jueves, 21 de enero de 2016

2006 - GILBERTO GIL

A Edição 2006 do Oi Noites Cariocas começa no próximo final de semana no Morro da Urca.


Na sexta, dia 06 de janeiro, o melhor do rock nacional sobe o bondinho com o show do Barão Vermelho interpretando canções dos 24 anos de carreira do grupo.


No sábado, é a vez do baiano Gilberto Gil cantar seus maiores sucessos. A apresentação conta ainda com a presença mais que especial de sua filha, Preta Gil.




O GLOBO

SEGUNDO CADERNO

Rio, 9 de janeiro de 2006

Guerra impossível 

Gil e Caetano se encontran nos bastidores de show e reafirman amizade

Eduardo Fradkin


Um Gilberto Gil bem-disposto foi o que viram as centenas de pessoas, entre elas Caetano Veloso, que se aglomeraram em frente ao palco do Oi Noites Cariocas, no topo do Morro da Urca, entre a meia-noite e as 2h deste domingo. Gil começou o show com músicas de seu mais recente CD, “Eletroacústico”. Empolgado, ele dançou bastante durante toda a apresentação e muitas vezes puxou palmas da platéia (sendo sempre prontamente atendido). Quando seu microfone falhou, no início da canção “A Rita”, de Chico Buarque, Gil parou de tocar e pediu que ajeitassem o som, mas com um bom humor que evitou constrangimentos. No meio do diversificado público, que unia gerações de pais e filhos, entreouviam-se sotaques estrangeiros, mas quase todos conseguiam acompanhar a voz de Gil, fossem nos clássicos internacionais, como “Imagine”, de John Lennon, ou nos de sua autoria, como “Aquele abraço”.



Ao fim do show, Caetano Veloso se encontrou com o velho amigo atrás do palco e posou para fotos abraçando-o. O papo entre os dois não teve referências ao bate-boca público sobre o ministério da Cultura (MinC) travado inicialmente entre o poeta Ferreira Gullar e o secretário de Políticas Públicas, Sérgio Sá Leitão, e que acabou envolvendo Gil e Caetano, colocando-os em posições opostas.



— Adorei o show e conversei com Gil sobre as músicas do “Eletroacústico”, que ainda não tinha visto ele tocar. Não falei com ele sobre o ministério. Aquilo não foi uma questão pessoal. Pode haver uma discordância de pontos de vista, mas não chegou a ser uma coisa pessoal. O ministério de Gil é forte pela mera presença dele e com isso as discussões aparecem mais. Eu me posicionei nessa questão porque achei desproporcional a reação que veio do porta-voz do ministério (Sá Leitão) ao que Ferreira Gullar disse. Ele (Gullar) não falou nada de novo, o que disse é lugar-comum. Esse problema da centralização, ele próprio comentou que é uma coisa antiga. A resposta que veio do ministério pareceu confirmar o que ele disse — opinou Caetano, assegurando que a amizade com Gil nunca foi abalada.

Gil diz que seu secretário tem síndrome de jornalista



O ministro da Cultura também adotou um tom conciliatório e chegou mesmo a condenar, pela primeira vez, a censura que seu secretário fez a Ferreira Gullar.



— Acho que ele (Sá Leitão) não deveria ter feito aquilo. O que eu disse a ele sobre isso? Disse que ele tem síndrome de jornalista — alfinetou, entre gargalhadas, Gil, que logo antes atribuíra à imprensa uma parcela de culpa pela polêmica que o contrapôs a Caetano. — É impossível brigar com Caetano. Isso é a trucagem que a imprensa faz, atribuindo atitudes e palavras e sentimentos e pensamentos que não são exatamente aqueles, nem dele (Caetano) nem de outros. É essa questão complicada que é a complexidade da sociedade moderna e o papel da mídia nisso e a política nisso e a cidadania nisso. Tem muita exigência cidadã verdadeira, autêntica, como é o caso do Caetano, que é dedicado a essa exigência, o que é extraordinariamente bom para um país como o Brasil, como para o mundo. É bom pra humanidade — concluiu Gil.

