viernes, 30 de octubre de 2015

2006 - TIM Festival - 4ª edição



Rio de Janeiro - Marina da Glória


Sexta-feira, 27 de outubro de 2006
Sábado, 28 de outubro de 2006
Domingo, 29 de outubro de 2006




ESPECIAL
Devendra Banhart, que está no Brasil para o TIM Festival e se diz fã de carteirinha de Caetano Veloso, correu anteontem para os estúdios onde o músico faz ensaios, no Rio.

É que, quando Caetano tocar no encerramento do festival, no domingo, o texano já estará na Argentina para um show. (29/10/2006)






28/10/2006
Atrações do Tim Festival, Devendra e Caetano se encontram no Rio

THIAGO NEY
Enviado especial da Folha de S.Paulo ao Rio






26/10/2006

Um dos principais artistas da nova geração da folk music, o norte-americano Devendra Banhart considera Caetano Veloso sua referência "número um". Na quinta-feira, os dois, pela primeira vez, se encontraram no Rio, onde falaram sobre tropicalismo, cinema e, até, punk. Leia a seguir uma edição de trechos da conversa, que foi acompanhada pela Folha.

CAETANO VELOSO - Nós pegamos tanto da cultura de massa americana que é justo que eles agora peguem algo nosso. Eu fiz isso diretamente. Talvez o Erasmo Carlos tenha ouvido roqueiros americanos, mas eu ouvia os roqueiros americanos dos anos 50. Mas nunca prestei muita atenção a eles. Apenas nos anos 60, quando os britânicos começaram a imitar os americanos, como Paul McCartney, John Lennon, Mick Jagger, The Who... Ali foi quando passou a ser interessante para mim. Ao mesmo tempo, a imitação brasileira do pop e rock americano tornou-se muito forte por aqui, através do Roberto Carlos e de seus amigos. E isso foi muito mais importante para mim do que a direta influência dos criadores de língua inglesa.

DEVENDRA BANHART - É engraçado... Os brasileiros chamavam o rock'n'roll de iê iê iê. É uma forma de abraçar algo e fazer graça ao mesmo tempo.

CAETANO - Naquela época, rock'n'roll era um termo ultrapassado no Brasil. Sobre Roberto Carlos ou os Beatles, não se dizia que aquilo era rock. Dizia-se iê iê iê, algo novo. Mas rock tornou-se mais moderno do que iê iê iê. O filme "A Hard Days Night" no Brasil chamava-se "Os Reis do Iê Iê Iê". Às vezes traduzem tão mal... "Casulo" seria um título tão maravilhoso, e é "Cocoon" no Brasil, "Cocoon" não, "Casulo", pô.

DEVENDRA - Em Caracas, "Cocoon" acabou de ser lançado. Um pouquinho atrasado... Para mim, o filme que apresentou o Brasil a muitas pessoas, que vendeu o conceito do Brasil para o resto do mundo foi "Tudo Bem" [1978], do Jabor. E a trilha é linda.

CAETANO - Todas as canções dessa trilha são fantásticas. Não acho que o filme seja bom, os brasileiros não gostam dele.

DEVENDRA - Eu encontrei meu baixista num cinema em São Francisco. Ele estava fazendo uma das passagens de "Cinema Falado" e eu fazia pipocas e limpava corredores. Meu contato com o tropicalismo teve a ver com o interesse do meu pai por música nova. Na época, saiu uma compilação feita pelo David Byrne que tinha "Leãozinho". A primeira vez que ouvi Caetano foi a primeira vez que ouvi Moreno. É um disco incrível. No mesmo instante fiquei empolgado.

CAETANO - Ultimamente tenho sido mais cuidadoso com as minhas gravações, porque penso nas pobres pessoas que não falam português. Tento ser mais responsável. O trabalho que tenho feito com Jaques Morelembaum, com os jovens músicos em "Cê"... Jaques Morelembaum não é apenas um gênio musical, mas uma pessoa muito generosa, e me ensinou tanto, me fez sentir menos envergonhado em ser um músico. Tudo o que faço com esses caras hoje não seria possível se não tivesse trabalhado com Morelembaum.

DEVENDRA - Você canta em espanhol, inglês, italiano...

CAETANO - Comecei a cantar em outras línguas primeiro usando o inglês. Não escrevia em inglês. Era terrível. Havia um cara, o inglês Ralph Mace [produtor de "Transa"], ele me pediu para escrever as canções em inglês, ele gostava das minhas coisas e das coisas do Gil. Ele dizia: Isso é tão original e interessante, vou fazer os discos. Eu tinha acabado de chegar em Londres. Meu inglês é muito limitado, naquela época era inacreditavelmente limitado. Estava depressivo, não conseguia dizer não para ninguém.

DEVENDRA - Bom, fico feliz por isso. Uma das razões pelas quais tocamos "Lost in Paradise" é...

CAETANO - "Lost in Paradise"! Escrevi essa canção quando vivia em São Paulo, mas não falava inglês. Achei que poderia ser uma resposta à presença da língua inglesa [em São Paulo], que de certa forma era opressora, mas também uma maneira de dizer algo ao mundo. Tinha uma justificativa política.

