miércoles, 12 de septiembre de 2012

2006 - CÊ


Lanzamiento: 12 de setiembre






Caetano Veloso diz que buscou inspiração no punk para novo CD
Foto: Ana Carolina Fernandes

6/9/2006










07 de setembro de 2006


Entrevista - Caetano Veloso

Eu não sou maluco para reeleger Lula

Foto: Ana Carolina Fernandes/ Folha Imagem
Caetano, que buscou concisão "punk"

Caetano Veloso lança "Cê", disco em que utiliza um trio básico de rock; na entrevista, discute a questão racial e descarta apoiar a reeleição do presidente

"Não sou burro nem maluco", disse Caetano Veloso à Folha ao justificar sua decisão de não votar em Lula -o que já não faria, segundo ele, por ser contra a reeleição. "Mas, mesmo se fosse a favor, não votaria. O escândalo do mensalão foi vergonhoso." Em "Cê", no entanto, o novo CD de Caetano, a questão política mais explícita está em "O Herói" (leia letra à direita), que perfaz o caminho de um militante negro, do ódio à democracia racial. Depois de um álbum inteiro de canções em inglês, com 23 faixas e orquestra, "Cê" traz 12 canções de autoria do compositor, todas executadas por ele e por um trio básico de rock, formado por Pedro Sá, Marcelo Callado e Ricardo Dias Gomes.

MARCOS AUGUSTO GONÇALVES
EDITOR DA ILUSTRADA

Na entrevista que segue, Caetano Veloso fala sobre a questão racial, critica a esquerda e diz que não é burro nem maluco para reeleger Lula. 




FOLHA - Na música "O Herói" quem fala é um militante que quer semear o ódio racial, mas descobre no final que é o homem cordial. Como você concebeu essa letra?
CAETANO VELOSO -
É como se fosse a trajetória de um ativista do movimento negro que, depois de se opor a todas as ilusões da harmonia racial brasileira, termina reafirmando-se como o homem cordial e instaurador da democracia racial. É como se ele atravessasse o processo inteiro e no fim chegasse a uma coisa a que só um brasileiro poderia chegar. Eu acho que temos que passar por esses estágios. Quando eu era menino, vi uma menina preta, filha de dona Morena, que morava perto de nossa casa, em Santo Amaro, saindo do banho com o cabelo sem estar esticado. Achei lindo. Quando, nos anos 60, veio a aparecer o cabelo "black power", eu achei que era uma realização dos meus sonhos. Naquela época eu torcia para que as coisas ficassem mais acirradas e visíveis. E vi pessoas negras e de grande talento irem muito fundo nessas questões, que eu incentivava. Porém, nunca abandonei a perspectiva da cegueira para as cores tradicionais no Brasil, embora tenha servido para a manutenção da opressão. Mas não era só a isso que ela servia -e essa é a história.
Eu acho que, no fim das contas, esse movimento, quando chegar à sua plenitude, se não houver um desvio alienante, vai reencontrar esses conteúdos brasileiros, por causa de nossa muito profunda miscigenação e da tradição de não manifestar o ódio racial.

FOLHA - Você já falou contra a institucionalização do racismo no Brasil à moda dos EUA.
CAETANO -
Há muitas vezes uma vontade, uma necessidade quase irracional de imitar os americanos. Por isso eu disse "e hoje olha os mano" na letra de "Rock'n'Raul", que é uma grande canção subestimada.

FOLHA - Você tem uma posição clara sobre a proposta de cotas raciais?
CAETANO -
Não é 100% clara...

FOLHA - Nem 100% negra... (risos)
CAETANO -
Assinei um manifesto para retardar uma possível aprovação apressada do projeto do Estatuto da Igualdade Racial, que torna a proposta das cotas mais recusável. Eu acho que definir os cidadãos brasileiros pela raça em lei não é uma boa idéia. Quanto às cotas, não sou muito favorável, mas acho que algum movimento de ação afirmativa deve ser feito.
Me parece evidente demais que, uma vez que os pobres são majoritariamente negros, se você fizer um programa de educação e de emprego com vistas a uma reparação da enorme distorção produzida pela má distribuição de renda no Brasil, os negros estarão automaticamente sendo beneficiados, sem que haja critério racial e discriminação dos não-negros.