Descontraído, o ministro disse que seu próximo projeto é lançar um disco de samba, o que pretende fazer ainda este ano. Ao descerem juntos no bondinho, Gil perguntou a Caetano sobre a gravidez da mulher de seu filho Moreno Veloso. O amigo respondeu que será avô, pela primeira vez, a qualquer momento.




Corpo-a-Corpo
CAETANO VELOSO 

‘Tenho muita saudade de Gilberto Gil’

Mesmo em meio às batalhas verbais em que se envolve, Caetano mantém o ritmo: dorme de dia, vive a noite e usa as madrugadas para trabalhar e responder a e-mails, como os que resultaram na entrevista abaixo, sobre a atual polêmica e sobre a gestão de Gil.



Arnaldo Bloch



Estamos a um passo do totalitarismo?

CAETANO: O Sérgio Sá Leitão, em nome do ministério, chamou Ferreira Gullar de totalitário, stalinista, centralista. Só usei o termo porque argumentava contra ele, dizendo que o poder público não pode exigir aprovação, e que deve, sim, explicações ao cidadão. Jamais insinuei que o governo Lula, o MinC ou o Gil estivessem a um passo do totalitarismo. Apenas que o gesto de Leitão, estava, e o de Gullar, não. Sá Leitão está, aliás, em desacordo com o governo, que mantém uma política econômica neoliberal firme, apoiada por uma imprensa que se mostra livre para investigar, criticar e mesmo agredir os poderes públicos.



Cabeças vão rolar?

CAETANO: Zelito Viana disse em entrevista que queria a cabeça de Leitão. A “Folha” disse a Gil que “a classe” pedia a cabeça de Leitão. Em algum lugar saiu que eu queria a cabeça de Leitão. Detesto a idéia. Gosto que Gil diga que não dá a cabeça de Leitão. Mas não que ele e Leitão insistam que foram razoáveis ao responder a Gullar como responderam. Quanto a brigar com Gil, isso para mim continua parecendo impossível.



Como avalia o trabalho que Gil vem fazendo na política?

CAETANO: Eu não queria que Gil fosse ministro. Nem todo mundo pode ter relações diretas com o poder. Votei em Lula porque Ciro pirou. Mas nunca tive boas expectativas em relação ao governo do PT, outra razão pra não querer meu amigo lá. Mas não me sinto mal vendo-o lá agora. Gil deu visibilidade nacional e internacional ao ministério. Algumas inoportunidades passaram por ele, o projeto da Ancinav, por exemplo, mas é importante que ele discuta as novas questões relativas a direitos na era da reprodutibilidade digital e da internet com os ativistas mais avançados do mundo.



Gil disse que não é obrigado a voltar à música, e que está “tocando outros instrumentos”.

CAETANO: Questão de foro íntimo. É bom que ele toque como música sua agenda de discursos, viagens, encontros. Sinto saudade da música. E tenho muita saudade de Gilberto Gil . Agora ele não tem tempo. Mas Gil sempre pôs sua musicalidade meio de lado em favor de outros níveis de atuação. Era assim, mesmo dentro da música. Sem isso, não teríamos o Tropicalismo. Vendo Gil no ministério lembro do pai dele, Dr. Gil. E de sua aproximação com o movimento estudantil em Salvador.



Na atual polêmica, você usa Hollywood como modelo. Não é um pouco simplificador?

CAETANO: Não devemos tomar o modelo americano para nós. Mas veja, o caso de Bergman foi o extremo oposto: um gênio artístico privilegiado num país seletivo mas social-democrata. Não é admissível que Cacá Diegues precise explicar-se por conseguir produzir filmes com freqüência. Nem Guel Arraes, Mariza Leão ou Paula Lavigne devem temer má-vontade só porque já produziram três ou quatro sucessos. Consagrar-se ainda é, no Brasil, uma espécie de pecado pelo qual se tem que pagar. Eu, pessoalmente, me sinto superprestigiado mas já estou acostumado a ter que enfrentar agressões sucessivas. Nos EUA é o contrário. Vencer, fazer sucesso, é bom. Não acho necessariamente ruim que sejamos diferentes nisso. Mas veja: imitamos os americanos em quase tudo. Inclusive na reverência às suas celebridades, enquanto desqualificamos as nossas facilmente.