DEVENDRA - Há algo bem punk e dualista em gritar "Não me ajude!". A razão pela qual tocamos esta canção é para dizer "esta é uma canção de Caetano Veloso. Se quiser escutar a versão boa, vá atrás de quem a escreveu". Você fala português, mas escreve em inglês melhor do que todos os compositores de língua inglesa que conheço. É mais interessante, há mais espaço para diferentes interpretações..

No movimento punk há tanta música punk ruim, mas há música ruim no tropicalismo? Há música brasileira ruim, na MPB, mas no tropicalismo? A qualidade é muito boa. E o que é mais punk: vestir uma calça jeans rasgada ou ir a um clube de fio dental? Isso é punk.





28/10/2006
Tim Festival: Caetano Veloso assiste ao show do fã Devendra Banhart
Caetano Veloso não subiu ao palco para cantar com o norte-americano Devendra Banhart, mas assistiu o show do cantor que já se declarou fã incondicional do trabalho do brasileiro.
Devendra se apresentou no palco Tim Lab com os artistas Céu e a dupla africana Amadou & Marian.
Com um visual de quem parce estar nos anos 70, Devendra foi empolgando o público aos poucos, e até chamou alguém da platéia para cantar com ele, o que é comum em seus shows.
Para encerrar a noite com chave de ouro, Devendra cantou Lost in the Paradise, música de Caetano gravada no disco Caetano Veloso, de 1969.
Devendra ainda participa da edição do Tim Festival em Vitória, no domingo.

  
 



Caetano Veloso faz show de encerramento do TIM Festival 2006



O cantor e compositor Caetano Veloso foi o último nome a ser fechado para o TIM Festival 2006. O músico vai apresentar as 12 canções de seu mais recente CD, Cê, no palco TIM Lab no domingo (29), no Rio de Janeiro.



Ele vai fechar a noite que terá também como atrações o guitarrista gaúcho Marcelo Birck, o trio norte-americano de jazz acústico The Bad Plus e o grupo também norte-americano Black Dice. “Eu adorei essa idéia de cantar no Festival. Gosto muito de ver as apresentações ao longo da história deste festival. Até escrevi sobre o assunto.



Também adorei a idéia de estar numa noite e num lugar que vai ter bandas experimentais e apresentar um repertório do meu disco novo exatamente como ele foi gravado e com os mesmos músicos”, disse Caetano Veloso, figura obrigatória nas edições anteriores do festival com suas tiradas. Em 2005, o músico chegou a comparar o Arcade Fire com a Família Lima.



No show especial do Tim Festival, batizado de 'Cê Todo', o cantor estará acompanhado de Pedro Sá (guitarra), Marcello Calado (bateria) e Ricardo Dias Gomes (baixo). Caetano Veloso apresentará as canções: 'Outro', 'Minhas lágrimas', 'Rocks', 'Deusa urbana', 'Wally', 'Não me arrependo', 'Musa Híbrida', 'Odeio', 'Homem', 'Por quê?', 'Um sonho' e 'O Herói'.


O Tim Festival chega à sua quarta edição trazendo mais de 30 atrações do melhor do cenário musical nacional e internacional para a Marina da Glória, no Rio de Janeiro nos dias 27, 28 e 29 de outubro.



 






 

 














 














Pedro Sá



 



 



 


31 de outubro de 2006
Vitalidade de Caetano Veloso levanta público do TIM Festival


De jaquetinha jeans e óculos, Caetano Veloso esqueceu a letra de O Herói e teve que colar de uma folha de papel. No encerramento do Tim Festival, domingo à noite na Marina da Glória, o sessentão da Bahia provou que cabelos grisalhos não denunciam, necessariamente, perda de vitalidade.

Caetano Veloso, espertamente, esperou a festa dos Beastie Boys terminar para iniciar a sua, já ás 3h de segunda, no palco Lab. Diante de uma platéia receptiva, tocou as 12 músicas de , seu (já cultuado) novo disco e agradeceu aos fãs. "Obrigadíssimo pela atenção de ouvir essas músicas todas novas", disse, antes do 'slow rock' em que transformou Deusa Urbana, ovacionada pela platéia.

Acompanhado por uma banda de rock poderosa, o trio Pedro Sá (guitarras e baixo), Ricardo Dias Gomes (baixo e teclados) e Marcelo Callado (bateria), Caetano não fez um show de rock: fez um show de Caetano. Empunhou um violão que roqueiro algum usaria para harmonizar as distorções e levadas rítmicas dos jovens companheiros.

Pedro Sá ganhou amplos espaços para mostrar sua técnica exuberante, colorida, na guitarra. As músicas mais introspectivas não renderam tão bem - e devem receber reforço de antigos sucessos na turné que começa dia 17, em Brasília.