FOLHA - O que você achou do livro "Não Somos Racistas", do Ali Kamel?
CAETANO -
Achei de grande importância, embora negligenciado por alguns. Você sabe como é: a esquerda tem o velho hábito de só ler aqueles livros que já concordam com as idéias que ela tem. Aquelas pessoas que supostamente são progressistas e que querem a Justiça já se põem como inimigas do livro, o que é uma pena. O livro é para verdadeiramente fazer a discussão caminhar. Pela primeira vez responde-se com rigor estatístico a exigências que nasceram por causa da atenção às estatísticas. A idéia da democracia racial brasileira parecia um sonho romântico que as estatísticas negavam. E nunca se respondia com estatísticas, mas com retórica. O livro pega a linguagem dos opositores e traz uma resposta de muita substância. Descartá-lo demonstra falta de saúde social.

FOLHA - Ao contrário de Chico Buarque, você já disse que não votará em Lula. Por quê?
CAETANO -
Não vou. Não me arrependo de ter votado nele, mas sou contra a reeleição. Não votei pela reeleição de Fernando Henrique, que nos deu de presente oito anos de esquerda marxista da USP. E como eu já estou com 64 anos e ele e Lula são a mesma coisa, eu acho que seria demais 16 anos com essa turma.

FOLHA - O sociólogo Gilberto Vasconcellos se referia a "essa turma", que veio a se dividir entre PT e PSDB, como a coalizão CUT-USP-Fiesp...
CAETANO -
Eu acho essa expressão dele totalmente certa.

FOLHA - Em quem você vota?
CAETANO -
Não sei em quem vou votar. Não gosto de votar nulo. Eu preferiria que Lula pelo menos não fosse eleito no primeiro turno.

FOLHA - Como você vê o escândalo do mensalão?
CAETANO -
Eu acho que foi realmente vergonhoso e ruim. Há uma certa regressão no país -que fez o impeachment de Collor- quando se passa uma esponja no escândalo do mensalão. Lula e o PT afastaram os acusados, Lula se disse traído, mas a cada solenidade de despedida dos que cometeram delitos levantou a voz para dizer loas morais a essas figuras. E pôs a culpa num possível complô das elites através da mídia, o que eu acho completamente incongruente. Eu não sou burro, nem maluco, então não vou votar nele. Votei em Lula contra Collor no segundo turno, mas meu candidato não era ele.
Era o Brizola. E continua sendo (risos). Na última eleição, eu achei que era a hora de um operário chegar ao poder, de o PT enfrentar a realidade e de se desmistificar tudo isso. Se o Serra tivesse ganhado, ele, que é um excelente candidato, seria massacrado por essa mitologia do Lula, da esquerda e do PT. Quando justifiquei meu voto em Lula, disse que esperava que ele fosse empossado, que governasse e que passasse a faixa para outro. Continuo pensando da mesma maneira.

FOLHA - É como naquela canção: "Mamãe eu quero ir a Cuba e quero voltar"?
CAETANO -
Exatamente. E eu cantei isso em Cuba.

FOLHA - Por que há essa leniência em relação ao escândalo? 
CAETANO - Eu acho que é por causa da esquerda. A esquerda é como torcida de futebol. As pessoas ficam cegas. Eu sou um simpatizante da esquerda por sede de harmonia, de dignidade e de Justiça. Mas vejo freqüentemente que a esquerda é quem mais ameaça essas coisas que me levaram a me aproximar dela.




     
2006
Universal Music/Mercury Records CD 60251704945

01. OUTRO (Caetano Veloso)
02. MINHAS LÁGRIMAS (Caetano Veloso)
03. ROCKS (Caetano Veloso)
04. DEUSA URBANA (Caetano Veloso)
05. WALY SALOMÃO (Caetano Veloso)
06. NÃO ME ARREPENDO (Caetano Veloso)
07. MUSA HÍBRIDA (Caetano Veloso)
08. ODEIO (Caetano Veloso)
09. HOMEM (Caetano Veloso)
10. POR QUÊ? (Caetano Veloso)
11. UM SONHO (Caetano Veloso)
12. O HERÓI (Caetano Veloso)