Mas não haveria, no Brasil, uma certa centralização?

CAETANO: É fato que aqui se exibem mais filmes de estreantes do que em qualquer outro lugar. De que é mesmo que estão reclamando? Podemos não querer ter algo como Hollywood, mas descentralização não é algo muito congenial a uma indústria como o cinema. Na Índia, Bollywood. Na Itália, Cinecità. Na França, Paris. Etc. Conseguimos fazer produção, qualidade e bilheteria no Brasil crescerem com um esquema X. Para mexer no esquema, no momento em que estava funcionando melhor, seria preciso um cuidado extremo. O que veio foi demagogia e agressividade. Não posso achar isso saudável. Ou então vamos linchar Bergman, para dar o exemplo.










O FUXICO


06/01
 
Amizade de Gil e Caetano não é abalada por críticas



As críticas feitas por Caetano Veloso ao trabalho de Gilberto Gil à frente do Ministério da Cultura não vão abalar a amizade entre os dois. A garantia foi dada pelo próprio ministro, ontem, em conversa com jornalistas.

Em uma carta aberta, publicada no jornal Folha de São Paulo de quinta-feira, dia 5, Caetano defendeu o poeta Ferreira Gullar, que criticou o Secretário de Políticas Culturais do Ministério, Sérgio Sá Leitão. Segundo Gullar, “o Ministério não aceita críticas, e está a um passo do totalitarismo”. Apesar de encarar as críticas com naturalidade e dizer que elas são estimulantes, o ministro desafiou quem não estiver satisfeito com o seu trabalho. “Peçam a minha cabeça ao presidente”, disse ao Jornal O Globo.

No lançamento do Projeto Copa da Cultura, que vai levar apresentações de cultura brasileira a Alemanha, durante a Copa do Mundo, ele disse aos jornalistas que está tranqüilo. "As críticas são muito boas. É natural que sejam feitas. Isso é sinal de que a sociedade está atenta ao trabalho que o ministério faz", explicou. O cantor-ministro disse que ficou sabendo da carta através de sua mulher, Flora Gil, que não tinha lido o documento, mas considera o debate saudável. “"Governar é escolher e, de certa forma, é também discriminar. Ao escolher uma coisa você pretere outra. Nunca consegue satisfazer todo mundo. O nosso trabalho vai continuar satisfazendo uns e descontentando outros", afirmou.

Caetano também disse que o episódio não vai abalar a relação com o amigo. Chamando o ministro de “meu irmão, meu companheiro de viagem”, Caetano disse não estar totalmente inteirado, mas que não é obrigado a estar, e isso não desqualifica suas críticas.






O FUXICO
08/01
Divergências políticas não prejudicam amizade de Gil e Caetano


Daniele Barreira


O cantor e compositor Caetano Veloso deixou mais do que comprovado, na noite de sábado, dia 7, durante o Oi Noites Cariocas, no Morro da Urca, no Rio, onde Gilberto Gil se apresentou, que as divergências políticas e as críticas, apontadas nesta última semana pela mídia, não prejudicaram em nada a amizade entre os baianos.


As suspeitas de que a relação entre Caetano e Gil estivesse abalada começaram quando Caê defendeu o poeta Ferreira Gullar, que criticou o Secretário de Políticas Culturais do Ministério, Sérgio Sá Leitão. Gullar disse que o Ministério não aceita críticas, e está a um passo do totalitarismo, declaração que foi apoiada por Caetano, causando mal-estar a Gil, que se defendeu. O Ministro da Cultura rebateu o apoio de Caetano a Gullar, dizendo que críticas são estimulantes e os desafiou, ao dizer que quem não estiver satisfeito com seu trabalho, que peça sua cabeça ao Presidente da República, Lula.