No bis, já com portões abertos ao povo do Village, vieram You Don’t Know Me, Como Dois e Dois e Nine Out Of Ten, todas do início dos anos 70. Catarse antecipada por “Rocks”, com seu refrão de lavar a alma: "Você foi mor rata comigo!". Caetano não é roqueiro, mas sua música "fez a cabeça" (sem fios brancos) da garotada.

Ex-mulher o tempo todo no telefone
Metida numa decotada frente-única, Paula Lavigne adentrou o palco Lab minutos antes de Caetano Veloso entrar em cena. Ao lado do diretor Andrucha Waddington, a empresária e ex-mulher do compositor ouviu O Outro (dos versos "você nem vai me reconhecer quando eu passar por você feliz e mau como um pau duro") e rumou para o cercadinho do t
écnico de som. Dali acompanhou o show falando alteradamente em celular e rádio. Só no bis cantarolou e arriscou passinhos antes de seguir para o camarim, onde o cantor recebeu amigos como Jorge Mautner.

Do lado de fora, Bebel Gilberto reclamava da truculência com que um segurança a barrou. "Moço, você me empurrou. Você machucou, sabia?", repetia a cantora. Curador do festival, Hermano Vianna também foi cumprimentar Caetano. "Foi uma proposta dele tocar aqui e funcionou muito. O show é rock, é pesado mesmo", comentou o antropólogo, que aprovou a mudança do evento para a Marina da Glória. "Achei ainda melhor que no Museu".

O Dia

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31/10/2006 - 11h07
Tim Festival teve noite de rappers e Caetano Veloso
ADRIANA FERREIRA SILVA
BRUNO YUTAKA SAITO
THIAGO NEY
da Folha de S.Paulo

Já era quase manhã de segunda-feira quando Caetano Veloso encerrou o último show da quarta edição do Tim Festival, no Rio de Janeiro. Durante três dias, cerca de 32 mil pessoas passaram pela Marina da Glória, onde, em quatro palcos, apresentaram-se 32 atrações.

Outros 8.000 espectadores estiveram nos espetáculos promovidos, também neste fim de semana, em São Paulo e Vitória --o festival só termina hoje, em Curitiba.

A política deu o tom do evento, com destaque para o discurso engajado da cantora Patti Smith e o público lembrando que ontem foi dia de eleição, usando camisetas com as frases "Lula Sim" e "Lula Não".

A principal novidade de 2006, a mudança do Museu de Arte Moderna para a Marina da Glória, foi aprovada pelo público, que elogiou a estrutura e a ampliação do espaço.

Domingo de rap

Caetano Veloso era a prata da casa do último dia de festival no Rio, que teve como destaque as grandes performances dos rappers do Beastie Boys e do DJ Shadow, ambos no Tim Stage.

Shadow entrou primeiro, promovendo uma viagem sinestésica em que cenas projetadas num telão se desdobravam conforme ele desconstruía batidas de funk, rap e rock. O produtor norte-americano é hoje um dos nomes mais importantes do hip hop, responsável por renovar ao acrescentar diferentes ritmos a ele.

Simpático e falador, Shadow mostrou no Rio toda sua habilidade nos toca-discos, alternando-se entre eles e as baterias eletrônicas.

No set list, entraram faixas dos discos "Endtroducin" e "Private Press" e, para apresentar músicas do novo, "Outsider", Shadow convidou o também americano MC Lateef.

Na seqüência, os Beastie Boys incitaram uma quebradeira entre o público, que mais parecia estar numa apresentação de rock. Vestidos de terno e gravata, os MCs Ad Rock, MCA e Mike D se revezavam nos microfones, enquanto o habilidoso DJ Mixmaster Mike mostrava que sabia tocar até com os cotovelos.

Pulando de um lado para o outro, os MCs mostraram cerca de 20 músicas, como os hits "Brass Monkey", "Ch-check it Out" e "No Sleep Till" Brooklin". Muitas delas foram tocadas com bases diferentes das originais, em versões mais lentas e "sujas".

Como é de praxe, no bis os Beastie Boys voltaram como banda de rock, com baixo, guitarra e bateria (além do DJ), encerrando com a clássica "Sabotage".

Caetano

Em sua noite mais diversificada, o palco Lab recebeu os jazzistas do The Bad Plus, o trio norte-americano Black Dice e Caetano Veloso.

Caetano, atração incluída no festival de última hora, apresentou músicas de seu mais recente disco, "Cê". Eram 3h quando o ele iniciou seu show (que teve, com pouco mais de mil pessoas, o maior público do palco), vestindo jaqueta, calça jeans e camiseta.

É o Caetano em sua recém-lançada fase roqueira. Com o apoio de uma jovem e competente banda, o cantor e compositor emula sonoridade do rock indie norte-americano, como Wilco, em canções agitadas como "Rocks", "Odeio" e "Homem".

Mas nem tudo é rock na nova fase do compositor, como mostrou a apresentação de "Herói", que está no novo CD, mais declamada do que cantada. No bis, Caetano voltou e mostrou canções antigas como "You Don't Know Me" e "Mora na Filosofia"/"Nine Out of Ten".



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