Universal Music LP 6251706018
(Edición limitada 500 copias - 10 tracks)

Lado A
1. OUTRO (Caetano Veloso)
2. MINHAS LÁGRIMAS (Caetano Veloso)
3. ROCKS (Caetano Veloso)
4. DEUSA URBANA (Caetano Veloso)
5. WALY SALOMÃO (Caetano Veloso)

Lado B
1. NÃO ME ARREPENDO (Caetano Veloso)
2. MUSA HÍBRIDA (Caetano Veloso)
3. ODEIO (Caetano Veloso)
4. HOMEM (Caetano Veloso)
5. UM SONHO (Caetano Veloso)



Há canções demais nesse mundo. Eu próprio já fiz uma quantidade ridícula delas. Quase sempre com muita ambição e pouco cuidado. Tento não fazer mais tantas. Penso muito em cantar canções já existentes, pois cantar me dá prazer (só não me dá mais porque não canto tão bem quanto acho que se deve cantar). Mas tenho hábito e necessidade de fazer canções.
         Em parte para tentar pôr as já feitas por mim numa perspectiva mais favorável, isto é: melhorá-las. Gosto de Coração Vagabundo, de Uns, de quase todas as canções que fiz para o filme “Tieta do Agreste” e de algumas que fiz para “Orfeu”. Gosto de 13 de Maio e das novas que fiz para o disco gravado com Jorge Mautner. Me orgulho (o que é diferente de "gosto") de Tropicália, Terra, Haiti, Baby, Fora da Ordem, Livros. Gostaria que mais gente conhecesse Motriz, Mansidão, Meu Rio, Um Tom. Mas a impressão geral é de quase irrelevância.
         No entanto, agora fiz esse com 12 músicas novas. Admito que já devia estar com vontade de fazer isso, pois na excursão do A Foreign Sound eu dizia, em todas as apresentações, que planejava fazer um disco “todo em português, todo de sambas, todos meus, todos inéditos”. Era uma piada por causa do disco de canções americanas. Mas a verdade é que comecei a escrever sambas para um CD novo.
         Um deles, Diferentemente, eu cantava no próprio show em que anunciava isso. Decidi que seriam 16 – e que o disco se chamaria Dezesseis Sambas. Por um motivo ou por outro, fui me afastando dessa idéia. Ao menos por enquanto.
Além de Diferentemente (que não entrou no ), eu tinha feito um (Luto) que dei pra Gal gravar, outro (Tiranizar) em parceria com Cézar Mendes – e comecei mais uns quatro que ficaram inacabados. Musa Híbrida é o único que poderia ter ido para aquele disco e veio para este.
         As canções de são em geral curtas e foram compostas com a formação guitarra/ baixo/ bateria (e eventual teclado) em mente. Mostrei as músicas a Pedro Sá já com as linhas de arranjo esboçadas (às vezes definidas) no violão. Têm, quanto a isso (mas não só quanto a isso), parentesco com as composições de rock. Suponho que elas tenham a mesma atitude desabusada que, na época do tropicalismo (e também depois), me levava a dar mostras de interesse pela cultura de massas dominante (a dos países ricos – e às vezes até dos pobres – de lengua inglesa), mas sem submeter-me a ela, nem mesmo tornar-me um especialista nela. Claro que hoje, velho, sei mais coisas do que sabia aos 24. E sei fazer melhor. Mas se alguém achar que o ar de revisão do rock dos anos 80 sob um critério punk é um lugar-comum dos grupos atuais que não evitei adotar em muitos momentos, estará certo. Não se trata, porém, de um disco de rock como os que ouço e me interessam: as músicas são minhas, minha voz continua a mesma, meus cabelos estão mais brancos do que pretos, menos cacheados e sempre mais curtos do que quando os tinha longuíssimos – ou mais longos do que quando decidi usá-los curtos.
         Pedro Sá e Moreno são meus filhos (este último, biologicamente falando; nenhum dos dois no sentido artístico: são filhos na acepção familiar do termo). Estão nos seus trinta: têm uma vivência direta dos caminhos que tomou o gosto musical nas últimas décadas – e intervenções pessoais notáveis na orientação desses caminhos. Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado estão nos seus vinte. Foi Pedro quem sugeriu seus nomes quando ouviu meus temas e minhas idéias. E nossa comunicação foi tão clara que em poucos minutos de ensaio as peças ficavam prontas para ser gravadas.