Mas, para colocar fim nos rumores de que sua amizade com Gil estivesse abalada, Caetano Veloso vestiu um modelito dourado e seguiu para o show do amigo. Por lá, o cantor dispensou a ala vip e curtiu toda a apresentação de Gilberto Gil em meio à multidão.


Ao final do show, Caetano fez questão de ir ao camarim do cantor para cumprimentá-lo pela belíssima apresentação. Entre um papo e outro, os amigos baianos de longa data deram boas risadas juntos e, como de costume, não deixaram de registrar o encontro, abraçados.


Além de Caetano Veloso e Preta Gil, que ficou responsável pela abertura do show do pai, Gil atraiu para a platéia diversos famosos, como Marcos Palmeira e a namorada Amora Mautner, Helena Ranaldi e o namorado Max Sette, Carolina Dieckmann, Flávia Monteiro, Jorge Mautner, Bebel Gilberto, Joana Balaguer, Calainho, Alexandre Accioly, Fernanda Lima e a jogadora da vôlei, Virna.
 




Preta Gil ficou responsável pela abertura da apresentação de seu pai, Gilberto Gil, no Oi Noites Cariocas, que aconteceu no último sábado, dia 7, no Morro da Urca, no Rio, e acabou dando um show a parte.

A cantora, que causou polêmica ao posar nua na capa de um dos seus discos, parece ter superado as críticas. Preta não se intimidou com os quilinhos a mais e subiu ao palco, ao lado do irmão guitarrista Ben Gil, com um vestido dourado curto e super decotado.

Preta cantou dois hits de seu repertório, e logo mostrou a que veio. A cantora soltou a voz no pancadão, o bom e velho funk carioca, e fez uma performance inusitada. Sem se importar com o tamanho minúsculo de seu vestido, Preta Gil dançou, rebolou, desceu até o chão e, no calor da dança, de costas, levantou o vestido e mostrou a calcinha para o público.
 




10/1/2006
Entenda a polêmica Caetano Veloso x Gilberto Gil
Escrito por: Redação
Fonte: O Estado de São Paulo

