viernes, 29 de enero de 2016

2007 - "FEVEREIRO EM SANTO AMARO"



Segunda, 15/1/2007 
Redação Terra 

Música


Caetano ganha beijo de Carlinhos Brown na Bahia
 


O ensaio da Timbalada ocorrido neste domingo, em Salvador, teve momentos especiais. Além das vozes dos vocalistas Dennis e Amanda, a apresentação contou com a participação de Caetano Veloso - que recebeu um beijo do colega Carlinhos Brown.

O som, realizado na área verde do hotel Othon, no bairro de Ondina, rolou em clima típico de Carnaval e sem roteiro programado. No total foram quatro horas de música.

Caetano, que se mostrou empolgado durante todo o tempo, dividiu os microfones com Brown e os vocalistas da Timbalada.

Depois, em clima bem diferente daquele que predomina no disco (lançamento recente de Caetano com canções cruas e muitas vezes tristes), o ícone da MPB conversou com o ator Luiz Fernardo Guimarães e a humorista Sabrina Sato.

 


 
Amanda

Dennis


CORREIO DA BAHIA

16/2/2007

Caetano, suor e cerveja

Ana Cristina Pereira

Ano passado, um Caetano Veloso todo serelepe apareceu nos noticiários curtindo o Carnaval nas ruas de Olinda. Conferiu blocos e maracatu, deu canjas e várias entrevistas declarando sua empolgação com a folia pernambucana. “Foi a primeira vez. Era um sonho de menino, adorei e disse que pretendo voltar, mas não no ano seguinte. Já estava com saudades do Carnaval baiano”, afirmou ao Folha o cantor e compositor, que retorna com todo gás, reafirmando seu espírito carnavalesco.

Na cidade desde o início da temporada, já apareceu em vários ensaios e agitos, como o Festival de Verão e o show em homenagem a mãe Menininha do Gantois. Hoje e amanhã, encara os últimos preparativos para o trio Ó paí, ó!, uma cartada de marketing poderosa para divulgar o filme homônimo, dirigido por Monique Gardenberg e produzido pela Natascha Filmes, de sua ex-mulher Paula Lavigne. O trio sai no domingo, no circuito Dodô (Barra-Ondina), previsto para desfilar a partir das 19h.

Caetano afirma que foi o longa-metragem, para o qual fez a canção Ó paí, ó!, sua grande motivação para aceitar comandar um trio elétrico. Mas faz a ressalva, entre risos, que não se trata de um trio de Caetano Veloso. “Vai ter Jauperi, Davi Moraes, Betão Aguiar, Nara Gil e todo o elenco do filme”, enfatiza. A aproximação com Jauperi começou na temporada pré-carnavalesca de 2006, quando Caetano foi a ensaios da banda Vixe Mainha. “Já conhecia Pierre, mas a Jauperi fui apresentado naquela ocasião. Gostava muito da dupla e da música Café com pão, que é linda”, elogiou.

Jauperi divide com Caetano os vocais do frevo Ó paí, ó!, que tem música de Davi Moraes. Coincidência ou não, Jauperi andou anunciando, depois do rompimento com Pierre, que queria fazer um som neotropicalista. Caetano, que afirmou não ter tomado conhecimento da declaração, soltou um “que bom!” para a reportagem. A dupla tem aparecido em vários lugares, como no programa Altas horas, sábado passado, e a música, candidata a hit, já está entre as mais tocadas em Salvador.

“Foi o Davi quem escolheu o ritmo da música. Achei certo, combina bem com o clima do filme. Também teve esta coicidência boa com as comemorações dos cem anos do frevo, já que a música baiana se escorou no frevo por décadas”, disse. Davi Moraes, o baixista Betão Aguiar e o violonista Luiz Brasil assinam a trilha do filme, que chega às lojas em março.

A banda que acompanhará Caetano, além de Davi, Betão e Nara Gil, respectivamente filhos de Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor e Gilberto Gil, contará com Gil Aguiar (também filho de Paulinho) e Donatinho (de João Donato). Do elenco do filme, a presença de Lázaro Ramos, Wagner Moura, Dira Paes, Emanuelle Araújo e atores do Bando de Teatro Olodum. Entre os convidados ilustres, já confirmaram presenças Zezé di Camargo, Paula Bulamarqui, Taís Araújo e Bebel Gilberto.









