martes, 8 de diciembre de 2015

1993 - ORQUESTRA SINFÔNICA DA BAHIA - Concerto em homenagem a Caetano



 


Em julho de 1989, depois de um emocionante concerto da Orquestra Sinfônica da Bahia com a participação do Afoxé Filhos de Gandhy, o Teatro fechou para reforma, sendo reinaugurado em 22 de julho de 1993. 
Na sua noite de abertura, mais um encontro que ficou para a história do Teatro Castro Alves, um concerto com a Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba).




Wellington Gomes, Caetano Veloso e músicos da OSBA - após Concerto em homenagem a Caetano - Teatro Castro Alves, 1993.


Caetano Veloso & Orquestra Sinfônica da UFBA – Cajuína / Gente





Quinta-Feira, 22 de julho de 1993
FOLHA DE S. PAULO

Teatro Castro Alves será reaberto hoje

Gal Costa, Bethânia e João Gilberto fazem o show de reinauguração para 1.600 convidados em Salvador


 











Sábado, 24 de julho de 1993
Folha de S.Paulo

ilustrada

SHOW

A reabertura
do Teatro
Castro Alves
terminou sem
um bis de João
Gilberto
Pág. 3

Bahia deixa de pedir bis a João Gilberto
Público se rende à formalidade todo-poderosa de ACM no show de reabertura do Teatro Castro Alves

Matinas Suzuki JR.
Enviado especial a Salvador

Uma (in)certa frieza por parte do público e um pouquinho de inibicao dos artistas no palco marcaram na noite da última quinta-feira a reabertura do Teatro Castro Alves, em Salvador. O novo Castro Alves é um negocio à parte: não conheço, nas suas proporções, teatro melhor no Brasil. A música baiana (uma das poucas coisas que realmente prestam no país) reencontrou o seu palco terminado no seu berço esplêndido.

João Gilberto, o gênio baiano, canta poucas vezes em público. De alguns anos para cá tive o prazer e o privilégio de assistir a quase todos os seus shows no Brasil. Pois bem, nunca vi o nosso Joãozinho encerrar seus concertos sem a platéia urrar pelo bis. (Há um certo exagero nessa afirmação, mas ela é esencialmente correta). Também nunca imaginei que ese fato pudesse ocorrer na su aterra, na Bahia, ese lugar mítico para tantos compositores, cantores, poetas e letristas –e também para nós. O fato é que a Bahia não pediu bis para o João Gilberto.

Nem para ele, nem para a Orquestra Sinfônica da Bahia nem para a Maria Bethânia, nem para a Gal Costa, que também –pela ordem citada- se apresentaram na abertura do renovado Teatro Castro Alves. A platéia aplaudiu de pé. E só. Nenhum bravo, nenhum bis. A Sinfônica baiana fez un programa colorido de compositores eruditos brasileiros. Bethânia, enfática cantou canções conhecidas de seu repertorio e fez um “flashback” de um dos seus espetáculos de maior sucesso, “Rosa dos Ventos”. Não é tão difícil assim para nós voltarmos a ese show porque certos versos como “e na gente deu-se o hábito /d e caminhar entre as trevas / de tirar leite das pedras” continuam a fazer sentido não só poético, mas também pragmático.

Gal Costa foi a melhor surpresa da noite. Apresentou um grupo com formação curiosa (três percusionistas, dois violões, piano e baixo elétrico), novos arranjos para as velhas cancões e una nova cancão de Jorge Benjor, que é Salgueiro, para a Mangueira, que fará parte do seu novo disco, a ser lançado em setembro. Desde o show “Plural”, que contaba com a presença de Rafael Rabello, noto que as cantoras brasileiras estão recuperando o violão acústico em seus espetáculos. O propio Rabello voltou a se apresentar em São Paulo com a Marisa Monte. Aquí em Salvador, Bethânia teve o violonista Jaime Além. E Gal radicalizou: entrou com dois, Paulo Bellinati e Ulisses. Parece que os violonistas vivem uma boa fase na música brasileira.

A maior novidade cantada por João Gilberto, retirada do seu baú de preciosidades, foi “Faixa de Cetim” de Ary Barroso, também cantada pelo cubano Bola de Nieve, em portugués. É uma homenagem à Bahia, assim como “Bahia com H”, composta pelo campineiro Denis Brian. Mas, na verdade, a noite era sobre tudo uma noite do governador Antonio Carlos Magalhães, o ACM. Não sou dos que costumam relacionar diretamente a arte com a política, mas havia qualquer coisa de opressão, de culto ao seu poder, que impunha –de antemão- um limite para o espetáculo. Debe ser duro cantar para o ACM. E o público parecía mais disposto a não quebrar nenhuma formalidade da noite de su todo-poderoso do que a se contagiar com o show.
Para muitos ele continua sendo o anticristo Magalhães da política brasileira. A Bahia continua sendo ese lugar mágico. Salvador está hollywoodianamente maquiada (para o encontro ibero-americano), ACM tem popularidade. Todo mundo gostou da restauracão do Pelô. Agora ele investe com peso na cultura. O que será que quer ACM?

Governador chora durante espetáculo

LUIZ FRANCISCO
Da Agência Folha, em Salvador

A festa de reinauguração do Teatro Castro Alves (TCA) de Salvador (BA) terminou somente na madrugada de ontem, quando os cantores João Gilberto, Maria Bethânia e Gal Costa voltaram ao palco para fazer uma saudação aos convidados que lotaram as 1.600 poltronas do teatro.

O show começou as 21h30, com a execução do Hino Nacional pela Orquestra Sinfônica da Bahia, regida pelo maestro Henrique Morelenbaum. Um dos momentos mais emocionantes aconteceu quando a orquestra executou o hino do “Senhor do Bonfim”, que não fazia parte do roteiro divulgado pelos organizadores da festa. O governador Antonio Carlos Magalhães (PFL), 66, chorou durante toda a execução.
Logo após a apresentação da Orquestra Sinfônica da Bahia, a cantora Maria Bethânia entrou no palco para interpretar alguns de seus maiores sucesos, como “Emoções” (Roberto Carlos), Reconvexo (Caetano Veloso) e “Detalhes” (Roberto y Erasmo Carlos).

A apresentacão de Gal Costa foi marcada pela interpretação de duas músicas inéditas, que integram o seu próximo disco – “Lavagem do Bonfim” (Gilberto Gil) e “Conheca este Bumbo” (Jorge Benjor). João Gilberto entrou no palco no comeco da madrugada e, sem cumprimentar o público, interpretou durante 50 minutos músicas que marcaram a bossa-nova, como “Desafinado” (Newton Mendonca e Tom Jobim) e “Chega de Saudade“ (Tom Jobim e Vinicius de Moraes).

O show de reabertura do TCA estaba previsto para proseguir ontem à noite e hoje com as mesmas apresentações. Os ingresos estão esgotados, mas o governador instalou dois telões na Concha Acústica (anexa ao TCA) para permitir que outras 5.000 pessoas assistam às apresentações.

A Folha apurou que o governo investiu cerca de US$ 300 mil na festa. O governador Antonio Carlos Magalhães disse que ficou emocionado com as apresentações dos cantores. “Em apenas dez meses consegui devolver à Bahia uma das principais casas de espetáculos do Brasil”, disse ACM.

Nas obras de recuperação do TCA, o governo gastou US$ 10 milhoes de recursos própios. À festa compareceram o cardeal primaz do Brasil, dom Lucas Moreira Neves, o ex ministro Angelo Calmon de Sá, empresarios, políticos e artistas.



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