2002, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Lula e Djavan, na casa de Gil, em São Conrado, no Rio. Foto Fábio Mota/AE
O pano de fundo da polêmica que envolve artistas e intelectuais e põe em campos opostos os parceiros e amigos de mais de quatro décadas Gilberto Gil e Caetano Veloso é a distribuição de verbas oficiais para a cultura.
As críticas feitas pelo poeta Ferreira Gullar ao Ministério da cultura, durante uma entrevista na Folha de S. Paulo , provocaram uma resposta explosiva do secretário de Políticas Culturais do Minc, Sérgio Sá Leitão, que chamou o poeta de defensor do stalinismo. Intelectuais assinaram um manifesto em solidariedade ao poeta, entre eles, Fernanda Montenegro, Oscar Niemeyer, JoãoUbaldo Ribeiro. Caetano Veloso escreveu uma carta aberta publicada ontem na coluna Monica Bergamo da Folha de S. Paulo , também em apoio a Ferreira Gullar.
Os antecedentes 
Em 2003, o cineasta Carlos Diegues chamou de tentativa de dirigismo cultural a política de patrocínio oficial deobras e eventos culturais do governo Lula. Na época, as regras - formuladas pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, então ocupada pelo ministro Luiz Gushiken - exigiam dos candidatos a verbas públicas e das estatais o que o governo chamava de contrapartida social e adequação às políticas do governo.
Após contundentes ataques de cineastas e outros artistas a essa política da Secretaria de Comunicação, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, foi incumbido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de criar uma nova política de patrocínio do governoàs atividades artísticas.
O Ministério da Cultura (MinC) criou, então, regras que estabelecem o que chama de descentralização dos patrocínios dados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e estatais como a Petrobrás. Segundo o secretário de Políticas Culturais do MinC, Sérgio Sá Leitão, as novas regras acabam com o “balcão de atendimento especial” aos pedidos apresentados por artistas ou produtores consagrados.
21/12/2005: Poeta ataca o Ministério Foi contra essas regras que se manifestou o poeta Ferreira Gullar, iniciandoa atual polêmica. “Não me envolvo diretamente ou acompanho (as ações do MinC). Mas ouço reclamações de diferentes áreas de que não está cumprindo bem seu papel. Dizem que os projetos não andam. Nem solicitações de verbas. Houve centralização que não sei se continua.” As declarações do poeta foram feitas no dia 21 de dezembro passado, em evento do jornal Folha de S. Paulo .
24/12/2005: Secretário chama poeta de stalinista O secretário de Políticas Culturais do MinC, Sérgio Sá Leitão, respondeu às críticas taxando o poeta Ferreira Gullar de stalinista. “Não deixa de ser curioso um comunista criticar algo ou alguém por uma suposta ‘centralização’. A ‘centralização’ não era a marca registrada dos finados regimes stalinistas dos quais Gullar foi e segue sendo um defensor?” 26/12/2005: Poeta contra-ataca
Em resposta, Ferreira Gullar disse que o texto do secretário do MinC parecia ter sido escrito pelo SNI, o Serviço Nacional de Informações da ditadura militar.
Última semana de 2005: Intelectuais fazem manifesto Um abaixo-assinado contra o secretário do MinC e em defesa de Ferreira Gullar foi enviado ao Ministério, nos últimos dias de dezembro. “Nós abaixo-assinados vimos explicitar nosso repúdio pela forma como um funcionário do alto escalão do Ministério da Cultura trata um dos maiores intelectuais vivos deste país, o poeta Ferreira Gullar.” O texto, assinado pelos produtores de cinema Zelito Vianna, Luiz Carlos Barreto e outros artistas e profissionais da área cultural recebeu a adesão Oscar Niemeyer, Fernanda Montenegro e João Ubaldo.
4/1/2006: Caetano põe fogo na discussão Caetano Veloso entrou na polêmica - do lado de Ferreira Gullar e contra o Ministério dirigido por Gilberto Gil - em carta aberta, publicada na Folha de S. Paulo no dia 5 de janeiro. “A crítica a Gullar partiu do poder público. (...) Ministérios são braços do executivo, suas aprovações ou desaprovações são oficiais. Um poeta não pode expurgar um governo. Governos totalitários são viciados em expurgar poetas. Se um ministério demonstra não aceitar críticas - pior: exige adesão total a suas decisões -, estamos sim a um passo do totalitarismo; se um poeta expõe de público discordância - ou simples desconfiança - dos rumos de um ministério, temos democracia.”
“Gullar pode ter sido comunista (não me consta que tenha sido stalinista), mas não há nada de totalitário em apoiar aqueles que, tendo contribuído decisivamente para a história do cinema e do teatro brasileiro, suspeitavam que, por trás das idéias igualitárias, queriam chamá-los de oportunistas.”
“Essa gente do governo anda para trás.”
5/1/2006: Ministro reage: “Peçam minha cabeça” “Peçam minha cabeça ao presidente”. Assim reagiu o ministro Gilberto Gil, questionado sobre a polêmica na quinta-feira, dia 5 de janeiro, no Rio, quando participava, ao lado do secretário Sérgio Sá Leitão, do lançamento do projeto Copa da Cultura, que terá verba oficial de R$ 25 milhões para promover apresentações de mostras da cultura brasileira na Alemanha.
“Digam, apontem, o que é totalitarismo no Ministério?”, disse o ministro Gil ao Estado. “Totalitarismo? É vago, eu não sei o que é, me digam, eu também preciso saber.” O ministro disse não ver nenhuma razão para a saída do secretário do Ministério: “O que ele fez de errado? Por que não pedem a minha cabeça em vez de pedir a dele?" Na entrevista, o secretário Sá Leitão se disse vítima de uma campanha difamatória de um grupo liderado pelo cineasta Luiz Carlos Barreto: “Havia acesso privilegiado aos cofres públicos. Agora, a política é democrática.” Para ele, a discussão agora tem a ver com a campanha eleitoral: “Vai começar uma competição entre esses barões da cultura para vem quem é que vai bater mais no ministério. Para se colocar mais em oposição ao Lula.”


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