a possibilidade de um homem de negócios, qualquer que seja, ter um contato positivo, criativamente falando, com seus artistas. Ou seja, um relacionamento amoroso e eficaz, apesar de brigas e dificuldades.




»Como foi o encontro com a turma da bossa nova?

»A gente só percebeu que havia um movimento depois que aconteceu. Um dia, o fotógrafo Chico Pereira me disse que eu deveria conhecer uns amigos dos filhos dele que estavam fazendo uma música diferente. Ele organizou a reunião e, quando cheguei na porta, vi reunidos Roberto Menescal, Carlinhos Lyra, Nara Leão e companhia. Com minha referência cultural francesa, achei que o que esses meninos estavam fazendo era parecido, não igual, com o que se fazia na França para a juventude. No Brasil, não havia música brasileira para a juventude. Ao mesmo tempo, Aloysio de Oliveira, diretor artístico da Odeon, me convidou para ir na casa dele porque queria me mostrar algo. Era nada menos do que João Gilberto.
 
 




»Nos anos 1960 e 1970, a MPB (Música Popular Brasileira) tinha prestígio da crítica e fazia sucesso popular. O que levou a indústria musical à virada dos anos 1980, quando passou a apostar no rock nacional?
»Para uma pessoa desavisada ou muito jovem, que não viveu aquela época, esse negócio de rock parece que aconteceu de um dia para o outro. Mas não foi assim. Antes, houve Mutantes, Novos Baianos, Raul Seixas. Caetano e Gil também tinham uma postura de roqueiros, no sentido de que usaram a guitarra elétrica como contestação, como uma postura anárquica inclusive, de quem fugia aos partidos políticos convencionais. Ainda naquela época, quando me perguntaram como eu via o futuro da música brasileira, dizia que era o rock. Então, já havia esse espírito contestador em muita gente. A ruptura dos anos 1970 para 80 foi uma evolução, feita por uns meninos que romperam com a raiz da música brasileira.

»E o estouro comercial do axé nos anos 1990?
»No axé, não vi nada de muito estranho, a gente já havia recebido da Bahia Caymmi, João Gilberto, Gil, Caetano, Gal e Bethânia. O axé chegou como mais uma contribuição. Os baianos, por natureza, são muito convictos e atraentes pela liberdade de comportamento. E o axé era a nova expressão dessa liberdade musical.





Foto: Dan Behr

 
»Como o senhor viu a massificação do pagode?

»O pagode é uma expressão, vamos dizer, genuína das comunidades, e que surgiu com o mérito de expressar o que essas comunidades viviam, pensavam, desejavam. É assim até hoje, representando uma parcela do povo brasileiro. O sertanejo atual tem algo de parecido com isso. Sempre existiu, especialmente no interior de São Paulo e Mato Grosso do Sul, mas de maneira um pouco mais folclórica. Com o desenvolvimento econômico absurdo que a soja deu a essas regiões, veio também o progresso e a comercialização da cultura local.
 
»Onde entra o funk nisso tudo?
»Tudo isso não é tão simples, mas vou tentar elaborar um resumo. O funk é outra expressão de comunidade. Vamos pensar que temos basicamente três vertentes. Uma é a tradicional do samba, liderada por Martinho da Vila e Paulinho da Viola. Depois, o pagode, que é menos complexo do que o samba, digamos, e traz uma cultura de alegria, de cerveja. E eu falo isso como quem adora cerveja (risos). E temos finalmente os rebeldes, que são os jovens negros que não estão de acordo com o que está acontecendo por aí. E que encontram no funk não só música e ritmo, mas o linguajar para se expressar.
»Faz sentido pensar que houve uma perda de qualidade da música popular?
»Bobagem. A ideia de perda de qualidade representa o pior da elite brasileira —que, aliás, não significa mais nada neste grande país. Qualidade é algo subjetivo. Música existe para quê? Para trazer felicidade às pessoas, seja no seu amor ou no seu desamor. Então, a qualidade é irrelevante porque, sim, a dita falta de qualidade dá prazer, sono, força, tudo que é bom para determinada pessoa. Quem sou eu para dizer que não tem qualidade?.

»O senhor conhece algo da música do Rio Grande do Sul?
»Conheço e vou dizer algumas coisas. O músico baiano pega o avião e se instala no Rio ou em São Paulo. O mineiro, ainda que tímido, faz o mesmo. O gaúcho fica em Bagé, Porto Alegre, onde for. Não vai para outros lugares. A música do Rio Grande do Sul é vigorosa, brasileira, importante, mas se furta a entrar no clube dos grandes. Com isso, se torna uma música regional. Nunca entendi o porquê, pois os músicos gaúchos são muito talentosos. Quando conheci Bebeto Alves, vi nele um artista maravilhoso. Os gaúchos deveriam sair, se encontrar com músicos de outros lugares, trabalhar junto. O modelo autossuficiente, dos artistas que ficam no sul e vivem do circuito local, é pequeno para o tamanho do seu talento.