Todas. Nem uma só emperrou. Todos traziam logo idéias que levavam as minhas até as últimas e melhores conseqüências.
         Esse disco é resultado de muitas conversas que tive com Pedro Sá nesses anos em que ele tem tocado comigo (desde Noites do Norte). Comentávamos o que ouvíamos, ouvíamos algumas coisas juntos, finalmente falamos em fazer um disco marcando posição na discussão crítica do rock. Seria o disco de uma banda fictícia, onde às vezes ele cantaria, às vezes eu (num personagem diferente e com a voz eletronicamente modificada), às vezes algum outro músico que viéssemos a convidar para compor a banda. Faríamos como os Gorillaz (aliás, gosto muito de Gorillaz). Pensei em fazer isso enquanto gravava o disco de sambas, numa perfecta clandestinidade. Contaríamos muito com a utilidade do pro-tools.
         Ao mesmo tempo, eu sonhava fazer uma outra coisa totalmente diferente disso: um disco chamado Novas Canções Sentimentais, todo voz-e-violão, todo de canções românticas feitas por mim, mas que parecessem essas lindas de Peninha ou de Fernando Mendes que gravei com grande sucesso comercial. Só Tá Combinado era uma canção já existente que entraria nesse projeto. Todo o mundo gosta de fazer sucesso. E a mim me traz felicidade poder fazer o que agrada a muita gente, ver que muitas pessoas me ficam gratas e gostando de mim. Sei que um disco assim teria receptividade fácil aqui e na Europa, no Japão (nos Estados Unidos também, possivelmente, dependendo da nitidez da execução e de haver pistas claras quanto ao que fosse sinceridade e ao que fosse ironia), talvez só na Inglaterra ninguém entendesse nada, como acontece freqüentemente. Ainda penso em fazer um disco assim. Mas é um projeto muito solitário. E eu a toda hora me inspirava mais para compor canções do tipo das que iriam pro disco clandestino de rock. Terminei fazendo um disco meu (não tenho esse espírito combativo todo para entrar na clandestinidade), com muito do que veio desse tipo de inspiração, uma canção que transbordou do pacote de sambas (Musa Híbrida) e outra que meio veio do imaginário grupo das Novas Canções Sentimentais (Não Me Arrependo) – sendo que esta última é (com Minhas Lágrimas) um dos raros momentos autobiográficos de um disco que é quase a obra de um heterônimo. E, seguindo o caminho de purificação do som que Pedro e Moreno foram abrindo, gravamos tudo em fita larga, sem pro-tools.
         Todas as músicas do CD são tocadas pelos mesmos três músicos: Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado. E eu, claro, que, além de cantar (às vezes com Pedro, às vezes com Marcelo – só Ricardo não cantou no disco), toco meu velho violão, puxando as cordas (nunca consegui tocar batendo nas cordas como toda a geração rock e pós- rock faz), quase sempre as de náilon, mas, por duas vezes, umas de aço (com que não tenho nenhuma intimidade).
Temos vontade de fazer o mesmo no palco.
         A única participação especial é de Jonas Sá, na faixa O Herói, em que ele, atendendo a uma sugestão de Moreno, faz aqueles vocais angelicais à Stevie Wonder (quando a contra-ironia chega ao auge) e, depois, na mesma faixa, aqueles vocais diabólicos (quando a dor do herói salta pra fora da tensão ironia/ não-ironia) que fecham o album. Acho que é o único álbum meu, até agora, em que só há canções feitas por mim sozinho.

Caetano
Setembro/ 2006



Sábado 14 de octubre de 2006
LA NACION - Argentina

Por Gabriel Plaza
De la Redacción de LA NACION







Não me arrependo

(No me arrepiento)
Tema dedicado a su
ex mujer


Eu não me arrependo de você
cê não me devia maldizer assim
vi você crescer
fiz você crescer
vi cê me fazer crescer também
pra além de mim

Não, nada irá nesse mundo
apagar o desenho que temos aqui
nem o maior dos seus erros,
meus erros, remorsos, o farão sumir
vejo essas novas pessoas
que nós engendramos em nós
e de nós
nada, nem que a gente morra,
desmente o que agora
chega à minha voz. 



