jueves, 2 de agosto de 2012

2012 - 70 AÑOS en 70 FOTOS




“Aos 70, eu me imaginava um velhinho, muito pior que estou hoje”, disse Caetano ao site Glamurama, de Joyce Pascowitch.


Caetano Veloso: 70 anos


Caetano Veloso faz 70 anos nesta terça-feira. Glamurama conversou com o cantor, que nos disse que não quer mesmo grandes badalações em torno da data. “Nada de festa porque eu não gosto mesmo. Vou passar o dia apenas com meus filhos e netos. Claro que, em algum momento, a Dedé [Gadelha] e a Paulinha [Lavigne] têm que aparecer, já que sem elas eu não os teria. A Bethânia está doente e eu é que vou ligar para ela em alguma hora para cobrar meu beijo de aniversário”, disse. Perguntamos se alguma namorada vai estar no grupo: “Não, não. Estou solteiro, graças a Deus”. 

Mas Caetano não vai escapar das celebrações na Bahia. “Vou pra lá na quarta, e aí não tem muito jeito porque todo ano minha mãe faz questão de comemorar. Aquele povo lá em casa é muito festeiro e ela sempre distribui chocolates para as crianças de um orfanato pelo dia de São Caetano”, contou.

O papo engrenou e perguntamos se, na época da Tropicália, ele se imaginava assim aos 70 anos: “Olha, eu me imaginava um velhinho. Nem posso dizer que aposentado, porque eu nem sabia o que eu ia ser direito. Mas me imaginava muito pior do que estou hoje. Não sei se estou sentindo o peso da idade. Fui sentindo muitos pesos de muitas coisas, mas se é por causa dos 70, eu não sei”. 

Depois, Caetano segue para Ilhéus. “Na sexta, faço show lá ao ar livre em homenagem ao centenário de Jorge Amado. Ainda não pensei no repertório, mas com certeza não vai faltar ‘Milagres do Povo’, que foi feita para ele”, adiantou. E apresentação especial pelos seus 70, não vai ter? “Não. Pra quê? Só vou fazer show agora no fim do ano. Daqui a duas semanas, começo a gravar meu novo disco, e com ele pronto é que volto ao palco.”













Parabéns a ele!








 
CHEFE 70

[para Caetano Veloso por Carlinhos Brown]


Do céu seco lixado
Do ar calado ao mar molhado
A mais fina garoa lágrima
Alegria de Mãe Oxum

Deponho sobre o equilíbrio da alma
Ao bem daquele que foi escolhido
Ao mais alto grau da inspiração divina
Toda a minha admiração

Espicho ao tempo que venta o seu caminho
Pois José lhe fez Egito e Bahia
No ventre, no umbigo, na canoa
A quem proverbo, a quem provem, a quem povoa

Sois mãe e sábio
Mudastes meus ritos
Os santos o escutam e não pedem oração
Deus lhe acredita e credita segredos
Sua ignorância me assegura
Sua rebeldia me envaidece
Te tenho mais que uma meia lua inteira
Minhas armas de Xoroquê saúdam-te,
Lanceiro e Arco de Odé





 





  

  


 

 







 



  


 








JORNAL DA GLOBO 
4/8/2012

Coragem e criatividade de Caetano Veloso mudaram o rumo da música
Caetano pode se orgulhar de ser um dos brasileiros mais admirados do seu tempo, que teve presença marcante em momentos-chave da nossa cultura.

Nelson Motta

Uma das canções de Caetano Veloso diz que o homem velho já tem coragem de saber que é imortal.
Conheci Caetano Veloso em fevereiro de 1965, quando sua irmã Maria Bethânia substituiu Nara Leão no musical político Opinião e incluiu no show uma linda canção de seu irmão desconhecido. A estreia de Bethânia, com 19 anos, foi um impacto espetacular. Mas depois do show todo mundo saiu do teatro cantando “O galo cocorocou” e perguntando quem era aquele novo compositor baiano, que unia a bossa nova às suas raízes regionais.

Aos 70 anos, como um bom leonino, Caetano pode se orgulhar de ser um dos brasileiros mais admirados e discutidos do seu tempo, que teve presença marcante em momentos-chave da cultura brasileira.

Assisti a sua consagração com Alegria, Alegria, quando começou estrepitosamente vaiado e terminou ovacionado pela plateia do festival de 67. Visitei-o em seu exílio, em Londres, e depois no Carnaval da Bahia. Assisti grandes shows dele e vi o respeito que impõe.

A inquietação, a criatividade e a coragem de experimentar marcam a carreira musical de Caetano, um discípulo radical de João Gilberto, que mudou o rumo da música brasileira com o Tropicalismo e surpreendeu o público.

Entre os grandes autores da nossa música, talvez nenhum tenha arriscado tanto como Caetano. Gravou músicas, dirigiu um filme, escreveu um grande livro, discutiu cultura, política e comportamento. Com 64 anos fez um disco de rock underground e com 67 anos um dos melhores de sua carreira, Zii e Zie.

Caetano se tornou também um dos nossos melhores intérpretes, resgatando pérolas secretas, reinventando velhos clássicos, e, glória máxima, dividindo o microfone com o Rei Roberto Carlos.
Como ele mesmo disse, de perto ninguém é normal. Mas tive o privilégio de o acompanhar durante 45 anos e de desfrutar de sua amizade, e posso testemunhar que, de perto, ele é de um brilho e uma inteligência anormais, é um homem doce e carinhoso, de honestidade exemplar e imensa generosidade. Feliz aniversário, Caêtas.














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