17/2/2007


Caetano Veloso volta para o carnaval de Salvador



Cantor vai puxar o trio elétrico Ó Pai, Ó, em que o folião não paga para brincar


Tiago Décimo



SALVADOR - Não importa que seja "apenas" parte de uma estratégia de marketing para o lançamento do filme Ó Paí, Ó - dirigido por Monique Gardemberg e produzido pela mulher do ministro-cantor-e-compositor Gilberto Gil, Flora Gil. Fato é que uma das personalidades mais importantes da cultura baiana, Caetano Veloso, volta neste domingo ao carnaval de Salvador, depois de uma temporada ausente - passou a folia do ano passado em Pernambuco. E a volta é em grande estilo: puxando trio elétrico.

O trio independente (que não cobra para que a população participe da festa) Ó Pai, Ó, tem previsão de início de desfile previsto para as 18 horas, no Circuito Dodô (Barra-Ondina) e deve contar com as presenças do cantor e compositor Jauperi - ex-integrante do grupo Vixe Mainha e parceiro de Caetano na composição da música-tema do filme, forte candidata a hit do ano no carnaval local. Além dele, atores como Lázaro Ramos e Wagner Moura também já confirmaram presença.

A apresentação vem causando expectativa entre os foliões mais experientes. O ministro da Cultura, Gilberto Gil, por exemplo, já confirmou que vai assistir de camarote ao desfile do colega. Literalmente, diga-se. Na noite de sexta-feira, ele abriu seu espaço para receber os amigos na Avenida Oceânica, o Camarote 2222. Pouco depois, foi comandar pela primeira vez no ano seu trio elétrico, de mesmo nome, no qual reuniu uma legião de intérpretes famosos.

A bordo, Ivete Sangalo, Beth Carvalho, Margareth Menezes e Lulu Santos. No camarote, quem acompanhava a apresentação era o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). "Sou folião assíduo do carnaval baiano desde que cheguei aqui, em 1975", contou o governador, bastante animado com o show. "Lembro-me do tempo em que estava lá na pipoca."

A segunda noite no carnaval de Salvador (BA) foi marcada, também, pela primeira apresentação do mais popular dos grupos da chamada axé music: o Chiclete com Banana. Comandando o bloco Nana Banana, um dos mais caros - um abadá chega a custar quase R$ 1 mil - e animados do circuito, o grupo, liderado por Bell Marques, arrastou uma multidão pelo Circuito Dodô.



















1/2/2007

Osmar Martins - marrom@correiodabahia.com.br






“A grande personalidade pop brasileira é Ivete Sangalo"



A declaração é do cantor e compositor Caetano Veloso, durante entrevista exclusiva à repórter Wanda Chase, que será exibida no telejornal Bahia Meio Dia (TV Bahia), que vai ao ar às 11h, devido ao horário de Verão.



A gravação aconteceu na casa do artista, na Enseada das Lages, no Rio Vermelho, com a presença dos seus amigos: o músico Cézar Mendes, o escritor e tradutor Paulo César de Souza e o museólogo Heitor Reis.






O GLOBO
20/1/2007

Ricardo Noblat

Caetano descasca a esquerda, Lula e Chávez
 


 
Salvador - Ó paí, ó, o Caetano de babá dos dois filhos mais jovens Zeca (14 anos) e Tom (8), e de Artur e Pedro, amigos do primeiro, e de Jennerson, Bruno e Gerson amigos do segundo e jogadores como ele do time infantil do Fluminense – embora Tom seja Flamengo de carteirinha assim como o pai sempre foi desde que morava em Santo Amaro da Purificação a 70 quilômetros daqui. É no que dá ficar solteiro depois de dois casamentos e dos 60 anos de idade. Tem ainda a neta, Rosa, filha de Moreno. E a administração da casa no Morro da Paciência onde Caetano ficará à beira-mar plantado até março.