 


Caetano con los jóvenes integrantes de su nueva banda




 
 




El 18 de noviembre de 2006, Caetano estrena el nuevo show en Brasília (Academia Music Hall), Belo Horizonte (25/11),  Florianópolis (30/11) , Porto Alegre (2/12), San Pablo (12, 13 y 14/12) y



19-20/12/06 – Rio de Janeiro
[Avant Premiere]

Circo Voador





















JC OnLine - Recife - PE - Brasil

Recife, 30 de Abril de 2007

Caetano
Eles querem se livrar do Brasil
 
29/4/2007

Cê, o novo disco de Caetano Veloso, foi muito bem-recebido pela crítica americana. Mereceu espaços generosos no The New York Times, no Village Voice, na New Yorker, principais publicações dos EUA: "Fiquei um pouco surpreso porque pensei que este disco não teria uma boa receptividade nos Estados Unidos. Tempos atrás, um amigo me enviou umas observações de americanos sobre Noites do Norte. Eles gostaram do disco, mas criticaram Rock and Raul. Não sei bem se foi no My Space, sei que ele me mandou um link que caía na página. Eram comentários de pessoas que gostavam de mim, mas faziam ressalvas por eu estar cantando rock. Achavam que não combinava com a minha voz. Achei que eles não tinham entendido. Foi isto que me instigou a fazer ", revela Caetano. 

A pacífica aceitação por norte-americano de um sul-americano cantando rock, aponta ele, é um débito que se tem com o ex-Talking Heads, David Byrne: "Os ingleses hoje gostam dos Mutantes. Mas quando cheguei em Londres, que mostrava os discos dos tropicalistas, eles não gostavam. Consideram uma cópia malfeita dos Beatles. Preferiam que a gente cantasse bossa nova, samba, música mais brasileira. Foi David Byrne que mudou tudo isso. Ele teve uma visão crítica diferente, deu uma adiantada no mundo inglês. A própria maneira dele entender Tom Zé foi diferente, inclusive dos brasileiros. David Byrne levou a uma nova visão crítica da música brasileira no exterior". 

A guitarra acaba por levar a um questionamento do que é ou não MPB. Lembra Caetano que tem FM que toca MPB, mas que inclui o rock de Titãs ou Paralamas. Ou seja, divisões por compartimentos que se tornaram nebulosoas desde a época das primeiras vaias por causa das guitarras. O que não admite é o que chama de "folhismo", apontando o alvo para uma crítica influenciada pelo que se faz na Folha de S. Paulo: "O folhismo é uma espécie de profissão de fé contra o que se faz de música brasileira", dispara, exemplificando: "Quando fui a Londres para uma show naquela homenagem que fizeram ao tropicalismo, falava-se muito no Arctic Monkeys, que ouvi e adorei. Aqueles garotos cantam muito bem, tocam muito bem. Mas ao mesmo tempo, volto ao Brasil, compro discos de Roberta Sá, de Mariana Aydar, também maravilhosos, e não entendo porque o Folhateen não faz matéria com estas cantoras. O que está ali não é a verdade do jovem brasileiro. A música axé, por exemplo, onde tocar os jovens vão atrás, no Rio Grande do Sul, na Bahia, e se tocar em São Paulo uma imensa parte dos paulistas vai lá".

Da axé, o assunto chega ao novo DVD de Ivete Sangalo, uma megaprodução comparável à de Madonna, Cristina Aguillera, grandes estrelas do pop internacional: "Não só a produção. Ivete é melhor cantora do que Madonna, infinitamente superior. Quero ver Madonna fazer o que fazem estas mulheres na Bahia, que cantam oito horas seguidas, mantendo o nível, a qualidade. Aí vem neguinho e derruba este trabalho com uma penada? Eu desprezo isto. Eles querem é se livrar do Brasil, que é um País grande, interessante e complicado".

teve uma estréia de última hora no TIM Festival, no ano passado. Caetano diz que os 40 minutos que mostrou no palco do TIM Lab não reflete bem o show que, completo, tem uma hora a mais: "Canto todo o repertório do disco, mais Nine out of ten, London London, You don’t know me. E tem também músicas bem conhecidas, Sampa, Quando o samba é samba, Um Tom". O cenário de Helio Eichbauer é simples, reduzido ao essencial, um fundo roxo (cor da capa do disco), iluminação de Maneco Quinderé (o mesmo do show Carioca, de Chico Buarque). (J.T.)