»Uma pergunta saia-justa: você pagou jabá para ter seus artistas em destaque em rádios e TVs?
»Seu safado (risos). Claro que sim. Se me perguntar se o jabá ainda é praticado, não sei, mas vou dizer o seguinte: existem duas profissões na vida que são eternas; uma é a putaria; outra, a corrupção.

»Na condição de quem testemunha os rumos do país desde 1955, como avalia o Brasil hoje?
»O Brasil vinha muito bem. Mas, de alguns anos para cá, a demagogia, o populismo, a mentira, a corrupção e a sem-vergonhice, que achávamos fazer parte de capítulos do passado da história, tomaram conta do país. Sempre me lembro do Ultraje a Rigor nos dizendo que éramos inúteis (na música Inútil, de 1983). Até hoje somos inúteis como diz a letra. Então, acho que nos resta ir à igreja e rezar (risos). Com a chegada do Lula e a ascensão da classe C, tivemos coisas positivas. Mas perdemos algo nos últimos anos. O PT e a Dilma fizeram um erro ao buscar a reeleição. Teria sido melhor para eles deixar o Aécio Neves tentando consertar o país para eles poderem se reorganizar internamente e poderem fazer um retorno triunfante daqui a quatro anos.»





Festival do Rio: filme baseado na história de André Midani

6/10/2015
O documentário “André Midani – do Vinil ao Download“, baseado na autobiografia de um dos grandes nomes da indústria musical brasileira, foi lançado, nessa segunda-feira (5/10), no Cine Lagoon, durante o Festival do Rio. Executivo por mais de 50 anos, André, que já teve suas histórias contadas em uma série no GNT, é retratado no longa por Andrucha Waddington e Mini Kerti através de conversas e encontros musicais.
“Estou muito feliz em ser homenageado com esse documentário. E ele estrear no Festival do Rio é o ápice da minha carreira cinematográfica”, disse o sírio-franco-carioca. O filme participa também da mostra Première Brasil: Hors Concours.



André Midani é homenageado em documentário assinado por Mini Kerti e Andrucha Waddignon no Festival do Rio
Ao lado de Roberto Menescal e Ilda Santiago, diretora do festival, Midani fala sobre a indústria fonográfica, mudanças e adaptação do mercado da música.
6/10/2015 
Karina Kuperman
“André Midani – Do Vinil ao Download” começou como um livro lançado em 2008 que encantou a diretora Mini Kerti e seu parceiro de projeto, Andrucha Waddington. A história da vida de um dos grandes executivos da indústria da música no Brasil virou série no canal fechado GNT e, agora, chega ao Festival do Rio como um dos títulos mais aguardados. “Li o livro e fiquei muito impressionada. Eu e o Andrucha já conhecíamos o André e, um dia, jantando juntos, decidimos fazer um documentário sobre a vida dele. Gravamos um piloto, o GNT adorou e viraram coprodutores”, contou.
Enquanto a série foi dividida em cinco episódios, o filme tem 120 minutos de duração e reúne artistas e intelectuais em encontros informais. De Caetano a Ney Matogrosso, de Marisa Monte a Arnaldo Antunes, quase todo mundo que importa da MPB está na tela. “Foram oito dias de gravação ao longo de um ano, juntamos agendas difíceis. O roteiro só foi estruturado na ilha de edição, mas as conversas já tinham temas e levamos câmeras para filmar”, explicou a diretora. O longa, que revela a história da música tendo como pano de fundo a vida e as relações de André Midani entre 1950 e 2000, aborda a questão das mudanças que a indústria fonográfica tem passado ao longo dos anos. Para o executivo, o veículo é só um detalhe. “Não tem indústria. O que existe é música que ainda não achou seu caminho e ferramenta. Em cinco, dez anos vai desenvolver”, analisou. Ao lado, Roberto Menescal, um dos grandes nomes da Bossa Nova e amigo das antigas de Midani, emendou que a mudança é positiva e a crise é comum e superável: “É uma evolução. A música está em uma crise normal, porque as pessoas ainda não sabem muito como proceder. Lá pelos anos 20 já estará melhor. Os profissionais se reinventam, mas a arte continua”.

Mini Kerti, Ilda Santiago, André Midani e Roberto Menescal - Foto: Ciadafoto



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