De nada disso ele se queixa – pelo contrário. O que o incomoda mesmo é um zumbido no ouvido que o acompanha desde a infância, uma dor de lado que apareceu recentemente, a violência que o impede de circular no Rio com a desenvoltura do passado e... Bem, e Lula, para variar. E Hugo Chávez com a idéia de se eternizar no cargo de presidente da Venezuela. E a esquerda brasileira que chegou ao poder sem dispor de um projeto para o país e que de uns tempos para cá resolveu pegar no pé da imprensa acusando-a de ser contra o povo. Está bom ou quer mais?

Ó paí, ó, quer dizer “olha praí”. É uma gíria baiana que virou título do longa metragem da cineasta Monique Gardenberg que estreará em março. Caetano fez a letra da música do filme - um frevo em parceria com Davi Moraes. E gravou junto com o cantor Jauperi. Então com a devida licença, ó paí, ó, o que Caetano andou dizendo às vésperas do seu show desta noite no Morro da Urca destinado a celebrar o dia de São Sebastião, o padroeiro do Rio:

“A primeira vez que fui ao Rio tinha 11 anos de idade. Depois, entre os 13 e os 14 anos morei na casa de minha prima Mariinha, a quem chamava de “minha Inha”. Ela vivia em em Guadalupe. Eu tinha problemas de saúde, nenhum muito sério. A garganta estava sempre inflamada. O fato é que em toda a minha vida eu nunca me senti muito bem. Não quer dizer que não tenha sido feliz, nem que não tenha vivido prazeres intensos. Mas nunca me senti fisicamente bem.

Acabei me fixando no Rio a partir de 1975 quando já era casado com Dedé e Moreno tinha três anos de idade. Moreno e Tom nasceram na Bahia e Zeca no Rio. Estranhamente, ainda me sinto à vontade para morar no Rio apesar da violência. Mas sinto também a angústia instalada na cidade. O Rio, como diz o João Gilberto, é a cidade dos brasileiros. Tudo que acontece com o Rio afeta a totalidade do Brasil e de alguma maneira expressa o que o Brasil tem a dizer.

No momento, a impressão que o Brasil dá é de ser um país habitado por uma gente cruel, impiedosa e autoritária.  O esquema de territórios incrustados num centro urbano como o Rio, disputados por chefes e milícias extra-oficiais, onde episódios de extrema brutalidade se sucedem, é justamente uma imagem oposta àquela do sonho de harmonia e de cordialidade que sempre dominou o imaginário brasileiro. Dói. Mas sou teimoso. Acho que essas impertinências hiperbólicas não deixam de ser estimulantes.



O quadro de violência decorre apenas da falência do Estado?

Tem a ver com a sociedade. A maneira como se pensa o papel do Estado e as conseqüências sociais desastrosas se devem ao modo como se pensa a economia, a cultura, o poder, tudo Há um certo desequilíbrio na forma como a sociedade encara tudo isso. As favelas de São Paulo são invisíveis e quando seus habitantes se manifestam parecem apenas zangados. As do Rio são estrelas da cidade. Por outro lado elas são muito próximas das áreas ricas, o que não acontece em São Paulo.



Uma vez encontrei uma menina da favela de Cantagalo sentada perto da Pedra do Arpoador. Ela me disse assim: “Essa pedra é minha”. O favelado pode dizer isso. Por outro lado, tenho amigas granfinas que não perdem um desfile das escolas de samba. O Rio é uma cidade assim, não é discriminatória como São Paulo. Ela é resultado de uma mistura física e de uma mistura imaginária. Poderia estar melhor. Mangabeira Unger tem razão ao dizer que o PT despreza a maioria desorganizada do povo.



Ó pai, ó. Mangabeira acabou apoiando Lula no segundo turno

Acho coerente. Eu quase votei em Lula no segundo turno justamente por causa do Mangabeira. Acabei votando no Alckmin. A aproximação de Mangabeira com Lula me deu esperanças e ainda me dá. Votei em Lula em 2002, mas sempre fui contra a reeleição. Por exemplo: não votei em Fernando Henrique Cardoso quando ele disputou o segundo mandato.