 
The New Yorker

Monday, January 29, 2007

Issue # 4201



Pop Music

Cool Heat
Caetano Veloso makes a rock album
By Sasha Frere-Jones




Veloso is a singer of almost paralyzing grace and sweetness.

Credit: ROBERT RISKO

In 1983, Bob Hurwitz, who worked for a jazz and classical label called ECM, attended a performance at the Public Theatre, in New York, by the Brazilian musician Caetano Veloso—his first show in America. “The audience was probably ninety per cent Brazilian,” Hurwitz recalled. “Caetano played with a band, and then, in the middle of his set, did six or seven songs by himself, which was a rare thing for a Brazilian to do here. He sang in English once—a Cole Porter song. Then he brought out his son, Moreno, who was ten or eleven, to sing. It was magical.”



The following year, Hurwitz took over the classical label Nonesuch and signed Veloso. In September, 1985, Veloso returned to New York and recorded thirteen songs, using little besides his voice and a nylon-string acoustic guitar. He chose pieces that Brazilians knew by heart: “O Leãozinho” [“Little Lion”], a lilting ode to, as Veloso has described him, “a beautiful young man whose sign was Leo”; also “Terra,” a long, melodically complex song inspired by photographs of the earth taken by astronauts. In addition, Veloso included a cover of Michael Jackson’s “Billie Jean,” converting Jackson’s tense dance music into a quiet, confident bossa nova and making the anxious denial of the original (“the kid is not my son”) sound like a carefree dismissal. (Veloso’s version also incorporated a snippet from “Eleanor Rigby”; it was as if he wanted Americans to know that he was not cowed by pop music’s greats.) The resulting album, the glowing and precise “Caetano Veloso” [1986], was the first record by a pop artist to be released by Nonesuch. Veloso was forty-four years old.

Covering a Michael Jackson song with a classical guitar for a label associated with modern composers and recordings of Javanese gamelan players is the kind of counterintuitive act for which Veloso is famous. This week, at the age of sixty-four, he will release “Cê,” a brisk, spare record that sounds more like indie rock than any of the other, highly varied music that he has made in the past forty years. Veloso’s stylistic range and influence on his peers have earned him comparisons to Bob Dylan, but the two men could not be more different. As Veloso put it in an interview, Dylan “is an artist who hides his personality behind the art he is creating. He would never ever touch his work with explanation or analysis. And I am the opposite. I am almost not an artist.” Veloso is a public figure in Brazil, appearing on Carnival floats and collaborating with local musicians. His lyrics tend to be poetic—on “Cê,” he describes himself as a “rattlesnake bristling in the bushes” and his muse as a “coppery panther”—but he can be straightforward when his subject matter demands it. The title track of his 2001 album, “Noites do Norte” [“Northern Nights”], sets a passage from a book by the nineteenth-century Brazilian abolitionist Joaquim Nabuco to elegant music that could have come from a nineteen-sixties Frank Sinatra ballad, except that Nabuco’s text begins, “For a long time, slavery will remain the national characteristic of Brazil.”

A singer of almost paralyzing grace and sweetness, Veloso is also a high-minded rebel—a fact that is apt to be lost on listeners who don’t understand Portuguese and are lulled by the preternatural calmness of his voice. One way around these obstacles is through Veloso’s best-selling 1997 memoir, “Tropical Truth,” which was recently translated into English and contains knotty ruminations on Brazilian history and the author’s sexuality. “As a public figure I came close to what Andrew Sullivan called the ‘ubiquitous, vaguely homoerotic’ climate of the ‘male pop groups of that period,’ “ he writes. “And today I surmise that those suggestions of androgyny, polymorphism, and indeterminacy that colored the post-Beatles (post-Elvis?) pop-music scene still threaten the conventions that underlie many acts of oppression.” Veloso was jailed by Brazil’s military dictatorship for fifty-five days in 1968-69—he was never charged with an offense, though an officer told him that he was disturbed by his use of the word “deconstruct” in interviews—but his music is rarely aggressive or bumptious. His early inspirations were the whisper-soft bossa-nova patriarch João Gilberto and the placid, crystalline recordings made by Chet Baker and Miles Davis in the fifties. As a teen-ager, Veloso found Elvis Presley “a bit disgusting”; he claims that he began to like rock and roll only in 1966, when he was twenty-four. (Like many significant Brazilian songwriters of the last half century, Veloso occasionally makes music that verges on the soporific. When he embellishes his songs with a soprano-saxophone run or a polite drum shuffle, they lose their glimmering gentility and slip into passivity.)