Naquela época, a imprensa foi claramente expositiva e denunciou os procedimentos poucos louváveis dele e do seu grupo para obterem a reeleição. Não é verdade que agora a imprensa foi destrutiva em relação a Lula porque ela é contra o povo. Eu tenho horror a essa conversa. Defenderei a imprensa brasileira até o fim contra tal argumento, embora tenha sérios problemas com ela. No momento, por exemplo, estou processando a VEJA e ganhei a ação na primeira instância.

Não sou muito leitor de jornais. Mas tiro conclusões rapidamente, o que pode parecer um defeito, mas é também uma marca de um determinado tipo de temperamento. Mesmo com poucos elementos minha cabeça tende a criar uma teoria. Se erro mais ou acerto mais? Não sei. Acerto muitas vezes. Mas minhas elaborações mentais a respeito das coisas são meio temerárias, reconheço - afinal eu sou artista e isso é perdoável em um artista. Sigo meus sentimentos.

Por isso queria votar em Alckmin no primeiro turno e anunciar de público, como fiz. E me preparei para votar em Lula no segundo turno. Sabia que ele ganharia. Quando votei em Lula em 2002 fiquei muito emocionado. Acho emocionante o ato de votar. Chorei dentro da cabine. Veio na minha cabeça aquele histórico de Lula e do Brasil em relação a pessoas que tiveram a mesma origem de Lula. Foi um acontecimento histórico de grande importância.

Achei que a volta do Brasil à democracia seria difícil. Porque um país que produz aquela ditadura, aceita as pressões norte-americanas, alimenta a mediocridade interna a ponto de viver aquelas coisas da maneira que viveu, não pode ficar de repente bonzinho porque a democracia foi restabelecida. A Constituição idealizada escrita por Ulysses Guimarães e um bando de malucos não nos garantiria uma vida maravilhosa. Nunca tive esperanças irrealistas. Já me bastava que pessoas com um histórico razoável chegassem ao poder.

Cara, nós tivemos Fernando Henrique como presidente e depois Lula. Infelizmente, Fernando Henrique inventou a reeleição. E agora que Hugo Chávez inventou reeleição atrás de reeleição, entende? É uma coisa horrenda. E é preciso que se diga em altos brados “Ó praí, ó...” Veja o enorme perigo que existe nisso. Suspender, como ele anunciou que fará, o funcionamento de uma empresa de comunicação, é ruim. E planejar uma permanência indefinida no poder é pior ainda. Eu tenho uma certa raiva da esquerda...

Eu disse que defenderia a imprensa brasileira até o fim porque acho que a acusação que a esquerda faz contra ela é perigosíssima. É um absurdo dizer que a imprensa tentou destruir o governo Lula de maneira golpista. Os escândalos que aconteceram, aconteceram. E eles caíram no colo da imprensa. Eu tenho certeza disso. Ser mais simpática e cuidadosa com Lula como a imprensa foi seria igual a Cuba. Seria como ter um só jornal e mesmo assim do governo.

Não pode existir só a CARTA CAPITAL que é a VEJA do Lula. Tem que ter a VEJA também. Diogo Mainard é um moderado se comparado com Paulo Francis [ex-colunista do jornal O Estado de S. Paulo].

Caetano - "Dirceu chorou no ombro de Fidel”



                                                                 Foto: Luciano Andrade
Mas você ainda não disse por que negou seu voto a Lula no segundo turno...

O que pesou mais para eu não votar em Lula foi ele ter usado no segundo turno o fantasma da privatização das empresas. Achei um recurso falso demais. Eu me senti mal. É claro que a reação dos tucanos e do próprio Alckmin foi de dar dó. Parecia que a privatização era uma coisa abominável Foi a volta a um esquerdismo ingênuo, ultraprimário. Eu disse mais de uma vez que pensando o que penso e sabendo o que sei, se eu votasse em Lula estaria agindo como um imbecil. Mas respeito quem votou nele.

É indiscutível que Lula tem vocação para política, mas política no sentido de se dar bem. Ele fala que foi traído e acusa os aloprados. Mas depois aparece elogiando Zé Dirceu e Palloci. Quem foi que traiu ele? Aí o Zé Dirceu vem e diz: “Agora eu saio”. Aí Lula deixa transparecer: “Você fica aí, quieto, depois o tempo passa, a gente aí vê, afinal a esquerda está no poder e sem mim não estaria...” Isso é política. O petismo pode morrer, mas o lulismo, não. Mas o que é que Lula quer propriamente fazer? Qual é o programa dele?

Começamos com esse negócio de Fome Zero e [Henrique] Meirelles [na presidência do Banco Central]. Como se fosse o equilíbrio. Francamente... O próprio Frei Betto [ex-assessor especial de Lula] ficou meio indignado. Tem uma porção de coisas aí que não são necessariamente ruins. O Bolsa Família, por exemplo. Mas não se pode ficar no assistencialismo que desestimula a produtividade. Eu sou favorável a aumentar o salário mínimo. Mas deveria haver uma política que estimulasse a produção.

Deveria haver também uma ponte mínima de naylon, finíssima, entre o que Palocci fez junto com Meirelles e as demagogias da Cultura e do assistencialismo. O Serra tem um projeto para a economia que pensa globalmente a questão do social, do desenvolvimento e da inserção do Brasil na economia mundial. Mas eu nunca vi algo parecido com isso exposto com clareza por Dirceu, Lula ou Palocci. Não vi no primeiro governo e até agora também não. Parece que não existe.

Existe um risco muito grande na esquerda e eu sempre tive problemas com ela. Por ser assim como sou, esquerdo para a esquerda, eu vejo que ela sempre tende para um negócio arriscado. “Nós temos que estar no poder porque somos os melhores. Depois a gente vê o que faz”, ela pensa. Não projeta, não planeja suas ações. Eu vi isso com Waldyr [Pires] na Bahia. Eu fiz campanha por ele para ajudar a acabar com a hegemonia de Antonio Carlos na Bahia. Depois do governo de Waldyr, a Bahia ficou mais de ACM.

Se há um grande talento político que floresceu na Bahia foi ACM. Com alguns resultados grandiosos e perfeitamente visíveis. Agora, ele é o tipo da coisa que eu gostaria que a Bahia já tivesse se livrado há décadas. Fiquei muito contente quando [Jacques] Wagner se elegeu governador. Foi uma surpresa boa. Acho que ele é um sujeito bacana. ACM para mim é uma coisa ultrapassada. Dar ao aeroporto de Salvador o nome de Luiz Eduardo Magalhães foi uma coisa grotesca. O aeroporto deveria voltar a se chamar 2 de Julho.

Como ACM, também acho Chávez uma coisa antiga. A burka é uma coisa antiga e medieval, mas não deixa de ser uma novidade, não é? Chávez sabe jogar com elementos que entram no imaginário coletivo. Socialismo 21... Ele está dizendo tudo. É como burka. Você fala em burka e logo vem uma imagem que se tornou típica do século 21. Chavez também é assim. Isso não quer dizer que eu seja a favor da burka nem de Chávez. Ele quer ficar no poder e quer a imprensa a favor dele. Isso é coisa que a esquerda adora.



Você teme que Lula se veja diante da tentação de querer ficar mais tempo no poder?

Eu acho que sim. Lula já disse algumas vezes que na China é que é bom, que ninguém atrapalha, não tem que esperar os deputados decidirem. A admiração dele por Chávez e vice-versa é manifesta. Uma vez Lobão, roqueiro e meu amigo, criticou Alexandre Pires, cantor de pagode, por ter se emocionado ao cantar na Casa Branca. Mas naquela semana ou um pouco antes, saiu uma foto de Zé Dirceu abraçado a Fidel Castro e chorando. Eu pensei: Por que o Lobão está reclamando do Alexandre Pires?

Lobão disse que Alexandre Pires não o representava, que se envergonhava daquilo. Alexandre é um rapaz do interior de Minas, é preto, e de repente se viu no centro do poder mundial e ficou emocionado. Eu não ligaria a mínima para isso, mas eu sou um aristocrata. Agora, o Zé Dirceu era o nosso representante oficial... E chorou no ombro de um homem que é ditador há mais de 40 anos. Bush é medíocre. Foi posto lá para fazer o serviço sujo do império. Mas vai embora depois de oito anos. Fidel, não.