“Cê” resists the anodyne charms of Brazilian pop, favoring loud, blocky rhythms more common to American garage bands. The album was produced by Veloso’s son Moreno and the guitarist Pedro Sá, and performed by Veloso—an able acoustic-guitar player—with the help of Sá and two other young Brazilian musicians, a bassist and a drummer. It consists of twelve songs—most involving sex and anger—which Veloso taught to his three-piece rhythm section, and recorded quickly, adding few overdubs. The music can only loosely be described as rock. As with almost any genre that Veloso tackles, he has transformed it; the term doesn’t apply at all to some of the quieter, more syncopated numbers. “Cê” is tightly focussed and austere, especially compared with the lush, cool jazz arrangements of his 1997 album, “Livro,” or the robust Afro-Brazilian drumming on “Noites do Norte.”

“Odeio” [“I Hate”] seems to be about Veloso’s recent separation from Paula Lavigne, a Brazilian film producer and actress with whom he has two children. The chorus translates as “I hate you, I hate you, I hate you, I hate.” Without a lyric sheet, though, it’s hard to infer these sentiments from the music. The band plays behind Veloso in taut octaves, like a quieter version of the Strokes. Veloso sounds as suave as ever as he sings about a dolphin emerging from a purple sea, a “venus jasmine-diamond,” and “someone’s email.” (He does not elaborate.) His voice, instead of rising to match the anger of his words, drops below his natural tenor range as he repeats the phrase odeio você.

In other songs, Veloso is more philosophical about breakups. “Não Me Arrependo” [“I Don’t Regret”] is a soft number that could have been lifted from one of his albums from the seventies. The music begins with a bass figure that is virtually a direct quote from Lou Reed’s “Walk on the Wild Side,” and proceeds through a series of chords more typical of Veloso’s sophisticated, jazz-derived sense of harmony. Veloso, whose voice remains more inviting than declamatory, is compassionate here: “Not the biggest of your mistakes, or my mistakes, or my remorse will make it disappear. Look at these new people that we formed in us, and from us.” It is a piercing comment on parenthood and responsibility, reminiscent in its candor of the work of Paul Simon, a musician who shares Veloso’s restless intellect and melodic inventiveness.

“Homem” [“Man”], a perky track that sounds like an eighties song by the English New Wave act XTC, suggests how hard it is to extract Veloso from his language and his culture. In translation, the verse goes like this: “I’m not jealous of maternity, or of lactation. I’m not jealous of adiposity, or of menstruation. I only envy longevity, and multiple orgasms.”

Veloso’s Brazilian fans sing along, whether he’s using words like “adiposity” or quoting Sartre. I witnessed the communion between Veloso and his audience in 1999, at the Beacon Theatre in New York, and you can hear it on Veloso’s 2002 double CD, “Live in Bahia,” especially in a performance of the 1977 song “Tigresa.” Veloso’s band is loud, stocked with Brazilian drummers and one overly audible guitarist, but, as he sings, you can hear the ghostly second voice of the crowd, as it repeats his every word. 


- Sasha Frere-Jones worked at The New Yorker as a staff writer and pop-music critic for ten years, beginning in 2004.
 






 
Na 8a. edição do Grammy Latino, realizada em 8 de novembro de 2007, no Centro de Eventos Mandalay Bay, em Las Vegas (EE. UU.), , ganhou o prêmio de Melhor Álbum de Cantor-Compositor e Não Me Arrependo, de Melhor Canção Brasileira.

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