Você critica Lula por lhe faltar um projeto para o país. Alckmin tinha algum?

Não. Não vi. É claro que o Serra quando foi candidato em 2002 tinha projeto – mas eu votei em Lula. O momento era dele. As pessoas tinham o sonho maluco de que Lula seria a salvação. Lula pode até chamar Delfim Neto para junto dele e ninguém vai achar nada demais. Por que? Porque ele é tido como de esquerda. Como se Serra e FHC fossem de direita. Serra tinha um programa para a economia muito menos ortodoxo do que o de Lula e muito menos atrelado aos interesses americanos.

Acho que no governo Lula se avançou pouco. A economia não cresceu. Esse negócio de nacionalismo antiprivatista, isso é Geisel [Ernesto Geisel, general, presidente da República na época da ditadura militar de 64]. Às vezes ouço criticas a respeito de FHC. Como se o governo dele tivesse sido uma mera continuidade dos anteriores. Aí eu digo: Bicho, FHC lutou contra a ditadura de braços dados com Lula. Delfim Netto, não. FHC interveio mais na economia porque ele é mais de esquerda.

Minha expectativa em relação ao segundo governo Lula é matizada pelo desejo de que as coisas andem bem. O modo como a democracia foi restabelecida no Brasil superou meus melhores sonhos. Eu queria que em 1989 o Brizola ganhasse do Collor. Lula seria um desastre naquela época. Eu não gostava da idéia de eleger um governo de esquerda com aquelas fantasias. Em 2002, não. A Carta aos Brasileiros assinada por Lula mostrou que ele amadurecera. E que o PT também mudara.

Por ora é muito cedo para se pensar no pós-Lula. Ninguém sabe se ele não vai querer ficar indefinidamente no poder como Chávez quer.



Você fala sério?

Não, não acho que ele queira, mas não sei. Apesar do Brasil estar se manifestando mais por meio de seus aspectos de brutalidade, crueldade e intolerância, o país é mais sofisticado e mais complexo do que a Venezuela. A economia e a mentalidade cultural brasileira são mais complexas, mais modernas. Tal coisa não permitiria que Lula caminhasse para o modelo Chávez. Claro que há um certo otimismo nessa minha colocação. O otimismo talvez decorra do meu entusiasmo com o filme da Monique Gardenberg.

O filme “Ó pai, ó” foi inspirado por uma peça criada e encenada pelo grupo de teatro Olodum. Ganhou forma sob a direção de Márcio Meireles. Nos anos 90, vi a peça mais de 15 vezes. Sonhava em fazer dela um filme. Era só tirar a história do palco e pôr nas ruas do Pelourinho. Amei a peça e amo o filme como ficou agora. A Monique fez um filme espetacular.
 






25/2/2007
Os cantores e compositores Caetano Veloso e Jauperi (ex Vixe Mainha) apresentam o "Encontros de Verão" neste domingo (25). O evento acontece à partir das 19 horas, no Othon Palace Hotel, em Salvador.


25/2/2007

IBahia e Globo Online
Caetano Veloso e Jauperi apresentam em Salvador trilha de 'Ó pai ó'


SALVADOR - "Ó paí ó", filme de Monique Gardenberg, com Lázaro Ramos e Wagner Moura, só estréia no fim de março, mas hoje (25), às 19h, os baianos já vão poder ouvir um pouco da trilha sonora feita por Caetano Veloso e Jauperi.
Eles se apresentam na Área Verde do Othon, em Ondina. Durante o Carnaval, a música-título do filme conquistou o público.
- A receptividade foi sensacional. Tivemos a confirmação de que a música foi bastante aceita - afirma Jauperi.
O filme vai ser lançado no dia 30 de março. A pré-estréia será em Salvador, no dia 12 do mesmo mês.
- Estou muito feliz em ter participação neste filme. Ele é um filme incrível. E, para celebrar tudo isso, nós vamos nos apresentar no Othon - declara Caetano Veloso.




















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